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quarta-feira, 27 de março de 2013

Imigrantes, não!


A próxima pérola de Brasília é a criação de uma agência para facilitar a vinda de imigrantes para o país. O Governo Federal quer trabalhadores qualificados em um país que tem uma legião de gente que é sub-alfabetizada porque educação nunca foi levada a séria por aqui. Nunca teve escola que prestasse e como número sempre foi mais importante para os proselitismos eleitorais, temos números feitos para maquiar as pessoas sub-intelectualizadas a despeito dos anos nominais de estudos. Além disso, o Brasil quer dar justamente os melhores empregos, os com as melhores rendas para as pessoas que não são daqui e que nos países delas há uma década tratava a gente feito cães vira-latas. Sem contar que temos uma legião de gente miserável e que nunca pisou em uma escola técnica ou em uma universidade porque nunca teve oportunidade, pois todas as maneiras de se chegar lá fazem do caminho excludente.
Mas ainda tem gente querendo isso, principalmente os empresários que cujo conceito de desenvolvimento nacional perpassam apenas os lucros imediatos de suas corporações. E assim vamos achar bonito, nossa ânsia de ser país rico, apesar de sermos pobre e feio, quer é isso, um monte de gringo para ver se a gente fica bonito. Ora, dona Dilma Rousseff, se a senhora quer mais mestres e doutores aumente as vagas nas universidades federais para os referidos programas de extensão. Tem muito auxiliar de serviços gerais precisando e que pode virar dotô nesse país. Só não esqueça a senhora e sua equipe de governo, bem como aquela outra a corja que fica nos estados, os governadores, que um país para se escolarizar precisa de professores e nisso seus proselitismos tem trabalhado muito bem para que tenhamos um apagão docente nas próximas décadas!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Memórias do vigésimo segundo

Resolvi que irei começar um exercício de postar neste blog uma vez por semana. Sinto falta dele e relendo o que eu escrevo concluo que é um desperdício deixar um espaço em que verbalizo sem ser interrompido o que quero falar. Por enquanto não irei me propor ler aos outros blogs, pois este é um exercício que posso começar assim que conseguir cumprir pelo menos esse aqui.

Este é o segundo post que escrevo no dia do meu aniversário, que vai acabar em menos de uma hora. Muitas coisas mudaram nestes dois anos, desde o primeiro post de aniversário, e melhorou para melhor. Muitas coisas não estão como eu queria, é verdade, mas espero que não dure muito mais.

Conforme alguns já sabem hoje estou formado, tenho emprego público, porém não gosto da área em que trabalho. Eu sabia que era ruim a vida de professor, porém não tanto degradante. Talvez nem seja, mas eu definitivamente não gosto. Pretendo mudar de área, a menos que eu consigo no futuro lecionar para adultos, que é um público que está interessado em aprender ao invés de ficar tirando com a cara do professor.

Amigos, hoje fui a pizzaria, na melhor do meu bairro, cuja dona é minha amiga. Conversa vai, conversa vem e vieram muitas lembranças da nossa adolescência. Eu formado com meu emprego público, ela casada, com o próprio negócio e com um lindinho pequerruxo. Estavam outros amigos, que cantaram parabéns para mim. Legal, fiquei com vergonha, mas eu gostei mesmo.

O assunto da felicidade, da sexualidade vem a tona e ela diz que acha que todo mundo que é gay precisa ter coragem de se assumir. Ai que bom! Ela é super de boa, eu conto e ela diz que já desconfiava. Pelo visto que está ficando passado sou eu, frequento bar gay, ouço omegahitz.com e ainda acho que existem pessoas para quem eu não preciso comprar.

Foram poucas pessoas na comemoração do aniversário, tenho arrumado novos amigos, porém ainda assim são novos. Não sei se eles viriam para uma comemoração no meio da semana até minha casa. Com medo não convidei ninguém e continuo sem saber se eles viriam.

Ainda assim tenho muito que comemorar, principalmente quando me olho no espelho, são quase dois meses e quase cinco 5 Kg a menos. Os músculos começam a ficar durinho e eu mais gostosinho. O rosto em no máximo dois meses estará diferente, mais redondo e eu poderei exibir um lindo sorriso. Comemoro isto comprando camiseta de bitch, dessas apertadinhas. Mais na frente eu coloco um transversal na orelha, no meio tempo tomo um Sol e eita Jesus maravilhoso. Vou me sensualizar na noite.

