Mostrando postagens com marcador Universidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Universidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de abril de 2013

As cotas deram certo!


As pessoas acreditam que existe uma classe dominante porque um grupo de pessoas de maneira presunçosa e arrogante se impõe no poder, algo que é fácil perceber e supostamente fácil de reagir contra. Porém não é assim. A classe dominante existe com seus poderes e consequentes privilégios porque a classe subalterna, da qual eu faço parte, justifica os privilégios da elite.

Todo mundo acha absurdo fome, gente sem terra, sem teto, sem sub-escolarizada, etc. Muita gente acredita que isso existe porque tem gente que tá comendo demais, tem terra demais, tem casa demais, porque falta escolarização, etc. Muita gente pensa que os ricos deveriam ceder em seus privilégios e pensar mais no próximo, para que essas coisas tidas como injustas desapareçam. Às vezes a elite, até por um pequeno senso de humanidade também pense e concorde com isso, porém tudo muda, entre pobres e ricos quando alguma ação prática é tomada para mudar isso.

Por isso quando se fala em impostos sobre grandes fortunas, reforma agrária, aluguel social compulsório dos imóveis ociosos, cotas nas universidades federais todos são contra. Os ricos a gente entende, vão perder privilégios e pensam que alguém, que não deve ser eles tem que pagar a conta. Agora os pobres se põem contra por quê?

Existe alguns mitos em nossa sociedade pós iluminismo, o de que todos nós somos iguais e temos direitos iguais. Por isso, por exemplo, justificamos com tanto afinco a propriedade privada, pois foi dito que todos nós, mesmos os quem não têm a possibilidade de ter um palmo próprio de terra ou quem tem muito mais do que precisa para viver, tem esse direito. A propriedade privada muita gente não terá condição de ter, mas o direito de tê-la um dia sim. Por isso muito pobre acha o MST um bando de vagabundos.

Quem disse isso aos pobres foram os ricos e assim os ricos não se desgastam, pois os pobres tratam de conservar os próprios privilégios da elite, sem parecer que são da elite. Graças a isso, pude notar que no colégio público em que dou aula, uma significativa parcela dos meus alunos da Educação de Jovens e Adultos é contrária à existência das cotas, pois, na minha opinião, eles aceitaram o discurso de que existe igualdade entre um estudante do Colégio Estadual Joaquim Edson de Camargo e um discente do Colégio Visão, do Setor Bueno em Goiânia. Além do mais, eles acham que exista uma democracia - na verdade não acham democrático o vestibular, acham justo, pois alguns ainda não foram esclarecidos que democracia não é apenas o direito a voto - no vestibular.
 
Porém, as utopias sociais, como a da igualdade de condições existente no capitalismo, vão caindo por terra hora ou outra, sendo que nesta semana a revista IstoÉ trouxe uma reportagem estampada em sua capa para atestar que a Cotas deram certo e que todos reacionários argumentos da elite que a massa repete de maneira acrítica foram derrubados. Não, os cotistas não abaixaram o ponto de corte de em nenhum sentido relevante, não reduziram o rendimento dos cursos, tem desempenho semelhante ou superior, tem baixíssimo abandono ou mudança de curso e a grande maioria está empregada após concluir os cursos.

Minha função como professor nesta história, além de não ter publicado este texto sem antes revisá-lo, desculpe a minha falta, penso ser levar aos meus estudantes a informação, acirrar as críticas que eles tem sobre o assunto e permitir que eles cheguem a própria a autônoma conclusão sobre as cotas raciais. Portanto, a revista IstoÉ será o meu material de apoio dos meus próximos planos de aula.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hoje é o novo dia.. de um novo tempo que já começou... [da Grobo]

Eu havia bebido dum tanto, em uma duas horas eu enfiei guela abaixo umas seis latas de Brahma. Pode parecer pouco para quem é piolho de festa e bebe muito, né Mauri?, mas para eu que não bebo muito era bastante, as idas ao banheiro que não me deixam mentir. Eu estava deprimido, uma sensação de vazio, como sempre, liguei a televisão, eram 23:58 no relógio digital comprado em uma loja de variedades baratas vindas da China. Eu olhava para a televisão meio sem entender, até mesmo porque quando quero ser apático eu consigo, embora isso me exija concentração e umas latas de Brahma ajudem. Daí eu vi aquela pirotecnia, a tela dividida em duas mostrando as combinações de Copacabana, Avenida Paulista, Esplanada dos Ministérios, Praia do Forte, Florianópolis e tudo mais.

Saí da sala e fui para a varanda onde todo mundo bebia, falava mal de quem não estava, dava risada, falava alto e ou dançava aquelas músicas que há seis meses não tocam mais no rádio e 10 ninguém se lembra mais delas. Eu gritava Virou! Virou! Virou! e girava com os dedos. Eu estava feliz como se aquilo fosse muito divertido e empolgante. Mas sem hipocrisia, eu estava achando aquilo mara. Minha prima perguntou o que acabou e alguém falou Virou, já passou da meia noite. Pronto, todo mundo começou a se abraçar, fazer simpatia, cantar aquelas músicas globais e eu escrevi dois parágrafos inúteis, que poderiam ser um apenas, para prender a atenção de vocês. ahuahuahauhau

Bem, mas o importante é que esses dois parágrafos narram como 2010 começou para mim, meio tonto, com os sentidos, principalmente a audição, limitados, vontade de urinar, com efusividade etílica para disfarçar a carência afetiva de longa data. Ok! Tomei mais uma lata e comecei a tascar água em mim, no meu estômago, queria tirar todo aquele álcool de dentro de mim e acordar na próxima manhã todo joiado. Não é de ver que deu certo?
Em 2010 eu não arrumei um namoro, transei menos do que em 2009, continuei sem lugares para ir, pessoas com quem conversar. Mesmo assim a presença da Vaca Profana e da Mariana ajudaram muito. Não saí do armário para ninguém até mesmo porque já não me considero mais nele e olho com certo desprezo aqueles que estão no armário, mas que não tem uma condição social tão hostil que justifique a eles permanecerem calados. Em 2010 eu fiz alguns meses de LIBRAS, me interessei por ela e penso em aprofundar meus conhecimentos a respeito dela, bem como conviver com pessoas surdas. Também fiz uma disciplina sobre adolescência e violência na qual falaram sobre bullying e eu, não muito bem à vontade, falei sobre o assunto aqui. O que me rendeu dois contatos novos no MSN, um deles sem notar que eu sou da linha de estojos da Faber Castell.

