terça-feira, 9 de abril de 2013
As cotas deram certo!
quarta-feira, 27 de março de 2013
Imigrantes, não!
segunda-feira, 18 de março de 2013
Quando um aluno me matou
sexta-feira, 8 de março de 2013
Um ode(ie) ao funk e ao arrocha
Hoje no último horário coloquei algumas músicas brasileiras sobre a mulher. Não não, não coloquei o Ensino Fundamental para ouvir Caetano Veloso, até eu que tenho que dar aula em três turnos hoje morreria de sono. Peguei músicas nacionais, das mais recentes a no máximo dos anos 80, do rock, falando sobre as mulheres e promovendo suas personalidades. Rolou J Quest, Rita Lee, Charlie Brown, Capital Inicial, Skank, Pitty, O Rappa, Engenheiros, enfim. Os alunos a todo momento apareciam com seus pen drives, que a julgar pelo gosto musical deles deveriam estar infestados de vírus, e pediam que eu colocasse Mc Catra, funk, arrocha, Gustavo Lima, e afins. Eu respondia com um irônico mas cordial não a todos. Em outros eu dava tapinhas nas costas e mandava ir prestar atenção na música.
Bom, nenhum deles gostaram disso e reclamaram não estar gostando, pelo menos muitos deles manifestaram isso e ninguém em contrário. Ana Carolina e eu continuamos com o rock. Ao final quando tocou o sinal todos foram embora e os alunos passavam por mim reclamando:
- Nossa professor, como suas músicas são ruins.
E eu prontamente respondia:
- Sério? - de um jeito que só quem me conhece pessoalmente sabe como eu falo.
Não, não se trata dessa narrativa uma crônica sobre conflito de gerações. Aliás, acho isso bem cafona, repetitivo e por assim dizer, superficial. Até mesmo porque eu deleito em meus 23 anos e sendo assim penso inexistir um conflito de gerações de verdade. A juventude, a qual faço parte, é sempre vista como idiota, alienada e inútil pelas gerações mais velhas. Mas quero apenas citar um exemplo de como a inteligência é outra dessas coisas que o exercício é que faz, de que como quando nos acomodamos com algo que nos parece o melhor e mais fácil é difícil de mudar.
Não sou contra que as pessoas ouçam arrocha e funk, embora Mc Catra e afins são intragáveis para o meu auto determinado refinado QI e bom gosto musical. Fora também porque penso que música também serve para recreação e é assim que vejo essas "canções" (só eu sei o conflito que desenvolvo agora comigo mesmo para se referir assim a aqueles sons ouvidos pelos meus alunos). Porém a inexistência de reflexão que eles, os alunos e a massa da qual fazem parte, tem sobre a qualidade dessa música e a intransigência para se abrir e a pelo menos conhecer outras possibilidades acho de uma burrice tremenda.
Com relação a ação perante aos meus alunos de agora em diante? Vou insistir sempre que tiver a oportunidade com meu gosto musical "ruim" aos seus ouvidos atrofiados. Sei que a muitos não vão mudar e sequer são obrigados a mudar. Pelo menos não poderão falar que alguém, algum dia, escancarou-lhes uma oportunidade de ouvir uma música diferente e melhor das quais eles tanto "apreciam".
Rausto!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Memórias do vigésimo segundo
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Agora preciso traçar novos planos
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Mas você vai ser professor (forever)?
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Um punhado de assunto
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Tédio do começo da noite
terça-feira, 29 de junho de 2010
Well, o problema social
Odeio quando as coisas fodem.
Desde muito cedo eu quis trabalhar, eu achava um máximo ter o próprio dinheiro para comprar as próprias roupas . Me escrevi num programa do Governo Estadual que emprega menores de idade a partir dos 16 anos em órgãos do Estado para fazer burocracias do tipo atender telefone, atender o público, buscar café, digitar coisas, levar processo para lá, trazer processo para cá, inventar prazo para as pessoas chatas que ligassem, falar mal da vida dos outros enquanto trabalha, pagar de hetero e dar em cima das outras meninas do programa de emprego, buscar café para os aspones e pagar conta na lotérica para a funcionária folgada. Tudo bem, eu fazia coisas que excediam minha responsabilidade, emitir empenho e ordem de pagamento por exemplo, mas eu gostava daquilo.
