quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lendo as entrelinhas da Veja

Existem jovens se assumindo homossexuais em idades precoces quando comparados à média das gerações anteriores, as manifestações de preconceito têm sido repudiadas moralmente e muitas pessoas têm sido mais receptivas a diversidade sexual. No entanto a geração da tolerância só existe nas páginas da revista Veja.

Não deve ser dado como dimensão da realidade os exemplos de jovens de classe média, em que não só eles, mas também as pessoas próximas, possuem acesso a informação, algo preponderante para derrubar o preconceito e repudiá-los. A reportagem da Veja é só uma quimera, um otimismo que perde a conexão com a realidade e a mascara.

As questões referentes a sexualidade na sociedade brasileira não se envolve ao fato de ser heterossexual ou homossexual, de se assumir homossexual ou não. As questões envolvem a inexistência de direitos civis, os determinismo legais que impedem aos transgêneros de serem vistos legalmente com o sexo pelo qual se reconhecem, a permissividade à liberdade religiosa ou de expressão que tem permitido ofensas aos LGBT’s, os indagamentos a respeito do machismo e patriarcalismo, entre outras.

A revista Veja pode não acreditar na legitimidade dessas questões e nem entender a profundidade delas, mas deveria tratá-las já que promete um jornalismo de esclarecimento. No entanto, a Veja apenas promete porque na prática não esclarece e não é imparcial.

Por traz da idéia que a Veja quer passar não está apenas uma visão simplista, determinista e apática para com as questões inerentes a complexiddade dos LGBT’s em nossa sociedade. Nas entrelinhas existem também os obscuros posicionamentos políticos e ideológicos de uma revista conservadora, moralista e porque não dizer, cínica e dissimulada.

A Veja quando diz que a sociedade não oferece mais preconceitos quer no fundo convencer a sociedade a reprovar a existência e as causas pelas quais lutam os movimentos LGBT’s, pois a exemplo de outros movimentos sociais, em geral têm lideranças e militantes que se colocam contrários às denominações políticas prediletas da revista, os conservadores, e defendem as denominações que ela recusa, as esquerdas.

Portanto, nem leia e nem Veja.

12 comentários:

Edu disse...

Absolutamente perfeito (de acordo com minha opinião)!! Eita Parafusinho bem atarrachado, sô!!

Visão disse...

Eu nem li ainda. =/
Mas eu tava querendo ler e volto para comentar

Sex and the City Tupiniquim!!! disse...

Um relato verdadeiro de um reportagem um tanto quanto ilusória... Não sei qual foi a intenção e o propósito (preciso avaliar melhor isso)... mas... cheguei a ficar incomodado ao ler a "artigo".
A VISÃO SIMPLISTA quase sempre é utilizada nesses meios de comunicação... dando a falsa impressão de estar tocando em assuntos contundentes... mas... no fundo... não discutindo ou esclarecendo coisa alguma!

Bjs

Paulo Braccini disse...

concordo em parte com vc em seu texto muito bem articulado e tb com o coment do Peter, mas sou tb obrigado a colocar que, apesar disto, mesmo que de forma simplista e conservadora, não deixa de ser um marco importante na luta, o fato de tal assunto ser abordado por este tipo de mídia ... entendo que, para ela se permitir levantar a questão, é sinal de que os tempos mudam, as pressões sociais existem e se fazem sentir, pois caso contrário, D. Veja nem se jamais abordaria este tema ...

bjux

;-)

Lobo Cinzento disse...

Bom, os jovens de classe média podem sim ser tomados como exemplo... para a classe média. Quem sabe não seria uma forma melhor de abrodar o assunto pegando jovens de classes sociais diferentes, e apresentar a diferença?

Abraços Well!

Cristiano Contreiras disse...

Preciso ler essa revista Veja! soube, mas não conferi.

parabéns pelo blog!

Gilson disse...

Vou ler e depois venho trocar idéias com vc, seu sumido.

Abs

Guy Franco disse...

Acho engraçado (tá, nem acho engraçado) como a palavra "conservador" é tão discriminada. Pobrezinha. "Preconceito" é outra, jogada na sarjeta, bêbada, pedindo dinheiro.

Mauri Boffil disse...

nem li a veja... prontofalei

Robert disse...

Well, é uma pena que você continue com uma visão estreita das coisas. O retrato que a Veja fez sobre homossexuais jovens é obviamente parcial, pois uma revista de informação semanal não costuma se aprofundar em seus temas. Livros são mais indicados para tanto, sabia? Contudo, não há por que desmerecer a iniciativa da revista só porque você discorda da sua linha editorial. Eu nem cheguei a me ver retratado na reportagem, pois sou mais velho do que a média dos que lá depuseram e me descobri homossexual entre 23 e 24 anos. Contudo, isso não me dá o direito de reconhecer o mérito da "Veja", pois ela, por ainda ter respaldo entre pessoas que veem a diversidade sexual de modo equivocado, presta um serviço importante ao discutir o assunto. Além disso, mostrar homossexuais que querem ser respeitados sem ter a obrigação de entrarem para a militância (que cada vez mais me decepciona por sua visão tacanha do mundo e por encampar lutas secundárias em vez de fazer um trabalho mais sério e direcionado à mudança das leis no Brasil, vide pessoas feito o propalado Léo Mendes) é algo importante. Eu não vou balançar bandeira de arco-íris para que todos saibam quem sou. Pois, se eu for respeitado ao me assumir, será pelo que sou, sendo a minha homossexualidade apenas uma característica. Se eu for discriminado, ou mesmo apanhar, a bandeira do arco-íris não irá curar minhas feridas. A reportagem da Veja serve para banalizar mais a homossexualidade, no bom sentido. É preciso apresentar as coisas desse jeito para a imensa maioria que nos circunda, antes que outros façam suas cabeças. Isso é mais producente do que pregar para convertidos. Ou para quem faz parte da panelinha da vez. Não são só os heteros que podem ser escrotos, preconceituosos e reacionários.

Robert disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Robert disse...

Se você acha que tudo ligado a palavra "conservador" é ruim, imagino que tudo ligado a "libertário" deva soar bonito aos seus ouvidos. Leia sobre o Regime do Terror na França revolucionária. Aliás, leia sobre a maioria esmagadora das revoluções que vieram depois da francesa. Antes um conservador que fique na sua sem encher meu saco do que um libertário que exige de todo mundo um posicionamento agressivo contra tudo o que lhe for inimigo.

Meu lado profeta me diz que, daqui a uns dez anos, você lerá algumas coisas que postou neste blog e verá o quanto foi equivocado. O que me lembra uma frase que até o Lula usou, num dos seus raros tiros certos quando deita a falar de improviso. Com algumas diferenças, era algo assim: ser jovem e de direita é ser insensível; ser velho e de esquerda é ser burro.