Mas foi em 2010 em que eu peguei a essência ou notei a graça do Twitter. Dane-se, o que importa? Não arrumei namorado, mas consegui arrumar alguns amigos que também vieram nos estojos da Faber Castell. Lembro da minha amiga que trabalhava numa papelaria dizer que foi vendida para uma multinacional chinesa de marca barata. Mas isso tem uns oito anos, na época eu era heterossexual, na verdade eu achava que era, e nem todas marcas chinesas são baratas, como a AOC, mas Samsung e LG são melhores. De novo eu falando de coisas sem a menor importância e vocês lendo.

Viajei com minha mãe para Minas Gerais, e o melhor, eu dirigi sozinho, sem a supervisão de um adulto, no caso meu pai. Na verdade já tem uns três anos que sai da autoescola, mas é que rodovia eu nunca dirigi por longas distâncias sem meu pai. Então, cheguei lá vivo, sem levar nenhum susto e com a noção de Simples Assim da Oi. Reparei bem aquela paisagem bucólica de cidadezinha do interior de Minas, que se parece com as cidadezinhas do interior de Goiás. Foi nessa hora que eu fiquei um pouco insatisfeito e depois de 700 km de volta, entre MG's, BR's e GO's, com algumas pausas por causa de urubu atropelado na estrada, mangueira do radiador rompida, pedido de balde de água em uma fazenda com cachorros assassinos e das incertezas dos quebra galhos arrumados por um típico mecânico de rodovia, eu respirei aliviado a névoa seca que cobre Goiânia em julho. Pois imagina só, gay e morando no interior como um dia minha mãe pretendeu... ainda bem, que sempre morei em Goiânia, essa cidade que um dia Roberto Carlos, dizem, chamou de fazenda asfaltada, décadas atrás, quando era mesmo. Mas Arsênico, se um dia você seguir os conselhos dos seus amigos que são daí e quiser vir para cá, eu vou achar ótimo.

O carro que utilizamos para ir para MG mostrou que ia consumir de nós uma considerável quantidade de recursos. Aproveitamos a oferta de crédito e compramos nosso primeiro 0 km e incerto do apoio da Dilma à causa LGBT, votamos na mulher para ver se o crédito continua lá. Mas nesse parágrafo quero falar do Silas Malafaia, o homem que tem um segredo, que não sabe que tem um segredo, mas sabe que esse segredo quer se fazer consciente e por isso ele prega em defesa da família, da moral e dos bons costumes. Ele havia falando um quilo de coisas que só um Silas Malafaia poderia falar, um pastor de uma igreja inclusiva escreveu um artigo para uma revista gay contrapondo as concepções do Silas, eu pensei: quero saber como funciona essa tal igreja de gay. Mandei email para o pastor, que me respondeu e me indicou outro pastor de Brasília, enfim, resumindo, freqüento uma igreja inclusiva que começou como grupo de oração, onde todo mundo sabe de mim, que eu sou gay evidentemente, mas que eu não tenho muita crença, aliás, crença alguma,no que eles dizem.

Tá, mas a igreja inclusiva serviu para eu ter novos contatos na agenda telefônica, no MSN, no Orkut e no Facebook, onde o Braccini curte meus devaneios tolos a me torturar. Contatos que viraram companhia para ir a qualquer lugar fazer o que um lugar qualquer pode ter para se fazer. É, a igreja inclusiva me deu amigos e pessoas para pegar no meu pé, sentia falta disso e a coisa começa a fluir. A igreja inclusiva é uma das coisas de 2010 que valeu a pena.

Continuo encalhado e por um momento pensei que me tornaria um desempregado e encalhado. Fiz alguns concursos durante 2010, passei em alguns deles e em um já fui convocado, sou professor agora, atividade que não me causa fascínio. Porém é um emprego público, sem entrevista, psicólogo de RH pedindo para eu falar sobre mim ou fazer dinâmica de grupo. Gente, dinâmica de grupo, faça, mas quando fizerem lembre-se que eles estão olhando o que há de mais podre em você e que nem você mesmo sabe que é podre. Aliás, ninguém merece seleção de emprego.

Parece que 2010 foi divertido, mas não foi. Foi um ano majoritariamente entediante e apático, assim como 2009 cuja única graça dele foi ser o ano que ficará para a história, do Well, como o ano cujo já no começo o Well socializou a condição sexual que mamãe nunca quis a confirmação. Mas esse ano em que estaremos por mais alguns dias se fez ganhar nos dois últimos meses. Na verdade os últimos meses foram apenas a jusante de algo que represei há mais tempo, a primeira delas foi o curso universitário, iniciado em 2007, a segunda um monte de concurso para os quais eu prestei e em um para o qual eu passei. Resultado, eu virei servidor público e para isso eu tive que correr para formar, tão logo agora eu tenho curso superior, pena que não tenho mais direito a cela especial. Não que eu vá cometer um crime, mas nunca se sabe.

Ruim é que a gente fica desejoso de continuar os estudos, perdi o vínculo como a universidade, que é pública e agora para voltar para ela só com editais, projetos ou aquelas provas de medir conhecimento bancário e limitado, o vestibular. Consola saber que alguns cursos de extensão pelo menos serão pagos pelo Estado. É nessa hora que olho os colegas do Ensino Médio, dos quais tenho saudade e ao ver alguns deles acho ótimo o fato d’eu ser gay, 21 anos, formado, com emprego público e com a chance de entrar na academia, emagrecer e ficar mais gostoso do que alguns acham que eu sou, diferente deles, que estão gordos e em alguns casos tem que sustentar o filho que inventaram. Gente, como os heterossexuais se reproduzem.

E assim acaba 2010, pela primeira vez eu atingi a minha franquia de dados e a NET reduziu minha velocidade a metade. Filha da puta. Pela primeira vez, desde que eu me lembro não passarei o Natal e o Revellon deprimido por causa das propagandas de peru, fiestas, chester e outras galinhas transgenicamente e anabolizadas que mostram pessoas felizes com suas famílias felizes, além de brancas e com sobrenomes italianos. Na verdade fico, porque ainda não desisti do menino felpudo lá da igreja inclusiva. Menino que não é felpudo assim, eu estava reparando as fotos dele no Orkut.

Bem, 2011 vem aí, ano para o qual fiz muitos planos e cuja característica será, provavelmente, a de ano em que eu vou aprender muita coisa, pois o que virá aí é muito novo. Tomara eu conseguir. Acho que vou, mas eu queria adrenalina na vida, né? Uma sala cheia de meninos, quanta tensão.

Para a blogosfera faço os seguintes planos. Primeiro dar mais atenção como um dia eu já dei a ela. Lerei mais todos vocês, e comentarei também, pois esta que é a moeda de troca e reconhecimento deste lugar. Portanto o Diego, o meu amigo fofix, que um dia me levou a Parada Gay, terá mais da minha audiência. Diego, leia o blog do Braccini e comente, pois é estranho um blog de gay o qual o Braccini, o Delphos da blogosfera, não leia. É como diria seu Ladir, Paulo Braccini é mara! Diego, você é mara também, por experiência própria, falo como amigo. O segundo voto tem mais a ver comigo e diz respeito a não empurrar mais esse blog com a barriga, como tenho feito nos últimos meses.