Passei no vestibular para estudar na Universidade Federal de Goiás saindo do Ensino Médio e caindo no superior com sendo uma promessa de nova geração de professores que garantirão o futuro do país ao educar as crianças. O curso de Geografia foi legal, mudou muita coisa na cabeça do Well, pena que a faculdade ao invés de aumentar os laços sociais do Well acabou diminuindo-os. Bem, ninguém mandou o Well ficar ateu e deixar de ir a Igreja, ao grupo de jovens, aos retiros e deixar de saber das festinhas na casa de alguém lá da paróquia.
Como entrei na Universidade com 17 anos só fui mandado embora do meu emprego lá no dia do meu aniversário, porque maiores de idade não podem participar do projeto. Mesmo assim foi legal, pois além de experimentar a possibilidade ser socioeconomicamente ativo, experimentei a possibilidade de também ser um estudante universitário nesse mesmo tempo. No entanto, o ex governador do Estado, que chamou de tempo novo a política velha a qual deu sequência, quebrou os cofres do estado e lá vai por água abaixo o tão prometido estágio concedido pelo chefe ali naquele órgão.
Agora o Well é um universitário, aprendendo que existe outra forma de entender e explicar o mundo diferentes das utilizadas pelo Datena, pelos missionários bitolados da Renovação Carismática Católica, e das dos tiozinhos do boteco que tem opinião para tudo, até sobre o que não sabem. Pena que o Well é um desempregado, e lá vai ele se candidatando a bolsas de estágio da Universidade, mas essencialmente procurar emprego na iniciativa privada.
A iniciativa privada nunca agradou o Well, que sempre teve um viés materialista histórico-dialético. O Well cansou de entregar curriculos, de falar sobre ele mesmo, de dizer coisas que ele mais odeia nele mesmo, de coisas que ele mais gosta nele mesmo, de fazer dinâmica de grupo, de se mostrar com iniciativa, diplomacia, polidez e por aí vai, porque as empresas sempre prometeram lhe ligar e nunca ligaram.
E lá vai o Well fazer concurso público, levar pau – e no mal sentido – em todos eles. O Well é um menino sem vida social, sem consumo, interessante de acordo com o olho de quem vê, desempregado que não passa em concursos públicos, não arruma emprego na iniciativa privada e por aí vai. Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas enfim senhoras e senhores, o Well e sua história de cortar o coração não acaba assim. O Well acredita no tempo como solucionador de tudo, pois tudo é uma fase, até a sensação de relativo vagabundo e fracassado mediocre dele.
Vem o penultimo semestre da faculdade do Well, o Well continua sem vida social e se sentindo o mesmo de sempre, porém surgem novos concursos públicos. Em um o Well é um fiasco, justo no que melhor paga e fica quase na 2000ª colocação. No outro, que paga a metade, mas se trabalha menos e exige menos de escolaridade, o Well, apesar de acertar 72 pontos dos 90, fica lá 338° posição, algo não bom. Mas não é por aí Wellzinho, ainda tem aquele concurso, aquele lá! Qual?
Se o Well faz licenciatura, o Well pretende trabalhar como??? Isso! Professor! E lá vai o Well prestar concurso para ser professor da Secretaria Estadual da Educação de seu lindo estado de duplas sertanejas, tomates, soja, cana e por aí vai. Resultado, o Well passa nas primeiras colocações! Ihaa! Porém, é como diria Murphy, se tem algo que está dando certo, é porque algo vai dar errado. O problema é que o concurso é para contratação imediata e só daqueles que são professores formados, porém o Well precisa de mais seis meses na Universidade para se tornar um deles!
Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas por Deus senhores e senhores, o Well não é diferente de ninguém, o Well é normal. O Well continua o desempregado de sempre com medo de encarar outra vez aquelas psicólogas maquiadas de RH, sem vida social, se sentindo um inútil. Comovente não?
terça-feira, 22 de junho de 2010
É que fracasso me subiu à cabeça.
Em Goiânia está deflagrado um movimento de greve dos professores municipais. Os professores estão pedindo plano de carreira para os agentes educacionais, isto é, os funcionários responsáveis pela limpeza, pela merende, pelas rotinas administrativa da escola e também estão pedindo para que o a prefeitura pague o piso nacional para professores, que é atualmente é R$1312,85.
Bem, a Prefeitura naturalmente não vai pagar e olha que o prefeito é do PT e professor licenciada da Faculdade de Medicina da UFG. A alegação é a clássica, o Município não tem dinheiro para isso, apesar da ampla propaganda patrocinada pela Prefeitura na Televisão e no Rádio.
