terça-feira, 29 de junho de 2010

Well, o problema social

Odeio quando as coisas fodem.

Desde muito cedo eu quis trabalhar, eu achava um máximo ter o próprio dinheiro para comprar as próprias roupas . Me escrevi num programa do Governo Estadual que emprega menores de idade a partir dos 16 anos em órgãos do Estado para fazer burocracias do tipo atender telefone, atender o público, buscar café, digitar coisas, levar processo para lá, trazer processo para cá, inventar prazo para as pessoas chatas que ligassem, falar mal da vida dos outros enquanto trabalha, pagar de hetero e dar em cima das outras meninas do programa de emprego, buscar café para os aspones e pagar conta na lotérica para a funcionária folgada. Tudo bem, eu fazia coisas que excediam minha responsabilidade, emitir empenho e ordem de pagamento por exemplo, mas eu gostava daquilo.

Passei no vestibular para estudar na Universidade Federal de Goiás saindo do Ensino Médio e caindo no superior com sendo uma promessa de nova geração de professores que garantirão o futuro do país ao educar as crianças. O curso de Geografia foi legal, mudou muita coisa na cabeça do Well, pena que a faculdade ao invés de aumentar os laços sociais do Well acabou diminuindo-os. Bem, ninguém mandou o Well ficar ateu e deixar de ir a Igreja, ao grupo de jovens, aos retiros e deixar de saber das festinhas na casa de alguém lá da paróquia.

Como entrei na Universidade com 17 anos só fui mandado embora do meu emprego lá no dia do meu aniversário, porque maiores de idade não podem participar do projeto. Mesmo assim foi legal, pois além de experimentar a possibilidade ser socioeconomicamente ativo, experimentei a possibilidade de também ser um estudante universitário nesse mesmo tempo. No entanto, o ex governador do Estado, que chamou de tempo novo a política velha a qual deu sequência, quebrou os cofres do estado e lá vai por água abaixo o tão prometido estágio concedido pelo chefe ali naquele órgão.

Agora o Well é um universitário, aprendendo que existe outra forma de entender e explicar o mundo diferentes das utilizadas pelo Datena, pelos missionários bitolados da Renovação Carismática Católica, e das dos tiozinhos do boteco que tem opinião para tudo, até sobre o que não sabem. Pena que o Well é um desempregado, e lá vai ele se candidatando a bolsas de estágio da Universidade, mas essencialmente procurar emprego na iniciativa privada.

A iniciativa privada nunca agradou o Well, que sempre teve um viés materialista histórico-dialético. O Well cansou de entregar curriculos, de falar sobre ele mesmo, de dizer coisas que ele mais odeia nele mesmo, de coisas que ele mais gosta nele mesmo, de fazer dinâmica de grupo, de se mostrar com iniciativa, diplomacia, polidez e por aí vai, porque as empresas sempre prometeram lhe ligar e nunca ligaram.

E lá  vai o Well fazer concurso público, levar pau – e no mal sentido – em todos eles. O Well é um menino sem vida social, sem consumo, interessante de acordo com o olho de quem vê, desempregado que não passa em concursos públicos, não arruma emprego na iniciativa privada e por aí vai. Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas enfim senhoras e senhores, o Well e sua história de cortar o coração não acaba assim. O Well acredita no tempo como solucionador de tudo, pois tudo é uma fase, até a sensação de relativo vagabundo e fracassado mediocre dele.

Vem o penultimo semestre da faculdade do Well, o Well continua sem vida social e se sentindo o mesmo de sempre, porém surgem novos concursos públicos. Em um o Well é um fiasco, justo no que melhor paga e fica quase na 2000ª colocação. No outro, que paga a metade, mas se trabalha menos e exige menos de escolaridade, o Well, apesar de acertar 72 pontos dos 90, fica lá 338° posição, algo não bom. Mas não é por aí Wellzinho, ainda tem aquele concurso, aquele lá! Qual?

Se o Well faz licenciatura, o Well pretende trabalhar como??? Isso! Professor! E lá vai o Well prestar concurso para ser professor da Secretaria Estadual da Educação de seu lindo estado de duplas sertanejas, tomates, soja, cana e por aí vai. Resultado, o Well passa nas primeiras colocações! Ihaa! Porém, é como diria Murphy, se tem algo que está dando certo, é porque algo vai dar errado. O problema é que o concurso é para contratação imediata e só daqueles que são professores formados, porém o Well precisa de mais seis meses na Universidade para se tornar um deles!

Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas por Deus senhores e senhores, o Well não é diferente de ninguém, o Well é normal. O Well continua o desempregado de sempre com medo de encarar outra vez aquelas psicólogas maquiadas de RH, sem vida social, se sentindo um inútil. Comovente não?

8 comentários:

Lito disse...

Não achei comovente, pra ser bem sincero achei super deprimente.
Espero que o Well não se abata com as derrotas e com os obstáculos da vida e desista dos seus sonhos.

A vida não é fácil pra ninguém senhor Well.Da mesma forma que vc passa por isso, muitos outros estão na mesma situação que vc.

é triste ver alguem tão novo desistindo antes mesmo de começar...Não faça isso.

A vitória só vai ser saborosa quando vc provar todo o amargor da luta.

Bjus.

Paulo Braccini disse...

pqp ... q coisa eim? mas não esquenta queridão ... o mundo é redondo para rodar ... amanhã sempre é um outro dia ... não tome isto como consolo ... é fato mesmo ...

bjux

;-)

Heiderscheid disse...

Nossa, pelos seus textos achava que você estava se formando em letras... ou história.
Força na peruca cara. A vida não é fácil nem na Geografia nem na Matemática, nem na Biologia, nem em nenhum outro curso (mas sabe que tenho lá minhas dúvidas à respeito da Educação Física...).

Well Bernard disse...

LITO: Não fica deprimido, o texto é só uma forma de esparecer. Confesso que dada a conjuntura da Educação no Brasil eu não estou nenhum pouco estimulado a ser professor. Porém eu não desisti, como diria a música dos Engenheiros do Hawaii, eu não vim até aqui para desistir agora. A vida continua e vou em frente.

BRACCINI: Pois é Braccini, você que acompanha o que escrevo a certo tempo deve saber do meu fascínio pelo tempo. Acho que ele resolve tudo porque dá experiência e as oportunidades para agarrar. O que não vale é ficar parado e deixar ele passar.

Heiderscheid: Menino, que nome complicado e que nem sei ao menos pronunciar.Prefiri copiar e colar. Eu acredito que a Educação, salvo raras exceções, está na UTI aqui no Brasil. No entanto sou daqueles que acreditam que é possível mudar, só não acredito que eu vá fazer milagres e não sei até onde vai minha força para tal.

Pimenta disse...

Nã,toma um banho de sal grosso e espanta esse encosto de coitado do corpo!
Ou arruma alguém para um programinha sadomasô..Apanha, goza e desencarna a vítima!
As vezes tudo dá errado para dar certo.
bjo.

Mulher Asterísco disse...

Nem comovente, nem deprimente, achei divertido...

É isso aí, Well...benvindo ao clube.
Voto da O+*: pega um emprego temporario numa escola particular, tenta mestrado e continua fazendo concursos...
E sempre avante!!!

garoto cientista disse...

Nossa, há alguns conselhos que se não fossem proferidos ...o mundo perderia um grande gênio!
Meu querido amigo, adorei seu texto, estou no 4° período de ciência da computação, estou sentado, pois estou exausto em fazer entrevistas para estágio, é sempre a mesma história, exigem uma bagagem (PARA ESTÁGIO), maturidade, discernimento, capacidade, compreensão, raciocínio, equilíbrio, que sinceramente, nem um formado tem tudo, quanto as entrevistas, dinâmicas, questionários, perguntas tolas, testes, sem comentários.
Fazendo referência ao que disse nosso colega, a vida é uma roda gigante, hoje se está em baixo precisando de ajuda ou conselho, amanhã, no topo, avante que a carruagem não pode parar. Abraços e muito sucesso.

Lobo Cinzento disse...

A vida é assim mesmo. É meio desmotivador e derrotista falar assim, mas é a verdade. Muita gente, poucas vagas em concursos, o inferno que é ser professor e trabalhar com os alunos. Desanima qualquer um.

Mas a vida não para não é?

Um beijo Well!