Bem, é isso, peixos, me liga quem tiver meu Vivo ou meu TIM. Ou me Twitta, pois Natal na casa da avó combina muito com todo mundo falando e a gente com o celular ligado navegando no wap.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Assuntos aleatórios

Pois bem pessoas, eu estou correndo, mentira, eu estou escrevendo para ver se até 17 de novembro me torno alguém eternamente geógrafo na modalidade licenciatura pela Universidade Federal de Goiás e um professor de geografia do Ensino Básico na rede estadual de ensino de Goiás. Não é lá grandes coisas, mas isso tem surrupiado minha criatividade e inclusive me deixado tão ansioso a ponto de não ler os blogs alheios. Antes eu apenas os lia e não os comentava, agora nem lendo mais eu estou.

Bem, enquanto eu não me formo fiz algumas coisas, entre elas adicionei aquele aplicativo, a caixa da verdade, no Orkut, justo quando eu pensava que seria melhor investir no Facebook e ser feliz com ele. Coisa estranha, investir em rede social não é investimento para um mortal qualquer cuja sobrevivência ou a razão de qualquer outra coisa daquilo que lhe faz feliz passa por lá. Mas a caixa da verdade é algo interessante em Cristo. Nunca fui tão cantado na minha vida, mentira, já fui sim. Mas o que é inusitado é que inclusive meninas estão dando em cima d'eu.

Troquei as fotos do Orkut e das demais redes sociais que eu participo para eu ficar mais sedutor e conseguir mais comentários. Gostei dessa caixa da verdade, apesar que ela tem uma pegada de bate-papo Uol ou Manhunt.com. Mesmo assim deixa, estou adorando ser uma puta e cantar um monte de meninos, inclusive aqueles heterossexuais gostosos, musculosos que vão aparecendo por lá aleatoriamente.

Mas a caixa da verdade não se resume a isso, em se sentir desejado sexualmente, um objeto sexual ou a mandar cantadas para aqueles que certamente nunca vão brincar de "adaga" comigo, sequer deixar eu vê-las. O outra graça é aprender algumas cantadas cafonas do tipo, se você é 70% água eu já estou com sede, ou algo nessa linha.

Bem, tirando a inutilidade das redes sociais, o bom é que com o salário de fome que vou ganhar eu já fiz alguns planos. Ok, não tem nada de bom nisso! Um desses planos é dar uma update no meu guardarroupas, que continuará sendo com CeA, Renner e outras coisas proletárias, e o outro com a qual eu mais tenho me preocupado nos últimos dias é com um cão.

Sim, prentendo outra vez ter um cachorro, ainda não sei qual cachorro que será, se um labrador ou um doberman. Eu já tive um doberman. O ingrato fugiu e algum espertinho deve ter o prendido. Do meu doberman lembro que ele era simplesmente lindo, elegante, possante, bravo e muito carinhoso comigo. Eu me sentava na porta da sala e ele se deitava ao lado e colocava a cabeça sobre o meu ombro e começa a resmungar, queria carinho e eu acariciava ele. Eu amava ele.

Quando eu tive esse doberman, eu tinha também um vira lata que chamava Sadam. O doberman se chamava Danger. Na verdade ele não se chamava Danger e sim nunca tive o cuidado de pensar em um nome ungido para ele. Achava perigo em inglês algo conceitual para se nomear um cão de guarda e enquanto eu pensava no nome oficial e imponente para ele eu ia o chamando de Danger. Meus pais o chamava de danji apesar que eu os corrigisse e dissesse que aquele não era um nome oficial. Enfim, o doberman cresceu sendo chamado de Danger, quando eu queria repreender a ele e ao vira-lata ou chamar, brincar com os dois eu os chamava de Sandanger. Era um jeito de chamar, repreender, enfim, aos dois com uma palavra unica e o melhor, eles reconheciam.

Enfim, que nulidade isso que eu estou falando, mas e daí, eu curti. Pois bem, acho que vou comprar outro doberman ou comprar um labrador com meu salário de fome de professor da rede estadual. É bom eu pensar em um nome legal e oficial, poderia ser alguma palavra em outra língua que nem eu conheço. Mas sempre quis ter um gato chamado Diego, não sei porque, mas porque acho gatos com nome de pessoas bonitos. Se for um doberman já pensei na remota possibilidade de chamá-lo de Valdeci ou se for um labrador chamá-lo de Otávio.

Acho que não vou colocar nome de gente no cachorro que não sei qual das raças escolherei. Bem certo é que fazer caminhada a tarde com um labrador na praça do meu bairro muita gente vai me achar fofinho e viadinho, não tão fofinho quanto o labrador é claro. As rachas vão querer dar para mim e eu não vou querer aceitar. E se for com um doberman, alguns playboys vão querer mostrar seus pit-bulls para mim sendo que o que eu quero ver mesmo é o que eles colocam no meio daquelas pernas suculentas deles e assim descobrir se eles realmente tem aquilo pequeno e compensam com aqueles cachorros horrorosos.

Bem, é isso, peixos me liguem.

sábado, 9 de outubro de 2010

Mais sobre o amor, a morte e as paixões...

Essa semana rolou mini-curso sobre o sistema capitalista. A metodologia foi baseada em filmes e documentários, sendo que alguns deles eu já havia assistido. O encerramento foi hoje, o professor reservou uma sala de cinema num shopping de classe A/B porque nós somos phinos apesar das tendências socialistas porque... enfim... o professor é quem sabe o motivo.

O filme que assistimos é Wall Street II, o primeiro foi gravado na década de 1980 e foi assistido outro dia no mini-curso, ambos são protagonizados pelo Michael Douglas. Os dois falam da alta roda do capitalismo, de ganância, de oportunismo, de especulação, de pessoas colocando o dinheiro acima de qualquer coisa, ética, moral e até mesmo família, de como as pessoas que não tem nada a ver com a ambição e a ganância dessas pessoas são prejudicadas. Foi isso que aconteceu conosco nessa crise do sistema financeiro e ainda há quem insiste em desregulamentação do mercado. Deixa para lá, cada um acredita na ilusão que quiser. 

Enquanto assistia ao filme, olhava a tela do Lumière - lógico - e os caixinhos de um estudante de um período anterior. Me envolvia com a história a ponto de me imaginar transando com o Shia LaBeouf, o cara que faz papel de genro do Michael Douglas. Procurei aqui na web alguma foto dele usando uma boxer preta no filme, mas nem encontrei. Vai essa então dele sem camisa.

