Mostrando postagens com marcador Dilma Rousseff. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilma Rousseff. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de outubro de 2010

Revendo os conceitos sobre Marina Silva

Ontem o meu amigo me enviou via Twitter um link para uma entrevista que a Marina Silva deu ao Portal Mix Brasil. Precisei rever meus conceitos sobre a candidata por quem até então eu tinha anti-patia. Marina Silva foi clara e objetiva e disse que terá compromisso com as minorias e com um Estado laico. Em outras palavras, a presidenciável disse que é favorável entre muitas até mesmo ao direito dos homossexuais adotarem criança, simplesmente porque para ela a prioridade é a criança e tirá-la do abandono, e favorável às cirurgias de mudança de sexo. Disse também que não é favorável ao Governo financiar a parada gay, eu também não sou.

O que levou o amigo a enviar o link foi o debate que tivemos no Twitter, logo após o debate presidencial, sobre Marina Silva e Dilma Rousseff. Eu tinha até então, como eu disse, anti-patia pela Marina Silva em virtude da interpretação a respeito das idéias dela em relação às pessoas LGBT'S dadas em maio/junho, que até comentei aqui e muito empolgado diga-se de passagem achando que ela estava sendo necessariamente, por assim dizer, gay friendly.

Bem, nas declarações de maio/junho me incomodou Marina Silva dizer que era favorável a união civil de bens apenas, mas contrária ao casamento por achá-lo um sacramento religioso para homens e mulheres, apesar que no Brasil existe o casamento civil sem vínculo algum com as concepções religiosas que é o que a minha utopia, o Estado laico, deve possuir. Me incomodou também ela dar como sugestão para decidir sobre as questões do público LGBT, que ela demonstrou não conhecer assim tão a fundo naquela ocasião, um plebiscito a exemplo de outros temas como legalização de narcóticos e aborto. Me incomodou porque não se faz plebiscito para que o todo de uma sociedade decida os direitos de uma minoria, que além de ser minoria, é no mínimo não compreendida por essa sociedade.

Criei minha anti-patia por Marina Silva e passei achar ignorância, ingenuidade ou insensibilidade ver homossexuais, como esse amigo que me enviou o link, declarar voto na Marina Silva. Felizmente eu estava errado a respeito dela, que foi a única entre os três primeiros colocados a conceder entrevista para um portal LGBT para falar sobre o devido tema e dar respostas sobre tema de maneira clara e que concorda com o que esse público tanto quer. Declaradamente pró LGBT nessas eleições tivemos apenas o Plínio Arruda/PSOL. Existe também o PSTU e o PCB, mas equivocados ao meu por colocarem questões como homofobia e racismo como problemas causados pelo capitalismo, coisa que me pareceu no mínimo tendenciosa e acima de tudo, mentirosa, veja Cuba.

Estou encantando com Marina Silva e decepcionado com a Dilma Rousseff, que continua sendo a minha candidata. Decepcionado com a Dilma Rousseff em virtude de sua alienação aos grupos religiosos, isto é, ela assinou compromissos e escreveu cartas ao "povo de Deus" se comprometendo a não tomar iniciativa sobre assuntos considerados tabus, deixando ao critério do Congresso. Me irrita porque o PT vem se prostituindo, como os cristãos gostam de falar e classificar tudo, mas se prostituindo com os próprios cristãos e outras porcariínhas como o PMDB.

O que me leva a continuar meu voto na Dilma Rousseff são os seguintes fatores. Primeiro, eu não voto na pessoa e sim no partido e no programa que ele propõe, nesse critério o PT tem um longo histórico com minorias como LGBT's, as vezes dá umas pisadas de bola é verdade e faz menos do que poderia, mas que ele tem esse compromisso e pessoas ligadas a essas causas não é possível negar.

