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terça-feira, 22 de junho de 2010

É que fracasso me subiu à cabeça.

Em Goiânia está deflagrado um movimento de greve dos professores municipais. Os professores estão pedindo plano de carreira para os agentes educacionais, isto é, os funcionários responsáveis pela limpeza, pela merende, pelas rotinas administrativa da escola e também estão pedindo para que o a prefeitura pague o piso nacional para professores, que é atualmente é R$1312,85.

Bem, a Prefeitura naturalmente não vai pagar e olha que o prefeito é do PT e professor licenciada da Faculdade de Medicina da UFG. A alegação é a clássica, o Município não tem dinheiro para isso, apesar da ampla propaganda patrocinada pela Prefeitura na Televisão e no Rádio.

Semana passado os professores se aglomeraram em frente a Secretaria Municipal de Educação e a Guarda Municipal expulsaram os professores com cacetes e spray de pimenta. O que me deixa irritado nisso não é tanto a truculência do Estado ou a hipocrisia política e sim a visão da população.

Não sei se a imprensão minha, mas tanto quanto dizer que uma ditadura gay, censura a imprensa está surgindo, parece que chamar qualquer aglomeração agora também é terrorismo e está todo mundo dizendo que os professores são terroristas e principalmente egoístas, estão pensando só no bem deles, que se estão insatisfeitos que vá empacotar compras no supermercado.

Li isso em algumas comunidades do Orkut.com e novamente outro soco na barriga me veio e aquela pergunta de sempre: “Mas você vai ser professor?”

Quem dera se os professores pensassem só neles, esse que é o problema, todo mundo acha e até mesmo alguns professores que o Magistério rima com Sacerdócio e não é. Professores também tem necessidades, também são bombardeados pelo consumismo, também precisam atender com dignadidade as boas condições de vida e material.

O que me estarrece é a opinião alienada das pessoas que atribuem o fracasso da Educação somente aos professores, quando ele é atribuído a todos entes. A superciliadade das ideias são tantas que usam terminologias da moda como terroristas para causarem efeito e sequer vão em cima do Estado exigir, como os professores, que embora existam muitos desmotivos sim, estão em busca de alguma melhoria.

Pior é o Prefeito no Twitter imaginar que o problema da Educação seja resolvido apenas com verba, verba e mais verba. Lisongeado ele diz que a Prefeitura gasta 26% do orçamento com Educação. Enquanto gestor público deveria ele pensar que Educação também é uma questão de planejamento e acompanhamento.

Depois esbulgalham os olhos porque eu passo em um concurso público e me sinto derrotado mesmo assim. Eu que me prepare, porque na rede Estadual de ensino, salários, condições de trabalho, interesses em resolver as questões por parte dos professores e ingerência política, principalmente com a volta eminente de Marconi Perillo, vão ser bem piores.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem chão

O dia 18 de maio de 2010 não vai sair da minha cabeça. Levarei-o pelo resto da minha vida, para bem ou para mal. Talvez, e eu quero, que ele sirva para que eu dê risadas para quando eu souber mais do que sei hoje. Mas rir agora do que houve na manhã da terça-feira eu não consigo.

Meu otimismo acabou ou entrou em um eclipse que tomara não perdurar até domingo, dia da prova do concurso da Secretaria Estadual de Educação. Queria fazer a prova inspirado. De toda forma farei a prova, mesmo que eu não queira nunca mais saber de sala de aula, pelo menos por agora. Mas farei para que minha razão não me cobre por uma burrada que fiz num passado de emoção.

Na terça-feira foi a tomada de consciência da minha incompetência, inexperiência após um massacre perpretados por um monte de pré adolescentes. Daquela aula saí sem chão, sem instrumentos, sem norte ou horizonte e pensando que não é tarde para mudar de curso.