Mas consegui reparar os elementos de drama do filme, uma filha que não acredita no pai e quando acredita nele é novamente frustrada. Pensei que o professor, um tanto parrudo nos discursos, não fosse gostar disso, como se a validade do filme fosse só falar do hades chamado Wall Street. Mas não foi assim, o filme acabou, o professor começou a falar com voz trêmula no microfone e meio que tentando explicar disse que se emociona porque naquele cinema foi várias vezes com a filha, que morreu há poucos anos ainda criança vítima de câncer, o que deixou ele bem abalado. E foi tentar fazer um paralelo entre ele e o Michael Douglas, não conseguiu.

Na hora minha barriga ficou fria, eu me arrepiei e nem sei porque comecei a aplaudir e fiquei constrangido no segundo seguinte, porque aplausos para alguém enlutado ainda não me parece a melhor das condolências. Mesmo assim continuei a aplaudir quando todos na sala também aplaudiram. 

Cheguei em casa, aqui na internet, já que a minha vida social é um fiasco mesmo que tenha melhorado nos últimos meses, e comentei essa cena. Fiquei assim, meio idiotizado com o luto do professor. É uma coisa que toda razão que houver não será suficiente para impedir que alguém chore ou tirar o direito disso fazer. Também dá para perceber que continuo com medo da morte. 

Eu sou tão rude com a minha mãe, que é tão afetiva e sentimental, e meio secão para com o meu pai, com o qual eu tenho uma boa relação, mas ficaria melhor se nós dois não ficássemos constrangidos para abraçar um ao outro, se eu tivesse coragem para tomar essa iniciativa. Fico pensando, acho que vou me arrepender muito, vou sofrer bastante se um dia eu não conseguir dar um abraço como eu acredito que filhos devem dar nos pais e não for mais doce e cândido com a minha mãe, meus abraços são tão mecânicos. Vou me arrepender por uma certeza me impedir isso, a morte de alguns de nós três.

Ao final da sessão paguei R$10,00 com o cartão de débito do meu pai em um ovomaltine do Bob's, empresa negociada em Wall Street por gente com a índole mostrada no filme. Aproveitei para, como nos outros dias do mini-curso, observar o menino do semestre anterior e seus cachinhos cor de mel. Ele conversando com os amigos dele dá uma vontade de beijar a boca dele. Diferente do menino felpudo da lógica, não boto lá grande fé que ele seja gay e apesar da nossa diferença de idade ser provavelmente 1 ou 2 anos, me sentiria meio papa anjo pegando ele e de anjo ele já tem os cachinhos. 

Bem, fui embora, ele ficou ao lado da escada rolante esperando os amigos, eu desci, se eu tivesse uns óculos escuros eu poderia descer de maneira mais seduzente. Lá embaixo olhei para cima, ele me olhava e eu sorri, não que eu seja gatinho com essa barba por fazer e essa gordura que vai se acumulando na barriga. Feito o sorriso e perdido o contato visual a carência outra vez reinou em meu coração. Serviu de consolo saber que pelo menos o copo de ovomaltine grande do Bob's encaixa perfeitamente no porta-copos do Voyage.

Peixos, me liga, no Infinity,.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mas você vai ser professor (forever)?

No primeiro semestre desse ano a Secretaria da Educação de Goiás fez concurso público para contratar professores. A concorrência foi baixa, só quem está desesperado, ama a Educação ou tem um espírito de porco pode aceitar trabalhar por 40 horas e ganhar R$1314,52 + descontos (viu a ironia? "mais descontos"), que é um salário de fome para quem tem curso superior e trabalha como um professor.

A baixa concorrência ajudou a frustrar o meu projeto, o de não passar nas colocações primárias e ser convocado antes da hora, o que quer dizer, sem ter concluído a graduação. A prova, cujo nível foi muito elevado, poderia me ajudar nisso, mas o ponto de corte também foi elevado e preferi não subestimar o exame.

O concurso foi homologado e eu passei em 37° lugar - convocação imediata. A Secretaria da Fazenda - que é quem contribuí com a burocratização estatal e permite a da Educação contratar - me enviou uma carta me parabenizando pelo feito - gente falsa é outra coisa - e assim foi publicada a 2ª chamada na qual constou meu nome lá no Diário Oficial.

Bem, liguei hoje em um monte de órgãos do estado e no ping pong descobri que meu nome consta na 22ª colocação, ou seja sou mais inteligente do que queria nesse caso e ando não prestando muito bem atenção nas informações importantes para mim apesar d'eu pensar que estou fazendo o contrário. Agora preciso de uma cópia do Diário Oficial para pedir prorrogação de 30 dias para ver se consigo formar.

Ou seja, Lei da Atração vai entrar em operação. Vou ter que terminar as atividades do Estágio IV antes da hora, a monografia vou ter correr com ela e ver se quem sabe eu consigo defendê-la no começinho de novembro, o que é impossível eu acho, ver se uma professora pode me passar outras atividades para conseguir nota, se consigo cancelar outra disciplina na qual está o menino felpudo, e o melhor, ver se, quem sabe, a Universidade aceita tudo isso e deixa eu fazer uma colação de grau especial, tudo para o comecinho de novembro, é claro.

Talvez tudo isso não dê certo. Penso que seria uma boa contratar um advogado, um de confiança, desses mercenários e espertalhões que dão golpes fazendo interpretação da lei e que encontre nela brecha ou sei lá o quê que me deixe trabalhar como professor.

Vai valer a pena? Fiquei quatro anos praticamente sem trabalhar e preciso trabalhar outra vez. No entanto é bem certo, se dependesse de mim eu não seria e não vou ser professor por muito tempo.

Me dei ao luxo de passar em outro concurso público, da Secretaria da Saúde. Nele trabalha-se menos, ganha a mesma coisa e só exigem Ensino Fundamental. Sou capaz de abrir mão de ser professor para ser um medíocre funcionário da burocracia estatal. Porém com tempo para fazer outro curso superior e estudar para um concurso decente, coisa que nem o concurso de auxiliar administrativo e nem o de professor são. Nesse último por causa do salário, das condições de trabalho e do reconhecimento. Além disso eu não tenho a menor perspectiva com relação a isso mudar pelos próximos quatro anos.

Em Goiás estão escolhendo entre um candidato que despreza funcionário público, ainda mais se for professor, e outro que conseguiu o apoio dos funcionário públicos e dos professores, mais alienados no caso, dando esmolas a eles. Para quem não ganhava muita coisa qualquer esmola vira grande coisa. Dos males os menores porra nenhuma, nenhum dos candidatos no quais a política goiana se polarizou tem moral para falar em Educação e ao meu ver eles são mal intencionados o tempo todo em relação a ela.

Tem uma terceira via aqui, mas terceira evangélica e do PP? Tenha dó, né? Isso está mais para um canteiro central todo arborizado e gramado, o que não é vantagem quando se precisa de pista de autorrolamento.