Segundo, não gosto e não confio no PSDB, porque eu tenho como principio votar contra esse partido que é onde certamente onde está a maior parte das pessoas que são contrárias aos LGBT's por motivos diversos ou que simplesmente acham o assunto uma questão menor. Não que o PSDB ou alguém de lá não vá fazer algo pelo público LGBT, mas essas possibilidades são bem menores se comparadas aos partidos ligados aos movimentos sociais.

Terceiro porque um eventual governo de Marina Silva não vai conseguir governar sem alianças políticas e certamente vai precisar de alianças com partidos como o PSDB, que não só não está muito preocupado com os LGBT's - coisas que aliados do PT como PRB e PP também não estão - mas tem outros principios econômicos, sociais e afins que é o principal motivo de minha aversão aos tucanos.

Bem, é isso, mas antes de encerrar preciso ponderar que eu gosto de escrever sobre política, mas sempre que escrevo sobre o tema já imagino uma pessoa em especial que vai comentar aqui. Ela sempre comenta quando escrevo sobre política e apenas sobre isso. Os seus comentários sempre confrontam como que eu penso, o que torna complicado ter alguma simpatia por ela. A pessoa acha que o que me incomoda é alguma inabilidade que eu tenho para receber críticas ou lidar com quem pensa diferente. Mas o problema não é esse, porque se fosse eu teria para com as outras pessoas que pensam diferente de mim a mesma indisposição que tenho para com essa pessoa em questão. Bem, eu não tenho e o Twitter foi um exemplo disso onde eu debati sem me alterar com o amigo marineiro.

É bem suspeito eu falar e isso porque nem tenho porque escrever já que o que ponho aqui é para os outros lerem e comentarem, mesmo quando discordarem de mim. Acontece que eu acho que a pessoa em questão, que vai saber que o recado é para ela, precisa saber o que eu penso já que quando vem comentar noto não só um jeito irritante, mas muitas expectativas que ela faz ao meu respeito que não condizem com a verdade.

Pois então meu caro, o problema não está comigo, mas no jeito que você tem para colocar suas opiniões. Já que você acha que a autocrítica é importante e faz bem, comece por você e procure se avaliar para quem sabe assim você notar em você tem um jeito pedante de se comunicar, no qual você coloca sua opinião como a única verdadeira e coloca as pessoas como menos preparadas para emitir a opinião delas, tomando em muitos casos concepções que não só são suas, mas que você acha que as pessoas têm necessariamente. Ah! Por fim, não adianta mudar de nome quando comentar aqui, preciso ser muito tapado para não perceber que é você quem escreve.

Aos demais... peixos, me liga.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O bom cristão é contra os homossexuais.

Não me peça para ser tolerante com religiões porque não dá. No Brasil liberdade religiosa existe a qualquer custo e por causa dela muitas pessoas são prejudicadas, mesmo que não tenham a ver com nada. As religiões cristãs precisam de freio, o que elas estão fazendo já é crime. Na internet circula várias mentiras que partem dos templos e retiros religiosos a respeito de diversos assuntos e pessoas, entre elas as homossexuais. Mentem, inventam, endemonizam e não é feito nada porque é liberdade religiosa. Eu questiono essa liberdade.

Essas mentiras viram vídeos, que o Papai Gay publicou uma indiganção e a Lola fez esse post criticando. Mas não comemorem, porque não vão parar. Essa semana minha amiga, muito incomodada com a minha opinião política, visível no Orkut.com, me enviou um vídeo, logo abaixo, de um pastor evangélico usando esse vídeo da postagem do Papai Gay e da Lola, para justificar porque não se deve votar no PT.

Para mim é tudo absurdo, além de inventar mentiras para incitar o ódio aos homossexuais, o amor que é o quê eles não têm por nós, ainda estão orientando as pessoas em que elas devem votar. Está certo, o pastor fala em quem não votar, mas se traduzirmos a fala dele para uma equação de lógica vamos ver que é tudo a mesma coisa.

A amiga não sabe que eu sou ateu e nem homossexual, sabe apenas que eu voto na Dilma e outros candidatos do PT, talvez se soubesse disso ela teria mais motivos para me enviar o vídeo. Como fiquei indignado passei todo começo dessa noite redigindo a longa resposta que publico abaixo.