Semana passado os professores se aglomeraram em frente a Secretaria Municipal de Educação e a Guarda Municipal expulsaram os professores com cacetes e spray de pimenta. O que me deixa irritado nisso não é tanto a truculência do Estado ou a hipocrisia política e sim a visão da população.
Não sei se a imprensão minha, mas tanto quanto dizer que uma ditadura gay, censura a imprensa está surgindo, parece que chamar qualquer aglomeração agora também é terrorismo e está todo mundo dizendo que os professores são terroristas e principalmente egoístas, estão pensando só no bem deles, que se estão insatisfeitos que vá empacotar compras no supermercado.
Li isso em algumas comunidades do Orkut.com e novamente outro soco na barriga me veio e aquela pergunta de sempre: “Mas você vai ser professor?”
Quem dera se os professores pensassem só neles, esse que é o problema, todo mundo acha e até mesmo alguns professores que o Magistério rima com Sacerdócio e não é. Professores também tem necessidades, também são bombardeados pelo consumismo, também precisam atender com dignadidade as boas condições de vida e material.
O que me estarrece é a opinião alienada das pessoas que atribuem o fracasso da Educação somente aos professores, quando ele é atribuído a todos entes. A superciliadade das ideias são tantas que usam terminologias da moda como terroristas para causarem efeito e sequer vão em cima do Estado exigir, como os professores, que embora existam muitos desmotivos sim, estão em busca de alguma melhoria.
Pior é o Prefeito no Twitter imaginar que o problema da Educação seja resolvido apenas com verba, verba e mais verba. Lisongeado ele diz que a Prefeitura gasta 26% do orçamento com Educação. Enquanto gestor público deveria ele pensar que Educação também é uma questão de planejamento e acompanhamento.
Depois esbulgalham os olhos porque eu passo em um concurso público e me sinto derrotado mesmo assim. Eu que me prepare, porque na rede Estadual de ensino, salários, condições de trabalho, interesses em resolver as questões por parte dos professores e ingerência política, principalmente com a volta eminente de Marconi Perillo, vão ser bem piores.
sábado, 19 de junho de 2010
Mas você vai ser professor? II
No estágio supervisionado meu colega, que é um enrústido homofóbico, e eu precisavamos lecionar algumas aulas e por em prática um projeto de intervenção planejado por nós mesmos. Tudo daria certo, porém a realidade é mais difícil do que imaginávamos, logo nossas ideias lindas não deram certo.
Os estudantes foram muito indisciplinadas e cada aula era um soco no estômago. Os estudantes têm culpa? Têm sim, mas os estagiários também, porque é função dos aprendizes de professores domarem “aqueles animais”. Além disso, nos os estagiários, precisávamos contar também com o professor da Escola. Porém o professor efetivo saiu porque aposentou e no lugar entrou um substituto que estava professor, isso quer dizer, ele estava quebrando galho para ganhar um trocado. Resultado, ele ligou o foda-se para a turma e para nós, os estagiáros, que por sua vez, no meu caso pelo menos, também ligou o foda-se e detonou ele no relatório final de estágio, até mesmo porque ele, o professor substituto, é ex aluno do orientador.
Vinganças a parte, lá na Escola, enquanto aplicávamos nossas regências deu para perceber que a Educação está fudida (oh novidade!) não só pelos salários de fome dos professores, mas também porque os estudantes não são nenhum pouco interessados na formação deles e os professores limitados ou não interessados em resolver tal coisa.
As regências estavam um fiasco, a cada aula meu colega e eu íamos sendo massacrados pelos diabos (calma, eu num acredito que as crianças sejam diabos, porque se eu, que acredita na humanidade, acreditar que elas sejam diabos eu deixo de ser ateu). Porém tinhámos que terminar uma quantidade de regência e colocar em prática o nosso projeto de intervenção pedagógica. Todavia, nem tudo são flores (houve alguma flor até aqui?) e o que acontece conosco? Um greve na Rede Municipal de Ensino que se arrasta até hoje!
Tudo bem, danem-se as regências, o que importa é o projeto de invertenção ser colocado em prática. Arrumamos em cima da hora uma escola municipal que à rebelia do movimento de greve, estava funcionando a noite e lá vamos nós! Vem feriado, vem Copa, acervo indisponível, aparelho de DVD que não funciona, PC precisando de formatação, mas nós, eu e meu colega enrústido, nos viramos como pudemos para ajustar o projeto à realidade do Noturno e da Educação de Jovens e Adultos durante o último mês do semestre. É um estresse total, preocupação de tirar noite de sono e render o penúltimo post aqui no blog.