Talvez seja desespero meu, mas me sinto desolado, quatro anos para tão pouco. Concurso safado, governador safado, tempo novo safado, país falido. Ninguém se importa com Educação, embora todos devessem. Salário de fome, estudar tanto para no final das contas ganhar R$1314,00 por 40 horas. Outra secretaria do estado, a da Saúde, está pagando 1200 e qualquer coisa para quem tem ensino fundamental trabalhar de recepcionista.

E o Estado ainda quer que os jovens façam licenciatura? Quem vai fazer licenciatura? Talvez um tapado como eu lá por volta dos 17 anos confundindo paixão por uma ciência que mal conheça e os afãs messiânicos para com o futuro do país e da Educação. Que se danem a Educação, o futuro dos outros, assim também os seus filhos. Sequer preocupam com seus filhos.

Quem se importa? Nem mesmo os próprios professores em muitas das vezes com suas atuações mediocres, seus salários de fome e com suas ilusões. Olha só, até o concurso para contratação de professores foi prorrogado.

A Secretaria Estadual da Educação protegeu os alunos, eles não precisam usar uniforme, não precisam chegar no horário, não podem ser expulsos ou reprovados. O Ministério Público não deixa reprovar aluno. Também não deixa expulsar. O Ministério Público é ótimo, com leis e as leis falam que ninguém pode ser expulso da escola porque isso é cercear o acesso a Educação. O Ministério Público entende de Leis, mas as Leis não entendem de Educação.

O Ministério Público deveria tomar no cu. O Ministério Público não, todo mundo, dos mais endiabados dos alunos até as pessoas do horário política, deveria tomar no cu quando o assunto é educação. Aquela velha morfética falando das escolas modelos deveria ser a primeira e a adolescente falando das escolas em tempo integral merecia um implante de cerébro, além de tomar no cu.

As escolas modelos não tem papel A4, as escolas em tempo integral não tem refeitorio e nem duchas. Além disso o Ministério Público não sabe nada de Educação, se souber deve ser aquela visão romântica do Içami Tiba. Na prática a realidade é outra. Foi lá onde eu tomei no cu e não gostei. Por isso todo mundo que fala assim da educação deveria tomar no cu como eu tomei e vou continuar tomando. Até quando eu não sei.

Uma que deveria tomar no cu também é secretária estadual da educação. Odeio o gerundismo dela, além disso ela se veste mal, todo mundo vê que ela veste Renner misturada com Riachuelo, coisa mais classe C alienada querendo pagar de Classe B, usando daquilo que a Classe B acha barato e feio e é mesmo. Odeio aquela cara de perua botolínica. Todo criminoso deixa uma assinatura. Cirurgiões plásticos também porque tem várias não emparentadas da secretária com o mesmo sorriso.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lendo as entrelinhas da Veja

Existem jovens se assumindo homossexuais em idades precoces quando comparados à média das gerações anteriores, as manifestações de preconceito têm sido repudiadas moralmente e muitas pessoas têm sido mais receptivas a diversidade sexual. No entanto a geração da tolerância só existe nas páginas da revista Veja.

Não deve ser dado como dimensão da realidade os exemplos de jovens de classe média, em que não só eles, mas também as pessoas próximas, possuem acesso a informação, algo preponderante para derrubar o preconceito e repudiá-los. A reportagem da Veja é só uma quimera, um otimismo que perde a conexão com a realidade e a mascara.

As questões referentes a sexualidade na sociedade brasileira não se envolve ao fato de ser heterossexual ou homossexual, de se assumir homossexual ou não. As questões envolvem a inexistência de direitos civis, os determinismo legais que impedem aos transgêneros de serem vistos legalmente com o sexo pelo qual se reconhecem, a permissividade à liberdade religiosa ou de expressão que tem permitido ofensas aos LGBT’s, os indagamentos a respeito do machismo e patriarcalismo, entre outras.

A revista Veja pode não acreditar na legitimidade dessas questões e nem entender a profundidade delas, mas deveria tratá-las já que promete um jornalismo de esclarecimento. No entanto, a Veja apenas promete porque na prática não esclarece e não é imparcial.