Bom, é isso, peixos, me liga. E me twita também.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Homens felpudos

Meninos felpudos são os meus prediletos, adoro os pelos alheios do mesmo modo que não gosto dos meus. Na verdade gosto de todos estilos, mas quanto maior a massa corpórea e a idade, menores são as chances de me interessar por algum cara. Mas como eu dizia, eu gosto de meninos felpudos, mas eles precisam apenas ter pelos e não precisam ter cara de pais, tios, avôs, caminhoneiros, operadores de pá mecânicas e etc. Acho que isso é coisa de urso né? Então, não gosto de urso, mas o Edu é fofo. Gosto apenas de caras que tenham pelos como o que cursa a disciplina de Lógica e usa All Star preto com linhas vermelhas, aquele que me olha toda vez que eu demonstro pânico por não entender as equações de Lógica.

Esse tipo de homem felpudo é o que mais me agrada e se parece inclusive com o falecido. Ah sim! O falecido foi a chance de namorar que tive já no segundo ano na Universidade, no entanto ele estava num conflito pior que eu e sumiu sem dar notícias e zaz, muito menos se mudou para a capital como havia prometido. Foi embora sem nem me dar a chance de sequer abraçá-lo ou beijá-lo. Sempre que ouço Flerte Fatal do Ira ou Ghost Love Score do Nightwish eu me lembro dele e fico, entre muitas coisas, carente.

O menino da disciplina de lógica se parece também com o menino que foi se deixar atropelar pelo caminhão assassino da Celg, cia de eletricidade falida pelos retóricos da Praça Cívica. Mas a vantagem é que o menino felpudo e lindo está totalmente vivo, até a última vez que o vi, e conversou comigo ontem. Eu não me recordo o nome dele e só falamos sobre a minha sugestão de fluxo curricular, quer dizer, sobre as disciplina em que me matriculei.

Enfim, gostei de ter conversado com ele. Eu fiquei assim, contente quando eu falava alguma coisa na aula e ele olhava para mim, um tanto quanto sorridente. Pena eu ter talento para saber o tamanho da roda gigante só de olhar para os dedos e afins, mas não desconfiar se naquele parque de diversões o túnel do amor é livre para mim. (Engasguei dando risada do que acabo de escrever).

Eu prometo para mim mesmo que a promessa que farei a seguir não será uma dessas promessas que eu não consigo realizar por eu não me sentir efetivamente pressionado, eu prometo que descobrirei se o menino felpudo é do um menino felpudo homoafetivo, ou biafetivo.



Bem, mas é isso, eu adoro meninos felpudos, apesar que felpudos em geral não tem grande parques de diversão como os lisinhos magrinhos moreninhos.




Sei lá, esse texto tá uma merda... mas como não esotu muito inspirado nos últimos dias, vai assim mesmo.

Peixos, me liga.

domingo, 22 de agosto de 2010

Respondendo às perguntas

A semana começou e foi passando, o que é normal até provarem o contrário. Quarta-feira à noite foi dia da aula de estágio e a primeira e única vez na semana em que veria o colega presbiteriano. Ele chegou atrasado, cumprimentou a todos nós com o olhar. Os orientadores se entreteram com uma discussão sobre as atividades e o colega me aponta um papel no chão. Pego o papel e começo a abrí-lo, ele diz que não e pede que eu leve o papel até ele. Entrego e ele me pede para esperar. Já deduzi o que ele iria perguntar, abre o papel e no verso escreve:

"Que parada é essa de amigo colorido?"

Eu eu respondo, "Ah, você sabe!". Ele me olha com cara de dúvida e eu emendo "É isso mesmo, o que isso significa para você?" e ele me cortando pergunta, "Você é?" e eu digo que sim. Ele responde falando que já sabia e eu de certa maneira penso que a minha intenção realmente foi essa.

Ao final da aula vamos embora, claro, e indo para o estacionamento andamos na frente dos outros amigos para que ele me faça perguntas do tipo, você já experimentou, há quanto tempo saiu do armário, seus pais sabem, como foi e tudo mais. Respondia de forma sucinta e finalmente vem ele tocar no assunto da religião, diz que o ato homossexual para ele é uma aberração, mas não condena os homossexuais e tudo mais, o que para ele é erro de grande parte do crentes.

Bem, o que ele falou sobre religião não assustou nenhum pouco, sem querer justificar respondi a ele que existem controvérsias em relação as interpretações bíblicas e que novas denominações tem surgido levando em conta isso. O colega disse algo que para mim é bem verdade, esses ministérios estão errados. Bem, para ele o erro está no fato delas existirem para acolher os homossexuais, para mim está nela usarem como premissa todas escrituras que condenam aos homossexuais.

Legal nisso tudo é que é notar meu preconceito para com aqueles que não sabem, ou tem certezas, sobre minha sexualidade. Também é legal notar como em quatro anos eu evoluí, pois quando entrei para Universidade eu sequer imaginei que em tão pouco tempo as pessoas mais próximas de mim saberiam e hoje sabem. Sem contar que nunca imaginei que tão rápido falar sobre minha sexualidade a alguém fosse uma questão desse alguém perguntar. O que dirá do meu preconceito ao esperar uma reação hostil do colega só por ele ser religioso.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um punhado de assunto

Decidi qual o próximo curso superior:

Errar é humano e insistir no erro é burrice. Talvez seja burrice o que vai acontecer, mas ontem decidi que, custe o que custar, irei fazer Letras/Libras. Talvez não seja custe o que custar, mas minha mãe não quer que eu fique na Educação, ganha pouco, tem responsabilidade demais, pouco reconhecimentos, essas coisas e ela acha que eu tenho um "gênio forte" para com desaforos. Devo ter mesmo e tive de quem puxar, ela. Mas por que isso seria burrice? Bem, Letras/Libras tem como principal campo o que um geógrafo licenciado faz, a Educação que consiste no meu atual emaranhado de problemas, um deles é a fobia que eu tenho de aluno e sala de aula, mas não digam a ninguém.

Agora resta saber se vou precisar recorrer ao vestibular, tentar um edital de portador de diploma ou um processo administrativo junto ao Conselho da Universidade ou sei lá, a ocasião faz o sapo pular e não sabendo que era impossível foi lá e concluiu. Frases feitas são mara. Me inscrevi no ENEM, o que talvez, quem sabe, nem seja necessário. Quem sabe minha mãe me incentive porque ela acha Libras bonito e dê para eu trabalhar com outras coisas, como interprete e cobrar a hora, como um garoto de programa. Talvez quando eu terminar essa próxima graduação eu não tenha apenas mais cultura, mas também me sinta incentivado a continuar na Educação.