Iria dar tudo certo, se não tivessemos esquecido alguém. Então quem vem fazer a vez da pedra no meio do caminho dos estagiários? A festa junina! Resultado, no calendário da escola só sobra um diazinho de letivo, no final do mês, ou no popular, fudeu, que aluno, do noturno, estudante do EAJA, vai à escola no último dia do mês fazer um projeto para ser aplicado em quatro dias.
Bem, a história não termina aqui, agora é enfrentar o professor orientador e convencê-lo que nossa prática teve tudo a ver com a realidade escolar, alunos indisciplinados, professores desmotivados sendo um ex orientado dele, um movimento de greve, feriados, Copa, Festa Junina, calendário, noites mal dormidas!
E daí que todo mundo quer passar num concurso público. Tá, todo mundo não, mas muita gente! Se o concurso for na área de formação, perfeito e esse é omeu caso. Todo mundo me parabenizou, minha mãe ganhou a semana e eu como fiquei? Vocês já ouviram Ouro de Tolo? Vejam essa versão, porque eu não gosto das originais com o Raul.
Então, me sinto daquele jeito. A diferença que mais que insatisfeito, passo no concurso e ao invés de me sentir vencido, me sinto derrotado. Porque? Salário de fome, falta de reconhecimento, falta de autonomia da escola, falta de compromisso com a Educação, estudantes indisciplinados, uma secretária de educação puxa saco, e uma infinidade coisas que depois eu falo melhor sobre elas.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
E o bullying
Bullying consiste em agressões verbais, físicas, morais, psicológicas. A vítima e o agressor estão inseridos numa relação onde existe desigualdade de poderes sendo a vítima, lógico, o mais fraco. Além disso a vítima se sente desassistida, é coagida a ficar calada, em outra palavras, ela sofre silenciosamente. O bullying está presente em vários ambientes, é uma fenômeno mundial e em muitos países, inclusive nos mais desenvolvidos, acontece no ambiente escolar.
Eu também fui vítima de bullying, não sei se é comigo, mas na minha concepção meus colegas, principalmente os meninos, pegavam pesado comigo. Eu era xingado, agredido, tentava me relacionar com os agressores, mostrar que eu poderia ser um bom amigo, mas eu não conseguia. Bem, a fase que eu acho pior foi entre a sexta série do Ensino Fundamental e o Ensino Médio. A oitava série foi a mais crítica.
Eu tinha ódio dos meus colegas, hoje não, mas saiam para lá que eu não gosto de vocês. Os motivos que eles pegavam no meu pé, falar sobre eles ainda me dão vergonha e acho melhor deixar isso para uma outra fase. Sim, porque o bullying me causa vergonha, embora eu tenho racionalizado que não seja motivo para tal. Mas razão é uma coisa, emoção é outra.
Embora eu fosse vítima de bullying eu também o praticava. O bullying abaixava a autoestima da gente e uma forma levantá-la era abaixando a autoestima dos outros. Sim, uma grande bárbarie. Bem, não sei, mas meu bullying nunca surtia os mesmos efeitos e eu tinha o superego aflorado, ou seja, respeitava as regras e não porque as pessoas.
Existiam dias que eu não queria ir a escola. E eu já havia contado para a minha mãe, ela dizia para eu xingar meus colegas também. Meu pai dizia para eu ignorar, porém ignorar não era fácil assim, quando eu andando pelo corredor era alvo de bolas de papel ou chutes de quatro moleques. Só faltava ele falar para eu bater em quatro meninos maiores do que eu. Meu pai nunca falou isso, mas a minha mãe já. Louca!
Queria que meus pais fizessem alguma coisa, mas eles não faziam. Diziam que iam a escola, mas não iam ou então diziam que não poderiam ir até lá porque trabalhavam, porque minha mãe chegava cansada da trabalho, enfim. A vez que mais fiquei com raiva também dos meus pais foi quando um menino me xingou de bicha e como ele era do mesmo tamanho que eu taquei um soco na boca dele.