Tudo muito lindo, tudo muito bom, pena o salário e a leitura num acompanhar estas futilidades. Mas enfim, é que temos hoje, porque Paulo Braccini sempre inspira.

Só para constar hoje é o meu dia de me sentir assim:


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mas você vai ser professor (forever)?

No primeiro semestre desse ano a Secretaria da Educação de Goiás fez concurso público para contratar professores. A concorrência foi baixa, só quem está desesperado, ama a Educação ou tem um espírito de porco pode aceitar trabalhar por 40 horas e ganhar R$1314,52 + descontos (viu a ironia? "mais descontos"), que é um salário de fome para quem tem curso superior e trabalha como um professor.

A baixa concorrência ajudou a frustrar o meu projeto, o de não passar nas colocações primárias e ser convocado antes da hora, o que quer dizer, sem ter concluído a graduação. A prova, cujo nível foi muito elevado, poderia me ajudar nisso, mas o ponto de corte também foi elevado e preferi não subestimar o exame.

O concurso foi homologado e eu passei em 37° lugar - convocação imediata. A Secretaria da Fazenda - que é quem contribuí com a burocratização estatal e permite a da Educação contratar - me enviou uma carta me parabenizando pelo feito - gente falsa é outra coisa - e assim foi publicada a 2ª chamada na qual constou meu nome lá no Diário Oficial.

Bem, liguei hoje em um monte de órgãos do estado e no ping pong descobri que meu nome consta na 22ª colocação, ou seja sou mais inteligente do que queria nesse caso e ando não prestando muito bem atenção nas informações importantes para mim apesar d'eu pensar que estou fazendo o contrário. Agora preciso de uma cópia do Diário Oficial para pedir prorrogação de 30 dias para ver se consigo formar.

Ou seja, Lei da Atração vai entrar em operação. Vou ter que terminar as atividades do Estágio IV antes da hora, a monografia vou ter correr com ela e ver se quem sabe eu consigo defendê-la no começinho de novembro, o que é impossível eu acho, ver se uma professora pode me passar outras atividades para conseguir nota, se consigo cancelar outra disciplina na qual está o menino felpudo, e o melhor, ver se, quem sabe, a Universidade aceita tudo isso e deixa eu fazer uma colação de grau especial, tudo para o comecinho de novembro, é claro.

Talvez tudo isso não dê certo. Penso que seria uma boa contratar um advogado, um de confiança, desses mercenários e espertalhões que dão golpes fazendo interpretação da lei e que encontre nela brecha ou sei lá o quê que me deixe trabalhar como professor.

Vai valer a pena? Fiquei quatro anos praticamente sem trabalhar e preciso trabalhar outra vez. No entanto é bem certo, se dependesse de mim eu não seria e não vou ser professor por muito tempo.

Me dei ao luxo de passar em outro concurso público, da Secretaria da Saúde. Nele trabalha-se menos, ganha a mesma coisa e só exigem Ensino Fundamental. Sou capaz de abrir mão de ser professor para ser um medíocre funcionário da burocracia estatal. Porém com tempo para fazer outro curso superior e estudar para um concurso decente, coisa que nem o concurso de auxiliar administrativo e nem o de professor são. Nesse último por causa do salário, das condições de trabalho e do reconhecimento. Além disso eu não tenho a menor perspectiva com relação a isso mudar pelos próximos quatro anos.

Em Goiás estão escolhendo entre um candidato que despreza funcionário público, ainda mais se for professor, e outro que conseguiu o apoio dos funcionário públicos e dos professores, mais alienados no caso, dando esmolas a eles. Para quem não ganhava muita coisa qualquer esmola vira grande coisa. Dos males os menores porra nenhuma, nenhum dos candidatos no quais a política goiana se polarizou tem moral para falar em Educação e ao meu ver eles são mal intencionados o tempo todo em relação a ela.

Tem uma terceira via aqui, mas terceira evangélica e do PP? Tenha dó, né? Isso está mais para um canteiro central todo arborizado e gramado, o que não é vantagem quando se precisa de pista de autorrolamento.