Observação, eu sou um "petralha" sim e não me incomodo com isso. Se você acha que eu tenho que mudar de opinião leia a resposta que enviei a minha amiga até o final e veja que o quê você tem a me dizer não muda nada e só vai me causar antipatia pela seu pedantismo.

Eis o vídeo que ataca aos homossexuais:



Eis a minha resposta:

Antes de tudo quero advertir que o quê me levou a demorar nessa resposta é o fato da grande quantidade de idéias que o vídeo trata e a maneira como elas são misturadas. Por isso a reflexão é mais delongada. Também quero deixar claro que as minhas críticas, que certamente não serão em algum momento cavalheiras, são para as idéias do vídeo e das pessoas que nele aparecem e não são contra o seu caráter e a estima que tenho por você.

Vou começar com a frase que você deixou junto com o vídeo, pois a crítica que farei a ela vai orientar todas as seguintes. Então temos “A questão não é ‘meramente evangélica’, é o clamor de um povo cristão, que acredita em Deus e tem Nele seus princípios fundamentados.”

Discordo. A questão não é o povo cristão acreditar em Deus e pensar que Ele quer que as pessoas assumam certos princípios. O que é absurdo nessa afirmação é pensar que os cristãos são os únicos detentores de valores morais e éticos, são os únicos compromissados com a vida, são os únicos que conhecem a verdade e que todas as pessoas devem seguir ao que eles pensam. Agora vamos entrar nos outros assuntos que o vídeo mostra, de maneira truncada e tendenciosa diga-se de passagem.

A PEDOFILIA – O que é bem certo é que a nossa opinião a respeito da pedofilia é rasa. O jornalismo a que temos acesso trata o assunto de maneira superficial ou usando frases de efeito, mas não esclarece o que de fato é pedofilia. Às vezes aparece um “especialista cristão”, mas o quê ele diz não é confiável já que ele mistura os seus valores religiosos com os conhecimentos científicos, em geral para validar os primeiros. Por causa disso vem se instituindo um patrulhismo ideológico no Brasil onde, dada a nossa ignorância, qualquer coisa se torna pedofilia ou apologia a ela, mesmo que não seja. Não deixo dúvida que a pedofilia é um problema a ser resolvido. Mas para pensar sobre esse problema e resolvê-lo é necessário conhecer o quê ele é e calcular os efeitos das medidas tomadas. Usar as frases de efeito das 18h00min na Band e os clamores em templos não são os melhores métodos de resolver o problema.

O DIVÓRCIO – Aqui a questão também tem a ver com os cristãos imaginarem que são os únicos dotados senso ético e moral e que todos devem agir como eles pensam. No caso do Brasil existem pessoas pensando de maneira diferente a respeito de vários assuntos entre eles o casamento. Por causa dessa diferença, muitas dessas pessoas se casam apenas no civil ou tem outras religiões que dão outros significados ao casamento. Os cristãos podem não concordar, mas não podem tirar o direito dos outros pensarem como pensam. Se os cristãos são contra o divórcio, então que não se divorciem.

O ABORTO – Esse também é outro caso em que os cristãos ignoram as concepções discordantes e trata o próprio pensamento como o único válido. O que agrava a discussão sobre o aborto é que ela envolve também aspectos filosóficos, científicos, antropológicos e sociais cujas concepções cristãs não levam em consideração ou não apresentam solução sem que essa solução signifique acreditar no mesmo que os cristãos. Se os cristãos são contra o aborto por motivos religiosos, então que não o façam. Agora se acreditam que o aborto é assassinato, que o feto está vivo e é inocente, provem com fatos técnicos e científicos, dêem uma solução às mulheres grávidas que não poderão abortar e à criação dos filhos que terão. O Estado brasileiro é laico e não pode tomar como pressuposto de suas leis e políticas as doutrinas religiosas de um grupo, mesmo que ele seja maioria.

