quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Da auto-aceitação

Nos dias da proximidade do meu aniversário de 18 anos uma reviravolta estava acontecendo na minha mente. Algo foi o estopim para mim, as palavras do grupo da causa LGBT presente na universidade que foram ditas naqueles meus primeiros dias na incógnita universidade da qual passei a fazer parte. Pelos próximos meses aquelas palavras, que me chocaram naquela noite, iriam ficar latentes. No entanto com o tempo elas borbulhariam com a pressão de tantas outras palavras, experiências, sentimentos e expectativas que inutilmente eu insistia esconder, pois elas diziam aquilo que eu bem sabia, mas que na minha silenciosa solidão negava.

Mas qual a finalidade de negar aquilo a mim, cuja maior testemunha do que acontecia com meus pensamentos e emoções era eu mesmo? Eu, assim como praticamente todos, fui criado em uma sociedade heteronormativa concebida para heterossexuais e disposta a empreender, na esmagadora maioria das vezes irracionalmente, o que for necessário para impedir que as pessoas que fujam a essa regra. Em casos isolados até atitudes extremas seriam tomadas e aceitadas através da omissão e da pouca importância dada pelas pessoas.

Além disso, sou filho único e meus pais sem me perguntarem e inocentemente estenderam os projetos deles a mim, sem ao menos notar se é da minha vontade realizá-los. As experiências negativas na escola davam outra proporção do que pode ser o respeito - ou ausência dele - dispensado a uma pessoa que assumi a todos aquilo que eu negava a mim mesmo.

Com 17, quase 18, anos eu estava cansado de ficar fingindo para mim pensamentos e emoções que eu sempre soube serem falsos, pois os verdadeiros envergonhavam a mim mesmo. Bastavam alguns minutos de silêncio entre um sono e outro para que a simples lembrança da minha homossexualidade constrangesse a mim mesmo, o meu maior inimigo, mas o meu maior herói. Além das palavras do grupo LGBT ditas naquele seminário, vieram as sugestões e as vezes em que fui posto na parede, e que sempre neguei, pela terapeuta, os meus conceitos sobre a minha condição mais próximos da tolerância e aceitação do que da repressão irracional e maquiada para me deixar cansado.

Viajo com meus pais para outro estado e no banco de trás, recolhido na minha introspecção, facilitada pela rara rodovia pública duplicada e sem pedágio, eu aceito finalmente a mim mesmo, dou um grito mental e digo a mim mesmo SOU HOMOSSEXUAL E VOU SER FELIZ ASSIM.

O que tenho em mente é que a partir desse dia da minha vida eu iniciei uma sucessão de grandes evoluções na formação e definição do meu caráter e principalmente, da minha personalidade. Não tirei o mundo das minhas costas, mas foi como se eu tirasse a Austrália e iniciasse um processo que ao final teria a mim livre de carregar o mundo. A partir desse dia até meu sono ficou mais leve.

Ultimamente tenho estado tão leve que estou nas nuvens, tanto é que agora, exatamente 19h01min no meu relógio lembrei que as 17h00min eu tinha terapia e não fui.

Comentem!

2 comentários:

Ronin disse...

Well,vc faz terapia a quanto tempo?

Mystica disse...

Autoaceitação é uma dádiva! Depois dela o fardo se torna bem mais suave.
Eu nunca cheguei a fazer terapia (deveria ter feito, mas isso são outros quinhentos).. no momento que eu optei pela minha felicidade e mandei minhas neuras pro canto, me senti leve como vc se sente agora.
Abraços, lindo! te adoro.