Bom, é isso, peixos, me liga. E me twita também.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não vou mais a psicóloga

Não estou fazendo terapia nas últimas semanas, a psicóloga está em licença maternidade e vai demorar mais algumas semanas para retornar às atividades. Tenho pensado comigo, pretendo encerrar as sessões. Ultimamente não sinto que as coisas ditas na terapia estejam ajudando a melhorar em algo. Aliás, parece que tudo está velho. Vou a uma sessão e vou trazer essa questão para a terapeuta e talvez ela me convença a continuar com aquilo que certamente é um dos divisores de água na minha vida. Minha adolescência foi conturba no sentido d’eu não compreender realmente quem eu sou, o quê pretendo fazer da vida, o quê me faz feliz, entre outras coisas que acho que sáo normais a todos adolescentes passarem. Nessa questão a terapia ajudou de forma imensurável.

Já falei aqui que trabalhei durante a minha adolescência em um programa que emprega adolescentes durante meio período em órgãos do Governo Estadual. Durante esse programa conheci várias pessoas, entre elas um cara que trabalhava em um dos departamentos do órgão no qual eu fui lotado. Esse cara é simplesmente um deus grego, grande, lindo, voz de trovão, heterossexual pegador com cara de bad boy.

Eu já trabalhava alguns meses no lugar, mas foi depois que percebi que na presença desse cara eu ficava tímido e ao mesmo tempo feliz. Conversar com ele me deixa ao mesmo tempo recompensado e irritado, porque minhas pernas tremiam contra a minha vontade. Logo eu estava tocando punheta pensando naquele cara. O irônico que ainda assim eu me achava heterossexual e quando na presença dele fazia saliência com as outras jovens do programa de emprego para ele pensar que eu era um pegador. Eu nunca fui pegador e para ser bem sincero, tenho nojo de beijar mulher na boca. Mas que fique bem claro, é só beijo na boca e coisas mais íntimas. Um selinho é super aceitável.

Eu não era tão tapado assim, percebi que eu queria ser heterossexual, mas na verdade eu era homossexual, porque heterossexual algum bate punheta pensando num cara lindo igual aquele, nem mesmo feio. Bem, nesse período da minha vida, por volta dos 17 anos, eu vivia um momento de fervor religioso e era daqueles que acreditava que homossexualidade, na verdade homossexualismo, era contra a vontade de Deus, punido com o fogo do inferno, mas que nós, até então cristãos, tínhamos a arrogante humildade de tolerar, contanto que a pessoa não fosse mesmo homossexual. As conseqüências disso na minha vida foram o fato d’eu não me aceitar como homossexual, sentir culpa por me sentir atraído por aquele cara e achar que eu não gostava dele e ele fosse recíproco nessa questão.

O que aconteceu então foi o seguinte. Passei a dar maior relevância aos momentos em que sutis atritos ocorriam entre mim e o sujeito, uma vez que ele trabalhava no protocolo, lidando com números de processos, e eu criava listas enormes, com dezenas de números de processos para serem arquivados por ele no sistema de gerenciamento. Nada tão relevante assim. O que acontecia é que apesar do meu esforço eu errava um, dois, três, quatro ou cinco ou seis números de processos e ele... ficava putaiado com aquilo. Além do mais o cara possuía um bom relacionamento com todos jovens do programa, mas comigo não, porque eu simplesmente sou tímido, raramente tomo a iniciativa e naquele caso não dava abertura.

Aí é que entra a terapia. Eu me sentia incomodado com o relacionamento com o cara do protocolo, ou seja, eu não ia em vão para terapia. Porém eu não ia às sessões para falar que eu era gay, embora não fosse minha escolha, e que estava apaixonado por um heterossexual que sequer dava a mínima para mim como colega de trabalho. Eu estava incomodado e mentia para mim e achava que mentia para a psicóloga que o que me incomodava no cara era seu comportamento anti-ético, o que não era, no trabalho e seu sádico assédio moral. Coisa fofa né? Eu, um menino de 17 anos que deveria estar estudando para o vestibular, mas que por outro lado não precisava pedir dinheiro aos pais para ir ao shopping com os amigos, estava sofrendo assédio moral no trabalho e a terapeuta estava me ajudando a enfrentar aquilo?