O INFANTICÍDIO – O aborto é diferente dos rituais de alguns povos indígenas para com as crianças gêmeas ou portadoras de necessidade especiais. Não é ético o vídeo colocá-los como coisas iguais assim também como não é ético generalizar todos os povos indígenas. Com relação ao infanticídio, também sou contrário a ele. Uma solução para o problema não é algo que podemos fazer já que não entendemos a fundo o que acontece. Sei que as crianças devem ter suas vidas protegidas, inclusive pelo Estado, instituição que acredito que deve ser feita pelas pessoas para defender os interesses das pessoas.

A PORNOGRAFIA – Esse, pausa, também é um caso em que os cristãos pensam que todos devem ter a opinião moral que possuem, nesse caso em relação ao corpo, ao sexo e aos prazeres para ser mais exato. Nem todas as pessoas têm essa opinião e não é por causa disso é que elas vão deixar suas pornografias para lá, uma vez que o consumo disso deve ser do livre arbítrio e acordo das pessoas envolvidas. Todavia os cristãos não são obrigados a apreciarem conteúdo pornográfico se acham isso incorreto. Então nesse caso não só acho justo, como necessário que se faça censura etária para locais abertos ao público, para os produtos culturais, entre outras coisas, que contenha pornografia. Só que não podemos proibi-la porque algumas pessoas acham errado, de acordo com as concepções religiosas ainda por cima.

A FAMÍLIA – Existem vários modelos de família. No entanto o vídeo trata como o único modelo viável o modelo cristão, pais casados e com filhos. Não vejo nada de mal nesse, até mesmo porque fui criado em uma família assim e muito dos valores que carrego comigo e que julgo bons eu aprendi nele. Todavia é absurdo considerar que este seja o único modelo de família existente ou que só ele deve existir, que nos outros modelos de família, como o com pais separados, haverá, como eu já ouvi dizer, pessoas inescrupulosas e sem amor ao próximo por exemplo. Essas conclusões a respeito das pessoas não são possíveis, estamos tratando do fator humano onde determinismos são perigosos. Além disso, se o modelo de família cristã fosse perfeito, não haveria dentro desse mesmo modelo casos de agressão familiar, de pessoas viciadas em drogas, entre outras coisas prejudiciais.

A AGRESSÃO FAMILIAR – Eu concordo com o vídeo, isso é um problema, não porque ele destrói a família, cristã, mas porque ele destrói as pessoas e é com elas que eu me preocupo. Família é valorizada para servir as pessoas e não contrário. As soluções para esses problemas são muitas, no entanto freqüentar a Igreja não deve ser uma política incentivada pelo Estado, pois esse é, ou deve ser, uma instituição laica e por causa disso não deve favorecer a uma religião ou a um grupo delas.

A HOMOSSEXUALIDADE – O que os homossexuais querem são direitos e políticas públicas que contemplem suas peculiaridades e porque outros seguimentos da sociedade possuem e ou podem requisitar. Os cristãos podem não achar os homossexuais corretos do ponto de vista de Deus – o que também é questionado inclusive entre os próprios cristãos e é neles que acredito mais – mas não podem impedi-los de viverem suas vidas. Com relação ao PLC 122/06, chamá-lo de lei da Mordaça Gay é apenas um extremismo, pois em nome da liberdade religiosa e do que alguns acreditam ser correto, os cristãos usam rádio e televisão, outdoors, publicam material fazendo afirmações a respeito dos homossexuais que são preconceituosas e que prejudicam a eles. Os homossexuais não são contra os cristãos, apesar de que é difícil ter simpatia por muitos deles levando em conta o quê falam, e na maioria dos casos também se consideram cristãos. O que os homossexuais querem é que a liberdade religiosa seja limitada, e não suprimida, pela liberdade deles serem respeitados enquanto pessoa.

