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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O estatuto da juventude e a imprensa

Para quem não sabe hoje foi aprovado na Câmara dos Deputados o Estatuto da Juventude. O projeto segue agora para o Senado Federal, se for aprovado sem alterações, segue para a sanção da Presidente Dilma. Confesso que sei pouco a respeito dele, mas pelo pouco que pude ler é possível compreender que o estatuto é algo muito importante para as pessoas com idade entre 15 e 29 anos. Entre os motivos têm-se o passe livre para os estudantes de até 29 anos e a meia passagem no transporte intermunicipal ou interestadual, a obrigatoriedade de aulas sobre sexualidade no Ensino Básico, coisa que a Frente LGBT espera que sirva para esclarecer a sociedade sobre as diversidades sexual e de gênero.


O  texto do projeto ou um artigo mais  profundo sobre o mesmo eu não li e  este último se depender da grande mídia nem vou ler, o que é revoltante. Fiquei o dia todo em casa, assisti a vários canais dedicados à notícia, fora o tempo em que estive dentro do carro ouvindo CBN e os grandes sites de notícia que ficam constantemente abertos em meu computador. Em nenhum desses meios nada  foi falado sobre o projeto, dedicado à juventude, principalmente na Globo News e no G1, foi falado somente sobre as insanidades das adolescentes apaixonadas pelo Justin Bieber, que está no Brasil, e suas músicas inócuas e com prazo de validade. Nem mesmo para dizer que com o novo estatuto aquela gente ensandecida teria direito a meia entrada para o evento. 

A imprensa é importante, porém devemos ser realistas, a grande imprensa está longe de ser honesta e preocupada com os interesses sociais. Na verdade a grande imprensa nada mais é do que empresas privadas que vê na produção e circulação de notícias uma maneira de obter lucro, ou alguém acredita que o Jornal Nacional estaria no ar se a Globo não tivesse retorno financeiro com isso? Aliás, foi justamente por não ver oportunidade de lucro compatível com seus interesses que Sílvio Santos extinguiu durante alguns anos os programas jornalísticos do SBT e é por lucro que o homem o Baú muda o horário dos jornalísticos em detrimento dos programas com maior audiência. 

Além do mais, a grande imprensa tem outros interesses que extrapolam os financeiros simplesmente. Existe interesses políticos, ideológicos, entre outros, como as notícias frequentes da Record sobre os casos de pedofilia e outros escândalos na Igreja Católica a despeito dos que envolvem outras denominações como a qual ela pertence, o seu boicote à notícias que  falam dos assédios que os LGBT's sofrem e da sua mobilização para reverter a situação. De maneira geral, tudo é vendido pela grande imprensa na santa aura de interesse social ameaçado de censura e de autoritarismo por iniciativas governamentais para criar regulamentação para coisas que já possuem os países cujas liberdades, a democracia e as instituições são mais sérias e estáveis do que as de nosso país. 

A grande imprensa não é isenta e independente, muito menos boazinha. É conservadora, alienadora, enfadonha, manipuladora e sensacionalista. Transformam os professores grevistas em vilões do problema da Educação, assim como qualquer trabalhador grevista que reivindica melhorias. Distorcem e não esclarecem que os LGBT's querem equiparação de direitos e não mais direitos que os demais. Não debatem, não esclarecem sobre quais são os argumentos de quem é favorável a legalização do aborto ou dos narcóticos. Em suas análises econômicas afogam o Brasil e defendem a geração de emprego, para chineses. Os exemplos são muitos, infindáveis talvez, e ainda por cima querem auto regulamentação do setor, como se convidássemos as raposas para definir como será a proteção do galinheiro.

sábado, 2 de outubro de 2010

Revendo os conceitos sobre Marina Silva

Ontem o meu amigo me enviou via Twitter um link para uma entrevista que a Marina Silva deu ao Portal Mix Brasil. Precisei rever meus conceitos sobre a candidata por quem até então eu tinha anti-patia. Marina Silva foi clara e objetiva e disse que terá compromisso com as minorias e com um Estado laico. Em outras palavras, a presidenciável disse que é favorável entre muitas até mesmo ao direito dos homossexuais adotarem criança, simplesmente porque para ela a prioridade é a criança e tirá-la do abandono, e favorável às cirurgias de mudança de sexo. Disse também que não é favorável ao Governo financiar a parada gay, eu também não sou.

O que levou o amigo a enviar o link foi o debate que tivemos no Twitter, logo após o debate presidencial, sobre Marina Silva e Dilma Rousseff. Eu tinha até então, como eu disse, anti-patia pela Marina Silva em virtude da interpretação a respeito das idéias dela em relação às pessoas LGBT'S dadas em maio/junho, que até comentei aqui e muito empolgado diga-se de passagem achando que ela estava sendo necessariamente, por assim dizer, gay friendly.

