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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Silas oportunista!

O Pastor Silas Malafaia é contra a reforma política. Não dá para acreditar que tudo que este homem fala seja apenas liberdade religiosa, o que para muita gente como ele é um principio intocável, nem que ele esteja habilitado a falar sobre isso. Silas Malafaia não tem preocupação nenhuma com o combate à corrupção, até mesmo porque ele se beneficia do sistema político tal qual ele está. 
Ele não tem, por enquanto, interesse em se candidatar a nada, até mesmo porque ele não carece disso para ter o tipo de poder que deseja. No entanto, bom ou ruim, ele é um formador de opinião e um transferidor de votos. Do mesmo modo também trabalha contra ele pensar ser necessário. Ele fez isso com Dilma, Marina Silva e por princípios religiosos não foi.
Uma reforma política diminui o poder que pessoas com ele tem para eleger determinadas pessoas, como voto em lista fechada e distritais. É evidente que ele precisa ser contra. É provável que ele tenha êxito nisso, as pessoas que tem ele como principal característica o fazer acriticamente, até mesmo porque ele a ignorância que os rodeia impedem de entender a fundo política, as razões que motivam pessoas serem favorável ou contra o nosso sistema político. 
É uma gente ignorante e quando se fala que essas pessoas são ignorantes é desnecessário desconstruir a folclórica ideia de pessoas semialfabetizadas, miseráveis, burras, que não sabem ler ou sequer que concluíram o Ensino Básico. Ao se falar que os fiéis de Silas Malafaia são ignorantes, quer dizer que eles não só entendem o que tanto o pastor deles criticam, como se recusam a entender, por motivos os quais a própria doutrina que seguem motiva a ignorar. 
Não senhores, Silas Malafaia não é apenas um cidadão usufruindo de seu direito à opinião. Até mesmo porque para a maioria das coisas a respeito das quais ele tanto fala, ele demonstra total desconhecimento, logo, como pode se posicionar ou ter como base  algo que ele não sabe direito como funciona? O referido pastor é alguém com interesses à esclarecer, uma vez que suas justificativas de "princípios do povo de Deus" de tão coerente nem sequer são uma unanimidade entre os evangélicos. Fora que soa estranho alguém que não participar e não contribui com debates sobre o sistema político defender um modelo que entre direita e esquerda, por principio ou oportunismo, já é entendido como errado e carente de mudar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Escrevendo um artigo de opinião

Não é segredo que tenho me comunicado com alguns jovens crentes pertencentes a uma igreja inclusiva, apesar do meu “materialismo”. Ontem conversava com o Pr. Patrick Bomfim e numa tempestade mental ele pediu que eu escrevesse sobre concessões públicas de rádio e televisão para grupos religiosos. Escrevi o artigo abaixo, nesse eu me esforcei  na clareza e principalmente na gramática.

Aqui está o link para quem quiser lê-lo no blog da Igreja Ministério Nação Agápe.

Espero que gostem.

O USO DE CONCESSÕES PÚBLICAS POR DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS


 

“Num passado remoto eu perdi meu controle”

(Música: Xáneu 5; Artista: O Teatro Mágico)

Toda aplicação sem fio precisa de espectro eletromagnético para funcionar, tanto o controle remoto de um portão eletrônico até as transmissões das emissoras abertas de rádio e televisão. No entanto, os espectros eletromagnéticos são bens públicos, recursos naturais cujas utilizações devem atender aos interesses dos cidadãos. Sendo assim não devem escapar dessa premissa nem mesmo os conteúdos transmitidos por nossas emissoras abertas de rádio e televisão, já que elas utilizam espectros que são públicos.

Porém não é segredo, que em geral, os conteúdos de nossas emissoras abertas de rádio e, em maior parte, de televisão não vão de encontro aos interesses públicos como a promoção da educação, das artes, da cultura, da informação, dos valores éticos e sociais da pessoa, entre outras determinações encontradas na Constituição Federal. Os programas religiosos não são diferentes, apesar da credibilidade que a Fé em Deus possuí, pois esses programas também abusam da permissividade que tanto a Sociedade como o Estado têm apresentado para com os conteúdos abertos.

Assim sendo é notável líderes religiosos promovendo suas pessoas e aderindo ao estrelismo, utilizando o Deus que as pessoas acreditam para promoverem marcas, produtos e serviços. Não só isso! É ainda mais preocupante tolerar os programas religiosos abusarem do desespero e da ignorância, tanto cientifica como teológica, das pessoas e lhes fazerem promessas mirabolantes e imediatistas para os seus problemas. Além do mais, a mistura se torna perigosa, pois se utiliza a credibilidade religiosa para dar como verdades inquestionáveis as visões e os interesses particulares de líderes, o que além de antidemocrático, custa em muitos casos preconceitos, conflitos interpessoais, fanatismos e afins.

No entanto essa questão é delicada. Temos como exemplo a recente medida do Ministério da Justiça que classificou como impróprio para o período anterior às 20:00 horas, o programa Vitória em Cristo, apresentado pelo pastor extremista Silas Malafaia. De acordo com o sítioDikerama.uol.com.br, o MJ considerou o programa inapropriado “porque contém ‘linguagem depreciativa e conteúdos verbais que expõem lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros a situações humilhantes ou degradantes’”.