De modo geral o que eu posso concluir é que as pessoas que produziram esse vídeo não são éticas. O que elas fazem é um material com mensagens truncadas, com meias verdades e mentiras para confundir as pessoas. As pessoas por outro lado não são pobres coitadas e enganadas. É obrigação de todo mundo verificar os dois lados da moeda, verificar todas as opiniões em relação a um mesmo assunto e não tomar conceitos pré-concebidos. Além disso, é visível que estão se recusam a dialogar com as outras opiniões. Se dialogassem o máximo que fariam era não concordar com esses assuntos, mas não satanizar as pessoas que defendem o casamento homossexual ou o aborto, o quê só comprova o fundamentalismo que tira a propriedade dos cristãos para criticarem o que se é apresentado de outras religiões, como a muçulmana, e que achamos absurdo e ditatorial.

Como sempre na história utilizam o nome de Deus para conduzir a grande massa e assim ser feito o que os líderes religiosos querem. Esse pastor e os que pensam como ele é na verdade adepto do voto de cabresto. Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar do Partido dos Trabalhadores, mas a forma como eles estabelecem a crítica a ele é suja. Utiliza o quê as pessoas acreditam como sagrado e inegavelmente têm medo, Deus, para acusar o PT por coisas ou que ele não defende, ou que ele defende dando uma justificativa que uma parcela dos cristãos se recusa a conhecer ou considerar.

Bem, novamente venho frisar que minhas críticas são às idéias de quem produziu o vídeo quer passar e posso dizer até mais nesse momento, questionar a índole dessas pessoas. Mas também quero frisar que não tenho sentimento de ira alguma por você ou por sua boa intenção, mesmo que minhas palavras pareçam irritadiças.

Por fim quero deixar claro a você, minha amiga, que eu respeito a sua antipatia pelo PT e pela Dilma Rousseff porque acho que você tem esse direito e têm seus motivos. Em função dessas duas premissas não envio emails e afins para você mudar de opinião. No entanto deixo claro para você que me incomoda a sua “militância” para que eu mude de opinião e quero deixar claro que eu vejo e leio jornais e revistas, que tenho acesso às mesmas informações que você, como os emails que me envia, mas se eu confiasse nelas, no que elas dizem e ou se eu tivesse as mesmas “diretrizes” religiosas que você possui, eu pensaria no mínimo diferente. No entanto não, eu não penso como você a respeito desses assuntos e tenho meus motivos para isso, por isso eu voto na Dilma Rousseff e nos candidatos do PT.

Desde já tenha um bom final de semana e até a próxima, que espero não ser para colocar notícia de jornal para provar que o email é mentiroso.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Presidenciáveis e seus lápis coloridos (ou não)

Ultimamente uma cobrança maior tem ocorrido em cima de Marina Silva, querem dela um posicionamento a respeito de temas polemicos que esbarram nas concepções religiosas dela e de eleitorados muitos significativos, o religioso, o conservador, o que segue sofismos e frases feitas e de efeitos, o que é um pouco de cada dos anteriores. Eleitorados que certamente boa parte irá com Marina. De certa maneira acho injusto exigir apenas de Marina Silva um posicionamento. Vejo que é necessário cobrar de forma aberta um posicionamento de todos presidenciáveis, desde os mais “incipientes” até a Dilma e o Serra, que são os mais citados.

Bem, Dilma Rousseff é pró cidadania LGBT, que há quem diz que seja vitimismo por parte de nós. Históricamente é o partido dela um dos que tem apresentado projetos e feito políticas nas diferentes esferas do poder e da administração favoráveis a esse grupo da população. No Governo Lula houve avanços, talvez não os suficientes, mas eu não deixo de considerá-los avanços cujo Governo mostrou compromentimento para realizar. Como Dilma Rousseff se apresenta como candidata da continuidade, tenho a noção de que os avanços continuem e até caminhem mais rápido.