A vida social:

Quem sabe eu consiga uma vida social, algo que virou artigo de luxo na minha vida porque eu não tomei muito cuidado com o que tive no passado. Então gente, economize água antes que ela vire algo como é a vida social para mim. Tudo bem, a Vaca Profana me indicou uma nova amiga, gay friendly, que costuma sair para os points - termo década de 1990 - e que tem vários amigos gays. Essa semana finalmente nos vemos, depois de mais de um mês conversando através do TIM Infinity e uma sessão de cinema frustrada pelo meu cartão de débito com a senha bloqueada. Resta agora fazermos algum programa junto, estreitar a amizade, fazer essas coisas, que me faça chorar por ela num dia que eu beber além da conta e ficar emotivo.

Fico meio mal caráter falando assim, mas já estou com certa preguiça da nossa amizade. Todo dia ela liga e eu retorno, mas as conversas estão ficando sem graça, precisamos de novidade. Sem contar que ligar às 23:00 e tanto quando eu assistia ao debate dos presidenciáveis me fez sentir um pouco no "Louca Obsessão". Vou desbloquear o cartão do débito automático e iremos ao cinema.

O Twitter é uma graça, o Blogger ficou apático e o Tumblr é interessante:

Qualquer programa na televisão fica melhor no Twitter, como o debate entre os presidenciáveis. Melhor mesmo é falar com outros blogayros, tudo bem que às vezes dou em cima deles também, mas tem uns com umas barbas ou umas coxas peludas, #lingerieday. Sorte deles morarem longe. Tudo bem, o Twitter anima e como outro blogayro disse, rede social temos, o que não temos é vida social. Aliás, rede social tem esse problema, a gente "conhece" um monte de gente, mas tudo mora longe, porém é um moço do RS que tem me causado dor de cotovelo ultimamente. Mas vai passar, sempre passa.

O Blogger perdeu a graça, ninguém mandou eu parar de comentar nos blogs alheio, mas vou voltar a fazer isso assim que eu não tiver preguiça. O meu último post além de não render um comentáriozinho sequer, até agora o IBGE, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Grupo Gay da Bahia responderam a minha pergunta. Me sinto rejeitado e subestimado. Mas deixa, eu teria estranhado se tivessem me respondido mesmo. Como o Blogger tem ficado assim, apático, eu tenho visto o Tumblr e dá vontade de criar uma página lá, ele se parece uma mistura de blog qualquer como Twitter.

Bom, agora deixa eu terminar para o meu contato aqui da igreja inclusiva lá as minhas narrações sobre o falecido, que dias atrás olhei a página dele no Picasa. Preciso limpar o chão da minha casa, como flores do campo, e juntar coragem para falar a ele que sou ateu.

Bem, peixos, me liga.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tédio do começo da noite

A Prefeitura de Goiânia vai fazer concurso para contratar novos professores. Ainda não saiu o edital, se houver vagas para minha área de formação irei fazer, mesmo que eu esteja agora frustrado com relação à licenciatura. Pretendo prestar o concurso só para desencargo de consciência, para que no futuro eu não me cobre por não ter tentado, seja passar no concurso, seja lecionar.

Não faço questão alguma de esconder isso, me frustrei com a minha escolha universitária, aliás, com a mais típica das atuações profissionais que a minha graduação permite, a licenciatura. Insatisfeito, me inscrevi no ENEM, vou ver se faço outra graduação, preferencialmente na Federal. Qual graduação ainda não sei bem qual. Gosto da área ambiental, coisa que um bacharelado na minha graduação me permite fazer, pena ter a concorrência de outras áreas. Gosto de TI, para ser mais exato, Telecomunicações, mas o campus do IF onde tem o curso fica um tanto quanto distante.

Bem, ainda não fiz muitas expectativas a respeito do outro curso. Vou escolher a próxima graduação com mais calma, já que não quero me arrepender depois e mesmo assim eu ainda possa me arrepender. Resta saber que se uma vez escolhida a graduação eu poderei cursá-la, seja porque eu não colo grau, e assim encerro meu vínculo com a universidade, no final do ano, seja porque, quem sabe, o meu perfil sócio-econômico, bem como "intelectual", aja vista que já vou ter uma graduação, pode não me habilitar para uma bolsa do Pró-Uni. Pagar um curso é o que eu não vou fazer.

Enquanto isso o segundo semestre letivo do Ensino Básico brasileiro já está começando em Goiás. A Secretária Estadual da Educação dispensou todos os professores comissionados e não contratou os concursados. Não conheço todos os capítulos e não sei no que vai dar essa novela, a não ser que a Educação e o futuro dos nossos alunos, como sempre, irão para o pau. E eu quero mais é que demorem a chamar os aprovados, assim ganho tempo para concluir minha licenciatura e ver, que de repente, eu consiga ser um bom professor.

Ultimamente eu não tenho me esquentado com muita coisa mesmo nem com a Educação. Teria virado um medíocre se eu já não fosse. Mas aliás, falando em não me preocupar, estou numa fase meio individualista, de achar que cada um é, em partes, culpado, ou responsável como eu preferir, de si mesmo. Exemplo, hoje minha mãe se irritou, ao ponto de bradar louca em Cristo, porque eu estava carregando músicas no celular e não ia fazer umas coisas na cidade e que ela havia pedido antes. Ela perguntava se eu não tinha dó dela e eu respondi que não, afinal de contas, quem mandou ela ser impositiva e querer que as coisas sejam só da maneira dela? Ir naquela hora, mais cedo ou mais tarde ia dar no mesmo. Na hora de sair ela me mandou ir com Deus. Aff, eu respondi "Tenha dó!" Ela sabe que eu não acredito, diz que vai quebrar o celular e grita ao ponto de me deixar irritado ao ponto de querer que ela enfarte e me dê sossego. Claro que eu não quero que a minha mãe enfarte, é que a emoção me tira a razão e na hora a gente só pensa, não deseja e não externaliza, respira fundo o ar seco até o nariz doer.

Contudo, no fundo penso em sair de casa, fazer às coisas ao meu tempo, da minha maneira. Não gosto de nada me pressionando. Problema que para sair de casa a gente precisa de dinheiro, coisa que eu não tenho e sou um vagabundo sustentado pela mãe feroz. Além do mais tenho uma constância de solidão, sinto falta de alguém, só vejo meu círculo social reduzindo e ficar distante dos meus pais, da minha mãe ainda por cima, me faria voltar rapidamente para casa outra vez, suplicando a presença deles, ou morrer deprimido e eu morro de medo ter depressão, eu sou angustiado, mas me controlo bem.

Tudo bem, como eu havia dito, se apertar eu voltaria para casa, não tenho vergonha de dar o braço a torcer mesmo. Ok, nem sempre eu dou o braço a torcer, mas melhorei bastante e me acho melhor do que muita gente com relação a isso. Sem contar que me sinto um tanto quanto nobre.