Bem, na verdade foi assim, o soco foi bem dado, ele ficou chorando e com a boca sangrando, as colegas foram conso-lá. A professora disse que deveríamos resolver as disputas no diálogo e com o perdão e fez com que nós dois nos abraçassemos. De certa eu gostei disso, porque eu estava com medo de ir para a sala da Elmiuce, a coordenadora pedagógica, e arcar com as consequências que os outros alunos nunca arcaram. Eu já sabia que o mundo naquelas ocasiões sempre conspiraria contra mim, afinal, everybody hate the Well.
Mas eu fiquei com raiva dos meus pais porque no dia seguinte quem vai lá na escola não para conversar com os professores, mas sim para “conversar” comigo, a mãe do moleque que eu bati, meus pais nunca fizeram o mesmo por mim. A mulher disse que se eu batesse no filho dela de novo ela iria na Secretaria de Educação, denunciaria a mim, aos meus pais que eu amava mesmo assim, a direção da escola e os professores. Bem, o filho dela podia chamar os outros de bicha e bater neles quando bem entendesse e eu não podia me defender não é?
Dizer aos professores, eu também já pensei, mas eles faziam vistas grossas, não sabiam lidar com o tema, faziam aqueles discursos do tipo que eu tenho que aprender a lidar com meus problemas, que pedir para os outros resolverem meu problema nunca me ensinará resolvê-los.
Enfim, meu problema não era problemas deles e nem da escola? E o que afinal de contas é resolver os próprios problemas para essa gente? Pegar uma arma, levar para a escola e atirar em todo mundo? Virar o primeiro caso brasileiro noticiado de school shoteer? E eu já pensei nisso, existiam dias que eu não queria ir a escola, a segunda feira me dava medo não porque era segunda feira, mas porque eu sabia que dali durante cinco dias eu seria agredido, xingado, perseguido. Então eu pensava e se eu tivesse uma arma?
Hoje na Universidade estudando sobre school shooters e bullying eu entendo perfeitamente o lado dos atiradores. Tiravam boas notas, eram diplomáticos, tratavam todos bem, mas ninguém via ou se recusava a ver que eles eram oprimidos, que os colegas os agrediam. Resumidamente, por isso que eles entravam na escola e matavam as pessoas.
É muito certo que o bullying influenciou no meu subjetivo e não influenciou boas virtudes. Parte da minha insegurança, do meu ódio ao meu corpo, enfim, vem de lá certamente. Eu sei o que é bullying na pele do oprimido que não é de todo inocente, mas na tentativa de se defender quando sabe que não pode contar com a ajuda de ninguém acabam fazendo o que nem sempre é o melhor como também praticar bullying, agredir os colegas, fugir da escola, odiar os dias da semana ou até mesmo matar as pessoas com armas. A diferença é que Datena não é chique como a CNN.
Mais ridículo nisso tudo era ir a Igreja, as reuniões da juventude missionária e ouvir coisas do tipo ofereça a outra face, perdoe os seus inimigos. A minha questão não era oferecer a outra face, aliás, eu nem precisava oferecer a outra face. Perdão é algo bom realmente, mas não confunda perdão com indugência e nem pense que ele é algo que venha assim, do nada. Para mim perdão é trabalhado e demora, vem quando a pessoa consegue. Ridículo, quando lembro da Igreja, d’eu pedindo a Deus para me ensinar a perdoar, para fazer os outros alunos pararem de me agredir, sei o quanto que fé é algo ridículo, Deus é ridículo.
O próximo que falar que é através dos caminhos das pedras que se chega a redenção vou mandar tomar no cu.
Deus e nem ninguém me ajudou, o primeiro porque existiu só na minha consciência de me achar incapaz e acreditar que preciso de algo maior e mais forte para resolver os problemas que são humanos, materiais, e na consciência dos outros. O segundo, enfim, é o que tem para hoje.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Sem chão
O dia 18 de maio de 2010 não vai sair da minha cabeça. Levarei-o pelo resto da minha vida, para bem ou para mal. Talvez, e eu quero, que ele sirva para que eu dê risadas para quando eu souber mais do que sei hoje. Mas rir agora do que houve na manhã da terça-feira eu não consigo.
Meu otimismo acabou ou entrou em um eclipse que tomara não perdurar até domingo, dia da prova do concurso da Secretaria Estadual de Educação. Queria fazer a prova inspirado. De toda forma farei a prova, mesmo que eu não queira nunca mais saber de sala de aula, pelo menos por agora. Mas farei para que minha razão não me cobre por uma burrada que fiz num passado de emoção.