Ok! A terapeuta estava ajudando mesmo, mas não da maneira que eu esperava que tivesse. Ela ia somando tudo aquilo e depois de forma eufemística me chegava à parede e dizia, eu sei que você é um homossexual que não está entendendo nada, que está com medo e que está pedindo, a sua maneira, ajuda. Tá, talvez ela não pensasse bem assim, mas que chegar a uma revelação da minha parte ela queria, ah ela queria. Ele fez isso umas quatro vezes e eu negava. A terapeuta fazia aquela cara de “Aham Cláudia, senta lá” durante minutos e eu ficava como uma cara de estrela do PT, vermelha. Eu, não com os erros de pronuncia de Luan Santana, dizia a ela que eu sou homem e gosto de mulher. Na verdade eu fingia que gostava de mulher porque pensava fazendo aquilo, no meu inconsciente, iria ganhar um beijo no cangote daquele macho gostoso.

A terapia não fez nada sozinha, outras coisas também foram acontecendo, o novo jeito de se fundamentar a verdade que descobri na Universidade, as frases de efeito que eu ouvia por parte dos militantes do Colcha de Retalhos, a minha própria angústia e vontade de me aliviar, enfim,várias coisas foram colaborando para o meu processo de auto entendimento e aceitação. Porém, a terapia deve ter ajudado em uns 40% o processo.

Conforme eu também já falei aqui, um dia viajando para São Paulo de carro com meus pais, eu na solidão e no silêncio do banco detrás, enquanto admirava a paisagem da BR 050, assumi mentalmente para mim que era homossexual, que o caminho era esse, as conseqüências disso eu pensaria depois e que eu estava desistindo da heterossexualidade. Fui à terapia e finalmente contei à psicóloga? Não! Entrei em comunidade no Orkut usando perfil fake, falei da minha vida para pessoas na mesma condição, elas falaram da delas para mim, não me senti de todo só e nesse período fui colocado por ela na parede e menti mais uma vez.

Fazendo ao redor de 18 meses de terapia e eu já maior de idade estou falando uma trivialidade qualquer da vida durante a sessão quando na verdade queria liberar o glitter. Lá pela metade do meu horário naquela manhã quente de quinta-feira, eu interrompo a mulher no meio de sua esplanação sobre algo naquele momento irrelevante para mim e digo algo mais ou menos assim:

“Olha, na verdade eu estou aqui hoje não para falar disso, eu quero falar de outra coisa. Você já sabe, já sabe desde o começo, eu venho mentindo, minhas mãos estão geladas, meu pés também [o Well sente o coração disparando e os ossos da almofada em seu colo quebrando, kkk], enfim, eu estou falando mais do que quero, é, eu sou gay!”

Bem, o que aconteceu depois disso, bem, naquele dia, ela falou que já sabia, que estava esperando por aquilo, estava esperando o meu tempo, mas não que eu viesse daquela maneira tão “interrompente” e disparada, o que foi de certa maneira engraçada. A terapia durante muitos meses foi o tempo de falar “Caraca, eu sofrendo desse tanto só por causa de uma bostinha simples dessa?”. Tudo que a terapeuta falava fazia sentido da mesma maneira que todos nomes que Adão, quando sozinho no paraíso, dava as coisas pegavam. Assim como Deus eu vi que aquilo, a terapia, era bom e disse que assim seja.

Apesar de ser a terapia um divisor de água, penso em encerrar as sessões, pelo menos por enquanto, dar um tempo, aprender mais, sofrer mais, para voltar ali ou em outro lugar. As sessões, a exemplo de toda minha vida, viraram um tédio e ali não tem nada que me prenda atenção. Sinto que eu já aprendi o suficiente até o momento, o que eu preciso agora é colocar em prática e esperar os burros darem na água para voltar ali ou em outro lugar. Eu sei que depende de mim dar mais graça à minha vida, encontrar novos amigos, terminar meu curso, encontrar um emprego que me satisfaça, virar o doce de filho que minha merece que eu seja e no entanto não sou. A noção que tenho é que ir agora as sessões será apenas bater na mesma tecla quando o quê eu preciso mesmo é de uma impressão a laser. KKK Adoro metáforas!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tédio do começo da noite

A Prefeitura de Goiânia vai fazer concurso para contratar novos professores. Ainda não saiu o edital, se houver vagas para minha área de formação irei fazer, mesmo que eu esteja agora frustrado com relação à licenciatura. Pretendo prestar o concurso só para desencargo de consciência, para que no futuro eu não me cobre por não ter tentado, seja passar no concurso, seja lecionar.