Por traz da idéia que a Veja quer passar não está apenas uma visão simplista, determinista e apática para com as questões inerentes a complexiddade dos LGBT’s em nossa sociedade. Nas entrelinhas existem também os obscuros posicionamentos políticos e ideológicos de uma revista conservadora, moralista e porque não dizer, cínica e dissimulada.

A Veja quando diz que a sociedade não oferece mais preconceitos quer no fundo convencer a sociedade a reprovar a existência e as causas pelas quais lutam os movimentos LGBT’s, pois a exemplo de outros movimentos sociais, em geral têm lideranças e militantes que se colocam contrários às denominações políticas prediletas da revista, os conservadores, e defendem as denominações que ela recusa, as esquerdas.

Portanto, nem leia e nem Veja.

domingo, 14 de março de 2010

Sobre o Gaydar

Por causa do lançamento do livro da Vaca Profana, ela veio até minha casa ontem deixar convites para a solenidade na qual vão estar outros escritores também lançando seus livros, a imprensa local, os políticos, os “formadores de opinião”, os garçons, os seguranças engravatados e as moças arianas super maquiadas da periferia. Conversávamos e navegávamos pelo orkut olhando as pessoas e contando causos sobre elas no melhor estilo recordar é viver.

Tinha ali o ex da Vaca Profana, que dizia amá-la muito, que não gostava de viado, que era emo por modinha e que o tio da Vaca, que é super divosa, chamou para fazer tudão. Tudão… palavra legal. O Di, o meu amigo casamenteiro cujo gaydar eu confio, viu a nosso pedido o perfil do ex da Vaca e deu o veredicto, que nos convenceu, o rapaz é do babadón. Sempre desconfiamos do garoto e ficamos num misto de eu já sabia, riso, de ele te enganou Vaca e tudo mais.

Bem, olhando ali o orkut do Di, olha só que eu vejo entre nossos amigos em comum, nada mais do que meu colega de estágio. Não que a pessoa seja delicada, efeminada, e tudo mais. Mas sabe quando você olha para alguém e vê que ela tem um semblante, uma aura, de colorido também? E o caso desse colega de estágio, que por sua vez tira sarro dos professores do instituto aparentemente gays, de toda figura colorida que vê, é evangélico e lógico, contra o “homossexualismo”.

O que achei estranho é o colega de estágio estar no orkut do Di, cujo fator que nos tornou amigos foi a nossa sexualidade. Mais estranho o colega ter outras pessoas do meu orkut, que são gays, adicionadas. Então pergunto ao Di de onde ele conhecia fulano. O Di respondeu que na Uol, mas que não fala muito com ele. E eu pergunto, e ele é gay, como se Uol já não fosse quase que uma redundância. Ele responde que sim, e para ficar bem respondido eu devolvo com outra pergunta, ele é ativo ou passivo. O Di responde que não sabe, mas que vai confirmar da próxima vez.

Bem, o Gato de Cheshire tem razão, um boi preto conhece o outro. Assim é melhor não subestimar mais toda sofisticação tecnológica do meu gaydar. É engraçado, na verdade não é engraçado e sim irritante, esses meninos enrústidos. Uma coisa é estar no armário, o que acho legítimo porque também já estive e sei bem os motivos que levam alguém a ter essa discrição. Mas já é de me deixar putaiado o cara ser e ainda fica repercutindo preconceitos contra os iguais como se não fosse um.

Lamentável mesmo é que o colega de estágio não seja gatinho. Se fosse da próxima vez que ele viesse aqui discutir o projeto de intervenção, eu iria parar do nada, olharia nos olhos dele bem profundamente e diria: “Eu sei de tudo. Tire a purpurina do potinho bee. Agora chega aqui e me beija, porque eu tenho camisinha”. Mas ele não é bonito porque ele é… feio.

Eita final de semana divertidoso.