José Serra também tem se afirmado favorável as políticas que contemplem a população LGBT, mas ele não me convence. O seu partido, o PSDB, e o histórico aliado, o Democratas, abarca muita gente reacionária, tanto é que boa parte dos defensores da “Família” e contrários a Ditadura Gay, que é como os conservadores chamam as evoluções buscadas pelos LGBT’s, estão nesses partidos. Além disso, esses dois partidos ignoram movimentos sociais, inclusive o LGBT', que embora tenha muitos equívocos, sabem melhor do que os heterossexuais, o que precisamos.

Marina Silva como eu disse no primeiro parágrafo, é a mais cobrada. Acho que por estar em um partido com um viés progressista e ao mesmo tempo ser de uma religião cujos fundamentos rejeitam os homossexuais enxergando inclusive como inimigos. Bem, declaradamente eles não dizem isso é claro, mas bem quisto pela  Assembleia de Deus, por Silas Malafaia e que não somos.

Existem outros candidatos, não tão fortes como José Maria Eymael, ex seminarista se não me falha a memória, católico daqueles integralistas, estilo TFP e com ele definitivamente não dá para contar. Existe também Plínio Arruda, José Maria do PSTU, candidatos que até onde sei não são conservadores. Não conheço e talvez até sejam favoráveis aos LGBT’s, mas certeza não tenho. Devem estar mais preocupado em falar do inferno do fogo capitalista, mas nem só de ultramaterialismo histórico dialético vive os LGBT’s.

Existem outros cadidatos, que sequer sei o nome. Tenho preguiça de pesquisar sobre eles, nesses tempos que internet deixa a informação tão acessível. Quando o período eleitoral avançar falo ou não melhor sobre eles.

 

P.S.: Seguro morreu de velho, então caso apareça um desavisado por aqui dizendo que eu não sou imparcial, já deixo o aviso, eu tenho candidato sim, chama Dilma Rousseff, e não gosto nada do José Serra.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sobre Marina Silva

Eu gosto de Marina Silva e apesar de minha preferência por Dilma Rousseff, gostei dela ter saído como pré candidata à Presidência da República. Admiro muitas coisas nela, a biografia, sendo ela uma das poucas pessoas públicas “que subiram na vida” e que não me causa medo. Admiro sua formação universitária, História, e sua atuação, durante alguns anos, profissional, professora do Ensino Básico.

Tenho a noção de que no governo ela fez menos do que quis fazere o que ela quis fazer foi o ponderado. Talvez por isso achei tão importante seu anceio por se tornar presidente, aja vista que penso no meio ambiente como algo importante para o “futuro do país” tanto quanto o crescimento da economia e a distribuição de renda que o Governo Lula tanto diz fazer, mas sem dar a devida proporção as causas ambientais. É como diz o ditado: quem não dá assistência, abre concorrência.

Mas dependendo do que Marina Silva disser, mesmo que ela não se eleja e mesmo que eu goste de Dilma Rousseff, talvez ele diga coisas que eu julgue fazer com ela mereça o voto meu. Contudo, Marina Silva me causava um receio até o dia de hoje porque eu não sabia qual seu posicionamento a respeito dos homossexuais. Ela tweetou e fui ao seu site ler o que a senadora pensa politicamente a respeito dos LGBT’s.

Fiquei feliz e não me surpreendi. O que li no site oficial de Marina foi algo que eu esperava, mas não tinha a confirmação. Marina Silva, apesar de evangélica e da mesma igreja do reacionário Silas Malafaia, Assembléia de Deus, é favorável aos direitos das pessoas LGBT’s. Reconhece que os movimentos sociais, que tem muita gente contra porque não querem as mudanças que eles propõem, são importantes e fazem parte de sua biografia. Reconhece que não existe democracia cerceando às minorias o acesso à liberdade e à igualdade.

Marina Silva é sim uma pessoa diplomática, mas não é diplomática meramento por questão política e por ser orientada por um marqueteiro, mas sim porque acredita no poder da cordialidade para instituir o respeito e a cultura de paz entre as pessoas. Isso é visível a todo momento em suas falas, inclusive quando saiu do PT e teve tudo para ele criticar, mas preferiu elogiá-lo.