Bem, nas declarações de maio/junho me incomodou Marina Silva dizer que era favorável a união civil de bens apenas, mas contrária ao casamento por achá-lo um sacramento religioso para homens e mulheres, apesar que no Brasil existe o casamento civil sem vínculo algum com as concepções religiosas que é o que a minha utopia, o Estado laico, deve possuir. Me incomodou também ela dar como sugestão para decidir sobre as questões do público LGBT, que ela demonstrou não conhecer assim tão a fundo naquela ocasião, um plebiscito a exemplo de outros temas como legalização de narcóticos e aborto. Me incomodou porque não se faz plebiscito para que o todo de uma sociedade decida os direitos de uma minoria, que além de ser minoria, é no mínimo não compreendida por essa sociedade.

Criei minha anti-patia por Marina Silva e passei achar ignorância, ingenuidade ou insensibilidade ver homossexuais, como esse amigo que me enviou o link, declarar voto na Marina Silva. Felizmente eu estava errado a respeito dela, que foi a única entre os três primeiros colocados a conceder entrevista para um portal LGBT para falar sobre o devido tema e dar respostas sobre tema de maneira clara e que concorda com o que esse público tanto quer. Declaradamente pró LGBT nessas eleições tivemos apenas o Plínio Arruda/PSOL. Existe também o PSTU e o PCB, mas equivocados ao meu por colocarem questões como homofobia e racismo como problemas causados pelo capitalismo, coisa que me pareceu no mínimo tendenciosa e acima de tudo, mentirosa, veja Cuba.

Estou encantando com Marina Silva e decepcionado com a Dilma Rousseff, que continua sendo a minha candidata. Decepcionado com a Dilma Rousseff em virtude de sua alienação aos grupos religiosos, isto é, ela assinou compromissos e escreveu cartas ao "povo de Deus" se comprometendo a não tomar iniciativa sobre assuntos considerados tabus, deixando ao critério do Congresso. Me irrita porque o PT vem se prostituindo, como os cristãos gostam de falar e classificar tudo, mas se prostituindo com os próprios cristãos e outras porcariínhas como o PMDB.

O que me leva a continuar meu voto na Dilma Rousseff são os seguintes fatores. Primeiro, eu não voto na pessoa e sim no partido e no programa que ele propõe, nesse critério o PT tem um longo histórico com minorias como LGBT's, as vezes dá umas pisadas de bola é verdade e faz menos do que poderia, mas que ele tem esse compromisso e pessoas ligadas a essas causas não é possível negar.

Segundo, não gosto e não confio no PSDB, porque eu tenho como principio votar contra esse partido que é onde certamente onde está a maior parte das pessoas que são contrárias aos LGBT's por motivos diversos ou que simplesmente acham o assunto uma questão menor. Não que o PSDB ou alguém de lá não vá fazer algo pelo público LGBT, mas essas possibilidades são bem menores se comparadas aos partidos ligados aos movimentos sociais.

Terceiro porque um eventual governo de Marina Silva não vai conseguir governar sem alianças políticas e certamente vai precisar de alianças com partidos como o PSDB, que não só não está muito preocupado com os LGBT's - coisas que aliados do PT como PRB e PP também não estão - mas tem outros principios econômicos, sociais e afins que é o principal motivo de minha aversão aos tucanos.

Bem, é isso, mas antes de encerrar preciso ponderar que eu gosto de escrever sobre política, mas sempre que escrevo sobre o tema já imagino uma pessoa em especial que vai comentar aqui. Ela sempre comenta quando escrevo sobre política e apenas sobre isso. Os seus comentários sempre confrontam como que eu penso, o que torna complicado ter alguma simpatia por ela. A pessoa acha que o que me incomoda é alguma inabilidade que eu tenho para receber críticas ou lidar com quem pensa diferente. Mas o problema não é esse, porque se fosse eu teria para com as outras pessoas que pensam diferente de mim a mesma indisposição que tenho para com essa pessoa em questão. Bem, eu não tenho e o Twitter foi um exemplo disso onde eu debati sem me alterar com o amigo marineiro.

É bem suspeito eu falar e isso porque nem tenho porque escrever já que o que ponho aqui é para os outros lerem e comentarem, mesmo quando discordarem de mim. Acontece que eu acho que a pessoa em questão, que vai saber que o recado é para ela, precisa saber o que eu penso já que quando vem comentar noto não só um jeito irritante, mas muitas expectativas que ela faz ao meu respeito que não condizem com a verdade.

Pois então meu caro, o problema não está comigo, mas no jeito que você tem para colocar suas opiniões. Já que você acha que a autocrítica é importante e faz bem, comece por você e procure se avaliar para quem sabe assim você notar em você tem um jeito pedante de se comunicar, no qual você coloca sua opinião como a única verdadeira e coloca as pessoas como menos preparadas para emitir a opinião delas, tomando em muitos casos concepções que não só são suas, mas que você acha que as pessoas têm necessariamente. Ah! Por fim, não adianta mudar de nome quando comentar aqui, preciso ser muito tapado para não perceber que é você quem escreve.

Aos demais... peixos, me liga.