Não faço questão alguma de esconder isso, me frustrei com a minha escolha universitária, aliás, com a mais típica das atuações profissionais que a minha graduação permite, a licenciatura. Insatisfeito, me inscrevi no ENEM, vou ver se faço outra graduação, preferencialmente na Federal. Qual graduação ainda não sei bem qual. Gosto da área ambiental, coisa que um bacharelado na minha graduação me permite fazer, pena ter a concorrência de outras áreas. Gosto de TI, para ser mais exato, Telecomunicações, mas o campus do IF onde tem o curso fica um tanto quanto distante.

Bem, ainda não fiz muitas expectativas a respeito do outro curso. Vou escolher a próxima graduação com mais calma, já que não quero me arrepender depois e mesmo assim eu ainda possa me arrepender. Resta saber que se uma vez escolhida a graduação eu poderei cursá-la, seja porque eu não colo grau, e assim encerro meu vínculo com a universidade, no final do ano, seja porque, quem sabe, o meu perfil sócio-econômico, bem como "intelectual", aja vista que já vou ter uma graduação, pode não me habilitar para uma bolsa do Pró-Uni. Pagar um curso é o que eu não vou fazer.

Enquanto isso o segundo semestre letivo do Ensino Básico brasileiro já está começando em Goiás. A Secretária Estadual da Educação dispensou todos os professores comissionados e não contratou os concursados. Não conheço todos os capítulos e não sei no que vai dar essa novela, a não ser que a Educação e o futuro dos nossos alunos, como sempre, irão para o pau. E eu quero mais é que demorem a chamar os aprovados, assim ganho tempo para concluir minha licenciatura e ver, que de repente, eu consiga ser um bom professor.

Ultimamente eu não tenho me esquentado com muita coisa mesmo nem com a Educação. Teria virado um medíocre se eu já não fosse. Mas aliás, falando em não me preocupar, estou numa fase meio individualista, de achar que cada um é, em partes, culpado, ou responsável como eu preferir, de si mesmo. Exemplo, hoje minha mãe se irritou, ao ponto de bradar louca em Cristo, porque eu estava carregando músicas no celular e não ia fazer umas coisas na cidade e que ela havia pedido antes. Ela perguntava se eu não tinha dó dela e eu respondi que não, afinal de contas, quem mandou ela ser impositiva e querer que as coisas sejam só da maneira dela? Ir naquela hora, mais cedo ou mais tarde ia dar no mesmo. Na hora de sair ela me mandou ir com Deus. Aff, eu respondi "Tenha dó!" Ela sabe que eu não acredito, diz que vai quebrar o celular e grita ao ponto de me deixar irritado ao ponto de querer que ela enfarte e me dê sossego. Claro que eu não quero que a minha mãe enfarte, é que a emoção me tira a razão e na hora a gente só pensa, não deseja e não externaliza, respira fundo o ar seco até o nariz doer.

Contudo, no fundo penso em sair de casa, fazer às coisas ao meu tempo, da minha maneira. Não gosto de nada me pressionando. Problema que para sair de casa a gente precisa de dinheiro, coisa que eu não tenho e sou um vagabundo sustentado pela mãe feroz. Além do mais tenho uma constância de solidão, sinto falta de alguém, só vejo meu círculo social reduzindo e ficar distante dos meus pais, da minha mãe ainda por cima, me faria voltar rapidamente para casa outra vez, suplicando a presença deles, ou morrer deprimido e eu morro de medo ter depressão, eu sou angustiado, mas me controlo bem.

Tudo bem, como eu havia dito, se apertar eu voltaria para casa, não tenho vergonha de dar o braço a torcer mesmo. Ok, nem sempre eu dou o braço a torcer, mas melhorei bastante e me acho melhor do que muita gente com relação a isso. Sem contar que me sinto um tanto quanto nobre.

Bem, é isso. Ah, hoje eu passava pelo Mercado Central e numa loja de coisas típicas do cerrado havia um rapaz atendendo. Não sei porque, senti que ele gostava da mesma fruta que eu além de ser bem pegalvezinho. Olhei para ele meio sorridente e ele olhou para mim, me parece que sorriu de leve e olhou fundo nos meus olhos. Bem, continuei andando, pensando "mas será que é mesmo?" e se eu não deveria ter feito outra coisa além de simplesmente ir embora.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Well, o problema social

Odeio quando as coisas fodem.