Bem, é isso. Ah, hoje eu passava pelo Mercado Central e numa loja de coisas típicas do cerrado havia um rapaz atendendo. Não sei porque, senti que ele gostava da mesma fruta que eu além de ser bem pegalvezinho. Olhei para ele meio sorridente e ele olhou para mim, me parece que sorriu de leve e olhou fundo nos meus olhos. Bem, continuei andando, pensando "mas será que é mesmo?" e se eu não deveria ter feito outra coisa além de simplesmente ir embora.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Well, o problema social

Odeio quando as coisas fodem.

Desde muito cedo eu quis trabalhar, eu achava um máximo ter o próprio dinheiro para comprar as próprias roupas . Me escrevi num programa do Governo Estadual que emprega menores de idade a partir dos 16 anos em órgãos do Estado para fazer burocracias do tipo atender telefone, atender o público, buscar café, digitar coisas, levar processo para lá, trazer processo para cá, inventar prazo para as pessoas chatas que ligassem, falar mal da vida dos outros enquanto trabalha, pagar de hetero e dar em cima das outras meninas do programa de emprego, buscar café para os aspones e pagar conta na lotérica para a funcionária folgada. Tudo bem, eu fazia coisas que excediam minha responsabilidade, emitir empenho e ordem de pagamento por exemplo, mas eu gostava daquilo.

Passei no vestibular para estudar na Universidade Federal de Goiás saindo do Ensino Médio e caindo no superior com sendo uma promessa de nova geração de professores que garantirão o futuro do país ao educar as crianças. O curso de Geografia foi legal, mudou muita coisa na cabeça do Well, pena que a faculdade ao invés de aumentar os laços sociais do Well acabou diminuindo-os. Bem, ninguém mandou o Well ficar ateu e deixar de ir a Igreja, ao grupo de jovens, aos retiros e deixar de saber das festinhas na casa de alguém lá da paróquia.

Como entrei na Universidade com 17 anos só fui mandado embora do meu emprego lá no dia do meu aniversário, porque maiores de idade não podem participar do projeto. Mesmo assim foi legal, pois além de experimentar a possibilidade ser socioeconomicamente ativo, experimentei a possibilidade de também ser um estudante universitário nesse mesmo tempo. No entanto, o ex governador do Estado, que chamou de tempo novo a política velha a qual deu sequência, quebrou os cofres do estado e lá vai por água abaixo o tão prometido estágio concedido pelo chefe ali naquele órgão.

Agora o Well é um universitário, aprendendo que existe outra forma de entender e explicar o mundo diferentes das utilizadas pelo Datena, pelos missionários bitolados da Renovação Carismática Católica, e das dos tiozinhos do boteco que tem opinião para tudo, até sobre o que não sabem. Pena que o Well é um desempregado, e lá vai ele se candidatando a bolsas de estágio da Universidade, mas essencialmente procurar emprego na iniciativa privada.

A iniciativa privada nunca agradou o Well, que sempre teve um viés materialista histórico-dialético. O Well cansou de entregar curriculos, de falar sobre ele mesmo, de dizer coisas que ele mais odeia nele mesmo, de coisas que ele mais gosta nele mesmo, de fazer dinâmica de grupo, de se mostrar com iniciativa, diplomacia, polidez e por aí vai, porque as empresas sempre prometeram lhe ligar e nunca ligaram.

E lá  vai o Well fazer concurso público, levar pau – e no mal sentido – em todos eles. O Well é um menino sem vida social, sem consumo, interessante de acordo com o olho de quem vê, desempregado que não passa em concursos públicos, não arruma emprego na iniciativa privada e por aí vai. Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas enfim senhoras e senhores, o Well e sua história de cortar o coração não acaba assim. O Well acredita no tempo como solucionador de tudo, pois tudo é uma fase, até a sensação de relativo vagabundo e fracassado mediocre dele.

Vem o penultimo semestre da faculdade do Well, o Well continua sem vida social e se sentindo o mesmo de sempre, porém surgem novos concursos públicos. Em um o Well é um fiasco, justo no que melhor paga e fica quase na 2000ª colocação. No outro, que paga a metade, mas se trabalha menos e exige menos de escolaridade, o Well, apesar de acertar 72 pontos dos 90, fica lá 338° posição, algo não bom. Mas não é por aí Wellzinho, ainda tem aquele concurso, aquele lá! Qual?

Se o Well faz licenciatura, o Well pretende trabalhar como??? Isso! Professor! E lá vai o Well prestar concurso para ser professor da Secretaria Estadual da Educação de seu lindo estado de duplas sertanejas, tomates, soja, cana e por aí vai. Resultado, o Well passa nas primeiras colocações! Ihaa! Porém, é como diria Murphy, se tem algo que está dando certo, é porque algo vai dar errado. O problema é que o concurso é para contratação imediata e só daqueles que são professores formados, porém o Well precisa de mais seis meses na Universidade para se tornar um deles!

Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas por Deus senhores e senhores, o Well não é diferente de ninguém, o Well é normal. O Well continua o desempregado de sempre com medo de encarar outra vez aquelas psicólogas maquiadas de RH, sem vida social, se sentindo um inútil. Comovente não?

sábado, 19 de junho de 2010

Mas você vai ser professor? II

No estágio supervisionado meu colega, que é um enrústido homofóbico, e eu precisavamos lecionar algumas aulas e por em prática um projeto de intervenção planejado por nós mesmos. Tudo daria certo, porém a realidade é mais difícil do que imaginávamos, logo nossas ideias lindas não deram certo.

Os estudantes foram muito indisciplinadas e cada aula era um soco no estômago. Os estudantes têm culpa? Têm sim, mas os estagiários também, porque é função dos aprendizes de professores domarem “aqueles animais”. Além  disso, nos os estagiários, precisávamos contar também com o professor da Escola. Porém o professor efetivo saiu porque aposentou e no lugar entrou um substituto que estava professor, isso quer dizer, ele estava quebrando galho para ganhar um trocado. Resultado, ele ligou o foda-se para a turma e para nós, os estagiáros, que por sua vez, no meu caso pelo menos, também ligou o foda-se e detonou ele no relatório final de estágio, até mesmo porque ele, o professor substituto, é ex aluno do orientador.

Vinganças a parte, lá na Escola, enquanto aplicávamos nossas regências deu para perceber que a Educação está fudida (oh novidade!) não só pelos salários de fome dos professores, mas também porque os estudantes não são nenhum pouco interessados na formação deles e os professores limitados ou não interessados em resolver tal coisa.