Se por um lado têm se uma evolução ao mostrar que a Sociedade – aqui entendida como todos cidadãos independentes de crença individual, classe social, origem, condição sexual, posicionamento político, raça e afins – quer controle e responsabilidades maiores sobre o conteúdo aberto da televisão, por outro temos o reacionarismo típico de quem está perdendo privilégios. Sabendo do histórico sectarista de Silas Malafaia, nada mais previsível do que suas falas acusando tal ação como intolerante, preconceituosa, censura e contrária a liberdade religiosa convocando assim aos fiéis de sua denominação a pensarem como ele. Claro que Malafaia está se fazendo de vítima e requisitando para si um papel que não condiz com seus atos, mas o comportamento expresso pelo pastor em relação à ação do MJ demonstra a profundidade da questão.

Sendo assim, tanto como não é possível acreditar na máxima de que o mercado vai se autorregulamentar e assim tirar do ar a programação sensacionalista, degenerativa, o humor de preconceito, o jornalismo fajuto e manipulado, entre outras coisas nas emissoras não confessionais, também não é possível acreditar que a liberdade de culto religioso ou de expressão, permita que seja dito qualquer coisa à rebelia em programas e emissoras confessionais.

Dessa forma, o que se quer aqui é exigir controle sobre o conteúdo das emissoras confessionais abertas e questionar se elas devem existir nesse caráter, aberto, já que os espectros utilizados por elas são bens públicos de um Estado que é laico para respeitar as diferentes religiosidades existentes, são bens públicos que esse Estado entrega à iniciativa privada esperando que a sua exploração atenda as funções dos serviços públicos de rádio e televisão.

Assim sendo, é necessário empreender ações que combatam não só os questionáveis hábitos de saúde e alimentação, padrões comportamentais e de beleza, a desvalorização da mulher e de seu corpo, a desvalorização do ser humano e a exploração de seu sofrimento, o consumismo dirigido às crianças, um grupo que não possui o discernimento dos adultos; entre outras coisas. É necessário também questionar e empreender medidas a respeito da programação e das emissoras religiosas.

É necessário que a Sociedade exija transparência, maior participação e acima de tudo poder nas definições a respeito da exploração dos serviços de rádio e televisão aberta. Também é necessário que a Sociedade reflita a respeito da entrega, da utilização e da renovação de concessões aos grupos radiodifusores – que no Brasil tem atendido historicamente às barganhas e às influências econômicas e políticas – principalmente os religiosos, que se mostram abusivos e extremistas sem serem questionados pelos seus próprios fiéis, já que esses acreditam que questioná-los é questionar a Deus e assim sendo, um pecado. Tudo isso é necessário, mesmo que signifique inclusive proibir as emissoras confessionais.

Felizmente já dispomos de caminhos para isso. Sob o lema “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” o fórum “Ética na TV” congrega vários grupos da Sociedade civil interessados em denunciar os abusos cometidos em nossa mídia aberta. O fórum indica a linha 0800 619 619 e o próprio sítio,www.eticanatv.org.br, para quem estiver interessado em fazer denuncias, críticas, elogios e sugestões.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sobre Marina Silva

Eu gosto de Marina Silva e apesar de minha preferência por Dilma Rousseff, gostei dela ter saído como pré candidata à Presidência da República. Admiro muitas coisas nela, a biografia, sendo ela uma das poucas pessoas públicas “que subiram na vida” e que não me causa medo. Admiro sua formação universitária, História, e sua atuação, durante alguns anos, profissional, professora do Ensino Básico.

Tenho a noção de que no governo ela fez menos do que quis fazere o que ela quis fazer foi o ponderado. Talvez por isso achei tão importante seu anceio por se tornar presidente, aja vista que penso no meio ambiente como algo importante para o “futuro do país” tanto quanto o crescimento da economia e a distribuição de renda que o Governo Lula tanto diz fazer, mas sem dar a devida proporção as causas ambientais. É como diz o ditado: quem não dá assistência, abre concorrência.

Mas dependendo do que Marina Silva disser, mesmo que ela não se eleja e mesmo que eu goste de Dilma Rousseff, talvez ele diga coisas que eu julgue fazer com ela mereça o voto meu. Contudo, Marina Silva me causava um receio até o dia de hoje porque eu não sabia qual seu posicionamento a respeito dos homossexuais. Ela tweetou e fui ao seu site ler o que a senadora pensa politicamente a respeito dos LGBT’s.

Fiquei feliz e não me surpreendi. O que li no site oficial de Marina foi algo que eu esperava, mas não tinha a confirmação. Marina Silva, apesar de evangélica e da mesma igreja do reacionário Silas Malafaia, Assembléia de Deus, é favorável aos direitos das pessoas LGBT’s. Reconhece que os movimentos sociais, que tem muita gente contra porque não querem as mudanças que eles propõem, são importantes e fazem parte de sua biografia. Reconhece que não existe democracia cerceando às minorias o acesso à liberdade e à igualdade.