Enfim, durmo feliz por finalmente saber o posicionamento de Marina Silva a respeito de minhas demandas e por esse posicionamento ser exatamente o que eu quero de nossos políticos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre esse blog

Quando eu criei esse blog, em 2007, eu tinha 18 anos. Na época eu escrevia bem menos, e acho que pior, do que escrevo hoje. O que queria na blogosfera, e ainda com o título Sempre Avante no Nada Infinito, era falar da minha sexualidade ainda não tão resolvida como pode ser hoje.

Sempre soube que eu era homossexual e lá por volta dos 18 anos, numa viagem para o interior de São Paulo, no marasmo que trazia o banco traseiro do carro em uma rodovia entre Uberlândia e Uberaba, eu resolvi finalmente ser homossexual. Sei lá como, eu tinha mais dúvidas do que certezas.

Os 18 anos foram por assim dizer, o ano da mudança para mim. Agora de um dia para o outro eu sou adulto e em algumas semanas vou fazer o que sempre quis, dirigir. Agora eu me revolto com a obrigação de ter que me alistar ciae se definido fosse, servir ao Exército, o que me faz saber que eu sou dono do meu próprio nariz, mas não do meu único corpo. Além disso, entro na Universidade que é um mundo em que não só o cheiro do ar é diferente, por causa do laboratório de anatomia humana e da grama, mas também a forma de falar, explicar e acreditar no mundo. Agora eu decidi que não vou ser o que eu passei a minha vida toda querendo me tornar, heterossexual, porque eu nunca fui. Agora estou realmente incorporando e entendendo os que foi falado naqueles 18 meses de terapia.

Então criei, depois de uns dois meses, esse blog aqui. Tentei sintetizar tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Quis falar de mim mesmo, da minha sexualidade, das minhas consciências ou o que hoje acho simplesmente ingenuidade minha naquela época e o que morro de medo de saber no futuro que o atual também possa ser. Certo era que eu queria acertar e colocar através das palavras o que eu estava sentindo e o que idealizo.

Creio que nunca tive sucesso com isso. Creio que nunca consegui porque o que eu escrevo é muito idealizado. Me perco muito escrevendo, abro muitos parênteses, sou repetitivo e acho que explico muito. Idealizo inclusive a forma como vocês vão ler e receber isso. Ou em outras palavras, me antecipo aos leitores.

Hoje dá mais prazer escrever porque sei que tem mais gente para ler e saber que sou lido. Isso satisfaz o desejo implícito de ser ouvido. Mas gosto do que escrevi no passado, do jeito errante, apesar de que me indago como pude escrever algumas coisas. Também fico contente por saber, que embora eu escreva o mesmo parágrafo inúmeras vezes, que embora eu demore uma hora para escrever coisas de se ler em três minutos, em mais linhas do que o necessário, eu sou idealista e tenho minhas utopias, se é que devo tratar o que pretendo alcançar como utopias.

Mas se bem que esse blog existe é por causa disso mesmo, ser ouvido. E ser ouvido não é só a consciência de saber que alguém vai ler e meia dúzia de gatos pingados, apesar que o Gato de Cheshire aparece pouco por aqui de tempos para cá, vá comentar, créditos ao Paulo Braccini por ser quem mais me prestigia com os seus comentários. Ser ouvido, e logo o que quero aqui, é ser saber que alguém entendeu o que quis dizer, que mesmo que não concorde comigo, o que eu tenho dito vai fazer pelo menos alguma diferença, mesmo que seja para dar mais convicção, a alguém que pense diferente de mim.

Então é por causa disso que escrevo e delongadamente contra a religião, contra Deus, contra o pastor Silas Malafaia, a favor dos direitos civis, a favor da Dilma e do PT e porque acho que homossexual não deve votar em partido de quem é contra PLC 122. E por isso que as vezes escrevo aqui, eu acho que nem eu entendi realmente o que eu falei. Sabe, é que eu sou ruim com ensaio. Da preguiça escrever o mesmo texto duas vezes.