Na terça-feira foi a tomada de consciência da minha incompetência, inexperiência após um massacre perpretados por um monte de pré adolescentes. Daquela aula saí sem chão, sem instrumentos, sem norte ou horizonte e pensando que não é tarde para mudar de curso.
Talvez seja desespero meu, mas me sinto desolado, quatro anos para tão pouco. Concurso safado, governador safado, tempo novo safado, país falido. Ninguém se importa com Educação, embora todos devessem. Salário de fome, estudar tanto para no final das contas ganhar R$1314,00 por 40 horas. Outra secretaria do estado, a da Saúde, está pagando 1200 e qualquer coisa para quem tem ensino fundamental trabalhar de recepcionista.
E o Estado ainda quer que os jovens façam licenciatura? Quem vai fazer licenciatura? Talvez um tapado como eu lá por volta dos 17 anos confundindo paixão por uma ciência que mal conheça e os afãs messiânicos para com o futuro do país e da Educação. Que se danem a Educação, o futuro dos outros, assim também os seus filhos. Sequer preocupam com seus filhos.
Quem se importa? Nem mesmo os próprios professores em muitas das vezes com suas atuações mediocres, seus salários de fome e com suas ilusões. Olha só, até o concurso para contratação de professores foi prorrogado.
A Secretaria Estadual da Educação protegeu os alunos, eles não precisam usar uniforme, não precisam chegar no horário, não podem ser expulsos ou reprovados. O Ministério Público não deixa reprovar aluno. Também não deixa expulsar. O Ministério Público é ótimo, com leis e as leis falam que ninguém pode ser expulso da escola porque isso é cercear o acesso a Educação. O Ministério Público entende de Leis, mas as Leis não entendem de Educação.
O Ministério Público deveria tomar no cu. O Ministério Público não, todo mundo, dos mais endiabados dos alunos até as pessoas do horário política, deveria tomar no cu quando o assunto é educação. Aquela velha morfética falando das escolas modelos deveria ser a primeira e a adolescente falando das escolas em tempo integral merecia um implante de cerébro, além de tomar no cu.
As escolas modelos não tem papel A4, as escolas em tempo integral não tem refeitorio e nem duchas. Além disso o Ministério Público não sabe nada de Educação, se souber deve ser aquela visão romântica do Içami Tiba. Na prática a realidade é outra. Foi lá onde eu tomei no cu e não gostei. Por isso todo mundo que fala assim da educação deveria tomar no cu como eu tomei e vou continuar tomando. Até quando eu não sei.
Uma que deveria tomar no cu também é secretária estadual da educação. Odeio o gerundismo dela, além disso ela se veste mal, todo mundo vê que ela veste Renner misturada com Riachuelo, coisa mais classe C alienada querendo pagar de Classe B, usando daquilo que a Classe B acha barato e feio e é mesmo. Odeio aquela cara de perua botolínica. Todo criminoso deixa uma assinatura. Cirurgiões plásticos também porque tem várias não emparentadas da secretária com o mesmo sorriso.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Um dia de cão
Eu tentei uma vez, tentei outra vez, tentei mais outra vez. Tentei ser legal, ser palhaço, ser sério, carrancudo, mas não deu certo. Levando o data-show para a secretaria da escola lá estão um monte de gente, coordenador pedagógico, secretária chefe, coordenadora de turno, diretora e perguntam outra vez em unissono:
- Eaeh?
E eu digo:
- Amanhã (no caso hoje – data dessa postagem) eu faço 21 anos, ou seja, se eu começar outra graduação que não tenha nada a ver com educação eu ainda vou me formar novo.
- Estamos falamos, eles (os alunos) massacram.
- Lá na Universidade é tudo bonito, agora você acredita que aqui é diferente.
- Não tem jeito, eles não querem aprender.
Coitado de mim. Pobre menino sonhador, acordou para a vida. Não quero admitir, mas os alunos são realmente alunos. Bando de filhos da puta, sem luzes. O pior que o mais filho da puta e sem luz sou eu, quatro anos praticamente em uma Universidade, lendo tanto, pensando tanto e não dou conta de dar um jeito nos guris. Os alunos são uns filhos da puta, mas não tanto quanto eu. Que fiasco, não conseguir dar uma aula que preste é um fiasco. Será que se eu fosse um médico deixaria o paciente morrer?
