segunda-feira, 18 de março de 2013
Quando um aluno me matou
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Tédio do começo da noite
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Só quem é vivo tem isso
É uma noite de domingo e estou deitado na cama. Aos poucos me dou conta de que a insônia também está ali, respirando o ar frio. Ela vem sem convite, dá medo e raiva. Tudo que quero é dormir. Mas a insônia está aqui, fazendo coro com um monte de coisas que não sei ao certo o que são.
Minha garganta dói, está apertada e não tenho a menor vontade de chorar. Talvez se eu quiser chorar eu chore e a garganta pare de doer. Lá vou eu tentar chorar e quem sabe assim me sentir melhor, os olhos vão se enchendo de lágrimas, as respiração fica mais profunda e então me pergunto, mas afinal de contas, porque quero chorar?
Não tenho resposta, passou-se muito tempo desde a hora que desliguei a TV e decidi que iria dormir. O quarto está escuro e só a luz vermelha do stand by da TV está ligada. Fluorescendo no escuro os botões do interruptor da lâmpada e o controle da TV na cômoda. O silêncio permite ouvir com clareza os cloques do relógio de parede da cozinha, os cães ladrando longe, o ronco do ônibus no outro bairro e portão sendo fechado.
Um sinfonia sutil, mas irritante. Os olhos estão ardendo e oba!, talvez eu durma. Mas eu não durmo, os pensamentos estão claros e penso no tempo que não para para nada e ninguém. Ele passou e eu fiquei ou fui. E no passar do tempo foram tantas coisas que fiz, que perdi, que conheci e que me arrependi.
E o tempo serve para pensar nas pessoas, quantas conheci, quantas me lembro delas e será que elas se lembram de mim? Elas foram e eu devo ter ido para elas, mas sensação é a de que eu fiquei enquanto elas se foram e o tempo passou, eu perdi o controle ou não aproveitei, não fiz o que eu poderia ser feito.
Eu deveria ter feito algo? Fazer algo para quem? Porque razão? Deixar irem de nossas vidas e se acomodar com relação a isso não é normal? Fazer essas perguntas é um jeito de me sentir menos mediocre, mas no fundo, me sinto do mesmo jeito.
Sentir mediocre é algo mediocre e parece, como diz a música, que se sente assim porque o fracasso subiu a cabeça. Mas o tempo, é parece que ele que dá medo, o prazo vai acabando, não realizei o que queria ter feito e procurei justificativas. Assuma alguma vez a incompetência enquanto digita esse parágrafo e olha para o teto pensando, “que máximo, sei digitar sem olhar para a tela do PC”.
Bem, mas lá na cama, do quarto, deitado a insônia continua. Pensamos nos demadas não atendidas e criadas pelo consumismo e de repente não se fica tão deprimido. Mas o tempo continua passando, o tempo passa, e quando se dá conta que ele passou é que se toma noção que não está tudo bem. Estaria tudo bem se estivesse dormindo.
Eu quero dormir, mas os pensamentos borbulham, a garganta continua com aquele nó, os pés estão formingando, suando e gelados. Mas é na barriga que se sente mais frio, mas um frio que vem de dentro, saí do umbigo sobe por debaixo da pele do torax e chega até atrás das orelhas. O que sei é que essa é a mesma sensação de que eu sinto quanto tenho medo.
Medo por que? Eu sei porque, mas nego tanto que nem sei porque razão tenho medo. Mas o medo existe, o motivo existe, está ali, latente, gritando “resolve-me” e eu insistentemente tento resolvê-lo, resolvê-lo e não consigo. Me deito com o problema lá, para ser resolvido, me esperando, o tempo passando e nesse caso acabando e eu estou ali, na cama, parado. Parado enquanto tenho que resolver meus problemas.
Reclamar disso não tem motivo. Justificar, eu faço isso o tempo todo, inclusive agora. Dizer que está cansado facilita? Não, não resolve. Deitar também não, a cabeça está cansada e a insônia está aí, para não me deixar dormir. E nada disso vai resolver meu problema.
Hoje estou cansado para travar uma disputa com a insônia, ficar ali por horas, pensando que é tudo uma insônia provocada por um monte de coisas que tenho que resolver e não quero falar, não quero pensar nisso agora. Me levanto, bebo água e venho para cá um pouco.
sábado, 15 de maio de 2010
Single Ladies porque é bom estar vivo
Porque estou escrevendo esse texto aqui, não sei bem. Me sinto um urubu com uma pegada de Datena fazendo isso, mas quinta-feira, no ponto em que desço e na hora do almoço uma aglomeração de pessoas existia. Uma ambulância do corpo de Bombeiros permanecia no local e umas viaturas da Polícia também.
O que as pessoas olhavam era o que estava sobre o chão, no caso uma motoclicleta despedaçada debaixo do caminhão da empresa de energia e abraçado à roda dele, um corpo empalidecido. O capacete era rosa mas não dizia muito, já que o tempo do rosa fazer alguém menos homem já deve ter passado, pergunte à revista Veja.
O corpo se vivo estivesse seria bonito, aliás, não é morbido falar, eu acho, que o rapaz morto no chão era bonito. Trajava uma regata preta daquelas tipo mamãe sou forte, tinha pêlos e uma medalha no pescoço, sem contar que era jovem como eu. Foi isso o que deu para ver. Me senti um grande urubu quando corrigi a moça ao meu lado, que fotografava com o smartphone que tinha de crédito ou bônus o mesmo de alma e respeito da dona, e disse que a Polícia estava esperando o IML e não a Defesa Civil.
Bem, fiz muitas coisas na quinta e na sexta-feira. Mesmo assim fico pensando no corpo estendido no chão. Será humanidade da minha parte. Pode até ser, embora ninguém naquela hora estivesse se colocando como humao. E fica até dramático quando penso na propaganda do Estado, a maior parte das mortes são de homens e jovens. Também penso na família, na mãe mais exatamente recebendo a notícia de que o filho morreu. Penso no velório, na vida após a morte do que se foi.
Também penso e se fosse comigo. Fico irritado porque fico deprimido por causa do infeliz desconhecido que morreu. Grito bem alto os hits com obsolecência programada da Beyoncé. Faço assim porque dá a sensação de que para a inveja do defunto, que não saí da minha cabeça creio que por ser bonito, estou vivo. Mesmo assim é deprimente. Tanta juventude, tanta beleza, tanta coragem, tanta discussão por pouca causa e no final se morre.
A morte e os impostos, diria algum economista que não me lembro quem, são as únicas coisas na vida que podemos contar.
É e a gente acorda pensando nisso todo dia agora e fica chateado. Tão bonito, tão jovem, talvez eu pudesse conhecê-lo um dia qualquer e ele fizesse falta para mim também. Mas também bem feito. Ninguém mandou cortar o caminhão pela direita, ainda mais numa moto que para sorte dos que velaram a ele era 125 cc.
Bem, sei lá porque escrevo isso. Acho que semana que vem já passou. De qualquer maneira uma música do Gabriel o Pensador que colocam no curso da autoescola para nunca fazermos burrada no trânsito e não morrermos ninguém, principalmente nós.