Desde muito cedo eu quis trabalhar, eu achava um máximo ter o próprio dinheiro para comprar as próprias roupas . Me escrevi num programa do Governo Estadual que emprega menores de idade a partir dos 16 anos em órgãos do Estado para fazer burocracias do tipo atender telefone, atender o público, buscar café, digitar coisas, levar processo para lá, trazer processo para cá, inventar prazo para as pessoas chatas que ligassem, falar mal da vida dos outros enquanto trabalha, pagar de hetero e dar em cima das outras meninas do programa de emprego, buscar café para os aspones e pagar conta na lotérica para a funcionária folgada. Tudo bem, eu fazia coisas que excediam minha responsabilidade, emitir empenho e ordem de pagamento por exemplo, mas eu gostava daquilo.

Passei no vestibular para estudar na Universidade Federal de Goiás saindo do Ensino Médio e caindo no superior com sendo uma promessa de nova geração de professores que garantirão o futuro do país ao educar as crianças. O curso de Geografia foi legal, mudou muita coisa na cabeça do Well, pena que a faculdade ao invés de aumentar os laços sociais do Well acabou diminuindo-os. Bem, ninguém mandou o Well ficar ateu e deixar de ir a Igreja, ao grupo de jovens, aos retiros e deixar de saber das festinhas na casa de alguém lá da paróquia.

Como entrei na Universidade com 17 anos só fui mandado embora do meu emprego lá no dia do meu aniversário, porque maiores de idade não podem participar do projeto. Mesmo assim foi legal, pois além de experimentar a possibilidade ser socioeconomicamente ativo, experimentei a possibilidade de também ser um estudante universitário nesse mesmo tempo. No entanto, o ex governador do Estado, que chamou de tempo novo a política velha a qual deu sequência, quebrou os cofres do estado e lá vai por água abaixo o tão prometido estágio concedido pelo chefe ali naquele órgão.

Agora o Well é um universitário, aprendendo que existe outra forma de entender e explicar o mundo diferentes das utilizadas pelo Datena, pelos missionários bitolados da Renovação Carismática Católica, e das dos tiozinhos do boteco que tem opinião para tudo, até sobre o que não sabem. Pena que o Well é um desempregado, e lá vai ele se candidatando a bolsas de estágio da Universidade, mas essencialmente procurar emprego na iniciativa privada.

A iniciativa privada nunca agradou o Well, que sempre teve um viés materialista histórico-dialético. O Well cansou de entregar curriculos, de falar sobre ele mesmo, de dizer coisas que ele mais odeia nele mesmo, de coisas que ele mais gosta nele mesmo, de fazer dinâmica de grupo, de se mostrar com iniciativa, diplomacia, polidez e por aí vai, porque as empresas sempre prometeram lhe ligar e nunca ligaram.

E lá  vai o Well fazer concurso público, levar pau – e no mal sentido – em todos eles. O Well é um menino sem vida social, sem consumo, interessante de acordo com o olho de quem vê, desempregado que não passa em concursos públicos, não arruma emprego na iniciativa privada e por aí vai. Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas enfim senhoras e senhores, o Well e sua história de cortar o coração não acaba assim. O Well acredita no tempo como solucionador de tudo, pois tudo é uma fase, até a sensação de relativo vagabundo e fracassado mediocre dele.

Vem o penultimo semestre da faculdade do Well, o Well continua sem vida social e se sentindo o mesmo de sempre, porém surgem novos concursos públicos. Em um o Well é um fiasco, justo no que melhor paga e fica quase na 2000ª colocação. No outro, que paga a metade, mas se trabalha menos e exige menos de escolaridade, o Well, apesar de acertar 72 pontos dos 90, fica lá 338° posição, algo não bom. Mas não é por aí Wellzinho, ainda tem aquele concurso, aquele lá! Qual?

Se o Well faz licenciatura, o Well pretende trabalhar como??? Isso! Professor! E lá vai o Well prestar concurso para ser professor da Secretaria Estadual da Educação de seu lindo estado de duplas sertanejas, tomates, soja, cana e por aí vai. Resultado, o Well passa nas primeiras colocações! Ihaa! Porém, é como diria Murphy, se tem algo que está dando certo, é porque algo vai dar errado. O problema é que o concurso é para contratação imediata e só daqueles que são professores formados, porém o Well precisa de mais seis meses na Universidade para se tornar um deles!

Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas por Deus senhores e senhores, o Well não é diferente de ninguém, o Well é normal. O Well continua o desempregado de sempre com medo de encarar outra vez aquelas psicólogas maquiadas de RH, sem vida social, se sentindo um inútil. Comovente não?