Marina Silva é sim uma pessoa diplomática, mas não é diplomática meramento por questão política e por ser orientada por um marqueteiro, mas sim porque acredita no poder da cordialidade para instituir o respeito e a cultura de paz entre as pessoas. Isso é visível a todo momento em suas falas, inclusive quando saiu do PT e teve tudo para ele criticar, mas preferiu elogiá-lo.

Enfim, durmo feliz por finalmente saber o posicionamento de Marina Silva a respeito de minhas demandas e por esse posicionamento ser exatamente o que eu quero de nossos políticos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre esse blog

Quando eu criei esse blog, em 2007, eu tinha 18 anos. Na época eu escrevia bem menos, e acho que pior, do que escrevo hoje. O que queria na blogosfera, e ainda com o título Sempre Avante no Nada Infinito, era falar da minha sexualidade ainda não tão resolvida como pode ser hoje.

Sempre soube que eu era homossexual e lá por volta dos 18 anos, numa viagem para o interior de São Paulo, no marasmo que trazia o banco traseiro do carro em uma rodovia entre Uberlândia e Uberaba, eu resolvi finalmente ser homossexual. Sei lá como, eu tinha mais dúvidas do que certezas.

Os 18 anos foram por assim dizer, o ano da mudança para mim. Agora de um dia para o outro eu sou adulto e em algumas semanas vou fazer o que sempre quis, dirigir. Agora eu me revolto com a obrigação de ter que me alistar ciae se definido fosse, servir ao Exército, o que me faz saber que eu sou dono do meu próprio nariz, mas não do meu único corpo. Além disso, entro na Universidade que é um mundo em que não só o cheiro do ar é diferente, por causa do laboratório de anatomia humana e da grama, mas também a forma de falar, explicar e acreditar no mundo. Agora eu decidi que não vou ser o que eu passei a minha vida toda querendo me tornar, heterossexual, porque eu nunca fui. Agora estou realmente incorporando e entendendo os que foi falado naqueles 18 meses de terapia.

Então criei, depois de uns dois meses, esse blog aqui. Tentei sintetizar tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Quis falar de mim mesmo, da minha sexualidade, das minhas consciências ou o que hoje acho simplesmente ingenuidade minha naquela época e o que morro de medo de saber no futuro que o atual também possa ser. Certo era que eu queria acertar e colocar através das palavras o que eu estava sentindo e o que idealizo.

Creio que nunca tive sucesso com isso. Creio que nunca consegui porque o que eu escrevo é muito idealizado. Me perco muito escrevendo, abro muitos parênteses, sou repetitivo e acho que explico muito. Idealizo inclusive a forma como vocês vão ler e receber isso. Ou em outras palavras, me antecipo aos leitores.

Hoje dá mais prazer escrever porque sei que tem mais gente para ler e saber que sou lido. Isso satisfaz o desejo implícito de ser ouvido. Mas gosto do que escrevi no passado, do jeito errante, apesar de que me indago como pude escrever algumas coisas. Também fico contente por saber, que embora eu escreva o mesmo parágrafo inúmeras vezes, que embora eu demore uma hora para escrever coisas de se ler em três minutos, em mais linhas do que o necessário, eu sou idealista e tenho minhas utopias, se é que devo tratar o que pretendo alcançar como utopias.

Mas se bem que esse blog existe é por causa disso mesmo, ser ouvido. E ser ouvido não é só a consciência de saber que alguém vai ler e meia dúzia de gatos pingados, apesar que o Gato de Cheshire aparece pouco por aqui de tempos para cá, vá comentar, créditos ao Paulo Braccini por ser quem mais me prestigia com os seus comentários. Ser ouvido, e logo o que quero aqui, é ser saber que alguém entendeu o que quis dizer, que mesmo que não concorde comigo, o que eu tenho dito vai fazer pelo menos alguma diferença, mesmo que seja para dar mais convicção, a alguém que pense diferente de mim.

Então é por causa disso que escrevo e delongadamente contra a religião, contra Deus, contra o pastor Silas Malafaia, a favor dos direitos civis, a favor da Dilma e do PT e porque acho que homossexual não deve votar em partido de quem é contra PLC 122. E por isso que as vezes escrevo aqui, eu acho que nem eu entendi realmente o que eu falei. Sabe, é que eu sou ruim com ensaio. Da preguiça escrever o mesmo texto duas vezes.

Bem, vou continuar escrevendo aqui por causa de tudo isso que eu acredito, pelos mesmos motivos de quando escrevi no passado, embora agora tenha mais coisa diferente e eu saiba muito de quando comecei isso aqui. Algumas vezes escrevo com esses títulos parecidos, apenas parecidos, com texto de filosofia porque acho bonito se parecer Cult e filosofia é Cult.

É, não é cair em parafuso e nem crescimento em espiral. Em parafuso horizontal significa para mim, ir para algum lugar, que pelo visto nem eu sei o que é e onde fica.

P.S.: Agora sim eu fui metablogueiro.