quinta-feira, 8 de julho de 2010

Era sobre religião, mas falei mais sobre a avó

Quis escrever esse post na segunda feira. Mas naquele dia uma notícia nada agradável chegou. Minha avó não vai bem, foi trazida para a capital, está mal do coração. Até agora os medicos não dizem muito bem o que está havendo e nem o que pretendem fazer. A falta de informações objetivas tanto quanto a situação dela tem causado na família, ou em boa parte dela, uma grande angústia.

Minha avó é daquelas avós matriarcas. É a que toma partida dos filhos, netos e bisnetos. Juntamente com meu avó não gosta de ver ninguém da família brigado e a satisfação deles é o natal, o ano novo e datas afins com a casa de cheia dos filhos, netos e bisnetos. Gente que somada daria talvez uma centena de pessoas, aquela família bem ao tipo das propagandas da Sadia ou da Kodak.

Tenho passado bem esses dias, eu não consigo manifestar preocupação e nem sei se mostrar resolve alguma coisa. Mas sempre vem a qualquer momento o fato da condição de saúde da minha avó e isso faz as coisas ficarem meio amarga, azedas e ou frias.

Tudo que eu não quero agora é lidar pela primeira vez com a perda de uma pessoa próxima. Eu não vejo a morte tanto assim como fim de carreira, mas é importante ter em mente que penso assim só porque nunca lidei efetivamente com a morte. Mas sou bem otimista, estou confiante, acho que todo essa deja vu é apenas um sinal para minha avó rever um pouco dos hábitos dela.

Bem, mas mudando de assunto, domingo teve aqui em minha cidade um culto de um grupo inclusivo. Eu fui para matar a curiosidade. A dinâmica é a mesma dos cultos tradicionais e as crenças também, a diferença é que a homossexualidade é lidada como algo normal e lógico, os presentes são declaradamente homossexuais.

Durante o culto me identifiquei como ex-católico, até aí nenhuma mentira. Porém menti pois não falei que se quiser acreditar no que eles acreditam ali não dá para mim dado às minhas concepções atuais a respeito da existência de Deus e das religiões. Me senti constrangido também, mas não orei em momento algum, fiquei em silêncio, como aquele que hora em silêncio?

Poderia eu dito a verdade, que sou ateu e que estou ali mais para conhecer as pessoas, para ter experiências, conhecer as ideias deles e não para declarar fé em algo que mesmo que eu quiser, não vai dar para acreditar, pelo menos não por agora como eu disse. Achei meio ingênuo e ou intransigente a Bíblia ser utilizada inclusive como fonte de norma moral, pois é a mesma Bíblia que trata a homossexualidade como amoralidade e define o que é moral ou imoral na sexualidade, entre outras coisas, enfim, uma outra discussão.

Bem, foi isso.

 

P.S.: Estou aparentemente meio ausente da blogosfera pois tenho utilizado o Google Reader para lê-los e acho que comentários, embora agradáveis de serem recebidos, são um trabalho a mais para a preguiça exagerada do Well ou sua falta do que dizer. Mas estou acompanhando e gosto de todos vocês.

5 comentários:

Edu disse...

Só perdôo a sua preguiça se você tirar essas letrinhas de segurança exigidas pra comentar aqui. Porque também tenho preguiça!

Melhoras pra sua vó!!

Paulo Braccini disse...

joga esta preguiça no lixo querido ... vc sempre tem algo forte e inteligente para falar ...

força para vc neste momento difícil da vida ...

saúde para a vovó ...

religião? todas ... irc ... minha fé é forte mas crítica e independente de qualquer religião ...

bjux

;-)

Mystica disse...

Amado Well,

Primeiramente, desejo melhoras à sua avó e muita força e calma para a sua família.

É interessante notar o quanto as nossas trajetórias são parecidas: você sabe que eu tb fiz parte de uma igreja inclusiva por algum tempo e fui movida mais pela vontade de conhecer gente nova do que de professar uma religião. Confesso que até fiquei envolvida por um tempo, mas a minha verve atéia acabou vencendo no final das contas.

Só parei de frequentar a referida igreja porque eu me sentia demasiadamente hipócrita de ir pra lá só pra fazer social... mas de qualquer maneira, isso não foi de todo ruim. Fiz boas amizades por lá. Enfim, eu escrevi essa lauda toda e tô me sentindo como se estivesse andando em círculos aqui, mas resumindo tudo: siga sua intuição e boa sorte.

Beijos!

Renato disse...

Ai não me diga que esse grupo inclusivo é a Sociedade Ágape? Tenho preguicinha deles.

Lobo Cinzento disse...

Tenho problemas pra enxergar como um grupo pode usar uma ferramenta que prega o ódio a si como base moral para alguma coisa. Me soa muito incoerente.

Mas não se preocupe. A primeira morte de alguém próximo sempre dói mais. Depois você nem sente mais muita coisa...

Beijos Well