As regências estavam um fiasco, a cada aula meu colega e eu íamos sendo massacrados pelos diabos (calma, eu num acredito que as crianças sejam diabos, porque se eu, que acredita na humanidade, acreditar que elas sejam diabos eu deixo de ser ateu). Porém tinhámos que terminar uma quantidade de regência e colocar em prática o nosso projeto de intervenção pedagógica. Todavia, nem tudo são flores (houve alguma flor até aqui?) e o que acontece conosco? Um greve na Rede Municipal de Ensino que se arrasta até hoje!

Tudo bem, danem-se as regências, o que importa é o projeto de invertenção ser colocado em prática. Arrumamos em cima da hora uma escola municipal que à rebelia do movimento de greve, estava funcionando a noite e lá vamos nós! Vem feriado, vem Copa, acervo indisponível, aparelho de DVD que não funciona, PC precisando de formatação, mas nós, eu e meu colega enrústido, nos viramos como pudemos para ajustar o projeto à realidade do Noturno e da Educação de Jovens e Adultos durante o último mês do semestre. É um estresse total, preocupação de tirar noite de sono e render o penúltimo post aqui no blog.

Iria dar tudo certo, se não tivessemos esquecido alguém. Então  quem vem fazer a vez da pedra no meio do caminho dos estagiários? A festa junina! Resultado, no calendário da escola só sobra um diazinho de letivo, no final do mês, ou no popular, fudeu, que aluno, do noturno, estudante do EAJA, vai à escola no último dia do mês fazer um projeto para ser aplicado em quatro dias.

Bem, a história não termina aqui, agora é enfrentar o professor orientador e convencê-lo que nossa prática teve tudo a ver com a realidade escolar, alunos indisciplinados, professores desmotivados sendo um ex orientado dele, um movimento de greve, feriados, Copa, Festa Junina, calendário, noites mal dormidas!

E daí que todo mundo quer passar num concurso público. Tá, todo mundo não, mas muita gente! Se o concurso for na área de formação, perfeito e esse é omeu caso. Todo mundo me parabenizou, minha mãe ganhou a semana e eu como fiquei? Vocês já ouviram Ouro de Tolo? Vejam essa versão, porque eu não gosto das originais com o Raul.

Então, me sinto daquele jeito. A diferença que mais que insatisfeito, passo no concurso e ao invés de me sentir vencido, me sinto derrotado. Porque? Salário de fome, falta de reconhecimento, falta de autonomia da escola, falta de compromisso com a Educação, estudantes indisciplinados, uma secretária de educação puxa saco, e uma infinidade coisas que depois eu falo melhor sobre elas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre esse blog

Quando eu criei esse blog, em 2007, eu tinha 18 anos. Na época eu escrevia bem menos, e acho que pior, do que escrevo hoje. O que queria na blogosfera, e ainda com o título Sempre Avante no Nada Infinito, era falar da minha sexualidade ainda não tão resolvida como pode ser hoje.

Sempre soube que eu era homossexual e lá por volta dos 18 anos, numa viagem para o interior de São Paulo, no marasmo que trazia o banco traseiro do carro em uma rodovia entre Uberlândia e Uberaba, eu resolvi finalmente ser homossexual. Sei lá como, eu tinha mais dúvidas do que certezas.

Os 18 anos foram por assim dizer, o ano da mudança para mim. Agora de um dia para o outro eu sou adulto e em algumas semanas vou fazer o que sempre quis, dirigir. Agora eu me revolto com a obrigação de ter que me alistar ciae se definido fosse, servir ao Exército, o que me faz saber que eu sou dono do meu próprio nariz, mas não do meu único corpo. Além disso, entro na Universidade que é um mundo em que não só o cheiro do ar é diferente, por causa do laboratório de anatomia humana e da grama, mas também a forma de falar, explicar e acreditar no mundo. Agora eu decidi que não vou ser o que eu passei a minha vida toda querendo me tornar, heterossexual, porque eu nunca fui. Agora estou realmente incorporando e entendendo os que foi falado naqueles 18 meses de terapia.

Então criei, depois de uns dois meses, esse blog aqui. Tentei sintetizar tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Quis falar de mim mesmo, da minha sexualidade, das minhas consciências ou o que hoje acho simplesmente ingenuidade minha naquela época e o que morro de medo de saber no futuro que o atual também possa ser. Certo era que eu queria acertar e colocar através das palavras o que eu estava sentindo e o que idealizo.

Creio que nunca tive sucesso com isso. Creio que nunca consegui porque o que eu escrevo é muito idealizado. Me perco muito escrevendo, abro muitos parênteses, sou repetitivo e acho que explico muito. Idealizo inclusive a forma como vocês vão ler e receber isso. Ou em outras palavras, me antecipo aos leitores.

Hoje dá mais prazer escrever porque sei que tem mais gente para ler e saber que sou lido. Isso satisfaz o desejo implícito de ser ouvido. Mas gosto do que escrevi no passado, do jeito errante, apesar de que me indago como pude escrever algumas coisas. Também fico contente por saber, que embora eu escreva o mesmo parágrafo inúmeras vezes, que embora eu demore uma hora para escrever coisas de se ler em três minutos, em mais linhas do que o necessário, eu sou idealista e tenho minhas utopias, se é que devo tratar o que pretendo alcançar como utopias.

Mas se bem que esse blog existe é por causa disso mesmo, ser ouvido. E ser ouvido não é só a consciência de saber que alguém vai ler e meia dúzia de gatos pingados, apesar que o Gato de Cheshire aparece pouco por aqui de tempos para cá, vá comentar, créditos ao Paulo Braccini por ser quem mais me prestigia com os seus comentários. Ser ouvido, e logo o que quero aqui, é ser saber que alguém entendeu o que quis dizer, que mesmo que não concorde comigo, o que eu tenho dito vai fazer pelo menos alguma diferença, mesmo que seja para dar mais convicção, a alguém que pense diferente de mim.

Então é por causa disso que escrevo e delongadamente contra a religião, contra Deus, contra o pastor Silas Malafaia, a favor dos direitos civis, a favor da Dilma e do PT e porque acho que homossexual não deve votar em partido de quem é contra PLC 122. E por isso que as vezes escrevo aqui, eu acho que nem eu entendi realmente o que eu falei. Sabe, é que eu sou ruim com ensaio. Da preguiça escrever o mesmo texto duas vezes.

Bem, vou continuar escrevendo aqui por causa de tudo isso que eu acredito, pelos mesmos motivos de quando escrevi no passado, embora agora tenha mais coisa diferente e eu saiba muito de quando comecei isso aqui. Algumas vezes escrevo com esses títulos parecidos, apenas parecidos, com texto de filosofia porque acho bonito se parecer Cult e filosofia é Cult.

É, não é cair em parafuso e nem crescimento em espiral. Em parafuso horizontal significa para mim, ir para algum lugar, que pelo visto nem eu sei o que é e onde fica.

P.S.: Agora sim eu fui metablogueiro.