Bem, vou continuar escrevendo aqui por causa de tudo isso que eu acredito, pelos mesmos motivos de quando escrevi no passado, embora agora tenha mais coisa diferente e eu saiba muito de quando comecei isso aqui. Algumas vezes escrevo com esses títulos parecidos, apenas parecidos, com texto de filosofia porque acho bonito se parecer Cult e filosofia é Cult.

É, não é cair em parafuso e nem crescimento em espiral. Em parafuso horizontal significa para mim, ir para algum lugar, que pelo visto nem eu sei o que é e onde fica.

P.S.: Agora sim eu fui metablogueiro.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sobre política

Esse 2010 é ano de eleições e vou entrar no mérito político hoje. Se você é de direita, vota no PSDB, tem saudades de FHC e lê Veja, não leia.

Eu gosto do Governo Lula e quero que ele faça um sucessor. Não acredito na boa vontade de quem diz que deve haver alternância de poder. Acredito que em time que está ganhando não se mexe e com o governo Lula eu acho que estamos ganhando, não só na economia como quer a grande imprensa convencer.

Se os que acreditam em alternância de poder acreditasse nos benefícios dela, não estariam governando a 16 anos São Paulo ou a 12 o meu estado goiano. Na verdade é apenas quem está de fora querendo entrar para pegar a galinha dos ovos de ouro e assim voltarmos ao passado, que é o que essas pessoas para mim representam.

Entre várias coisas no governo Lula, existe uma que vejo como muito positiva para eu que sou homossexual, o acesso que os movimentos sociais tiveram ao governo. Exemplo disso são as secretarias especiais, criadas no começo da primeira gestão ainda, como a da Promoção da Igualdade Social, Mulheres e dos Direitos Humanos, onde nós homossexuais entramos.

Com isso muitas coisas tem acontecido para as minorias e que são certamente avanços. Uma das coisas que me faz acreditar nesse avanço é a propaganda do Governo Federal cujos protagonistas são um casal de homossexuais:

Achei a propaganda ótima, ainda mais porque ela não é estigmatizando e nem cria um esteriotipo, aliás, vai numa direção contrária a isso. Dois rapazes, não efeminados e discretos, coisa que a maioria da socieade não imagina que os homossexuais também pode ser, indo fazer algo que aparentemente é sexo casual, o que muitos homossexuais, entre eles os do armário, fazem muito.

Para muitas pessoas a propaganda, bem como os simbolos presentes nela, passa despercebida. Porém essa propaganda é o fruto do que os movimentos sociais tem conseguido fazer no Governo Federal, colocar no Estado políticas públicas, inclusive a publicidade, direcionada aos homossexuais, que é um dos grupos que mais se contaminam por HIV e já não bastando a sexualidade, ainda sofrem preconceito por isso.

Para muitas pessoas também, esse acesso dos movimentos sociais ao Estado e na decisão de políticas públicas no governo Lula não significa nada, mesmo que concordem que seja importante. Porém é no governo Lula e em partidos como o PT, que tem sim seus problemas, que essas discussões, bem como propostas e ações, entram.

Em outros partidos, como o PSDB e o DEM, não se vê candidatos com essa plataforma, raramente aliás. E não que seja uma política, um diretriz do partido, mas é sabido, que os reacionários, que vetam os direitos dos homossexuais, como a PLC 122 que apelidaram-na de lei da mordaça gay, estão em partidos como esse.

No PT e em outros partidos da base aliada, vê-se um posicionamento do partido a respeito de causas controversas como os direitos civis e outas políticas públicas que contemplem os homossexuais. Tudo bem que outros partidos não se posicionem contra, mas quando eles não têm um posicionamento e ainda por cima permitem que se tenha gente contrária ao que vejo como fundamental a mim, não posso acreditar neles nesse aspecto.

Bem, é isso.