Estava assistindo hoje a tarde os capítulos que faltavam de Glee para entrar em sincronia com a exibição da série. Lá pelas tantas do episódio 18, o telefone fixo toca. É pap ligando, adoro ID de chamada. Por causa disso nem atendo telefones cujo DDD comece com 4 ou 5. Sempre é algum separatista lá do Sul vendendo assinatura de revistas ou cartão de crédito em troca de um salário mínimo de fome.
- Pai.
- Cadê sua mãe?
- Pondo roupas na máquina.
- Vem aqui no Hospital [/a barriga do Well vai glaciando progressivamente] de Urgências me buscar, porque eu caí da moto!
- Tá, mas e você, como está? [/voz meio tremula]
- Não, estou bem, mas preciso ir para outro hospital. Vem logo! Mas cuidado como vai falar para a sua mãe!
Quando meu pai fala que está bem, mesmo que ele não esteja necessariamente bem como queríamos, dá para respirar aliviado. Meu pai é muito prático, só diz que está com dor quando estar com dor. Não tem nada com ele que não pode ser resolvido com um pouco de palavras. Ele é um ótimo adepto de o que não tem solução, solucionado está. Vou puxá-lo nisso eu acho.
- Mãe, não fica preocupada, meu pai caiu da moto, está tudo bem, ele disse para eu ir lá pegar ele no hospital. [/sorriso “Olá, vamos fazer seu cartão Hipercard hoje?” style]
- [/minha mãe incorporando a Maria do Bairro] Como assim está tudo bem? [/eu fazendo cara de Soraya Montenegro na parte que ela diz: “Calma Maria do Bairro”] Ele está bem?
- Está, estou indo lá oh, peixos me liga!
- Eu vou com você.
- Aí meu coo, você vai enrolar.
- Eu vou, é meu marido! E a moto?
- Mandou lembranças?
- O quê?
- Ah, num sei, liga para o meu pai e pergunta, depois que sairmos!
E assim foi o dia lindo, com os capetas da escola, alunos carrascos e funcionários para dar apoio moral, e os capetas do serviço público de saúde. Que coo, vai para classificação de risco, consulta com médico, tira raio X, consulta com médico de novo, toma injeção, faz curativo, põe atadura. Aproveito e ligo na Vivo para comer o cu deles ou os 30.000 pontos de volta. Faço cara de dózinha para aqueles adolescentizinhos munitinhos que vão chegando com a mãozinho, o pézinho quebradinho, torcidinho, deslocadinho, luchadinho, e penso, tão bonitinho, tão dodói, deve ser outro filho da puta que fode com a vida e a autoestima profissional do professor.
Saímos lá do pronto socorro ortopédico as 22:30. Eu cansado, chateado, minha mãe ligando para família nos quatro canto do estado para dar notícias, o rádio ligado na CBN e eu pensando, como essa vinheta é melhor do que ouvir a mesma história pela quinta vez. Por fim, resta passar no pit dog e comprar uns X-tudos.
Enfim, feliz 21° outono Well.
P.S.: Por mais que quem eu deseje ganhe as eleições, continuarei não confiando na Previdência Social. O que é melhor, VGBL ou PGBL?
domingo, 4 de abril de 2010
Sobre a política SIM
Leio blogs e em alguns vejo seus autores se posicionando contrários à dimensão política que é dada à nossa sexualidade. Respeito as opiniões, só não me convenço delas, porque não acredito que a homossexualidade em meio a nossa conjuntura não envolva questões políticas. Também não acredito que seja viável aos homossexuais viver e manifestarem de forma plena suas sexualidades sem utilizar de política.

Talvez falte em nós, pessoas vivendo em sociedade, empatia e assim entendermos que não é porque algo não nos é útil, ou aparemente inútil, é que elas vão ser desnecessárias. Por causa disso aceitamos justificarem que é mais importante cuidar das crianças morrendo graças ao tráfico de drogas do que dos homossexuais mortos a quase dois dias no Brasil, como se um atrapalhasse a resolução do outro.
Não que eu vá adotar uma criança, até mesmo porque do fundo do meu coração não gosto muito de criança, mas não vejo como errado casais homossexuais requisitarem esse direito. E pode ser que muitos homossexuais não se interessem por isso, mas eu pretendo me casar com alguém no melhor estilo que seja infinito enquanto dure e ter com tal homem os mesmos direitos que um casal heterossexual tem, sem para isso precisar acionar Ministério Público, ir aos sensacionalistas jornalecos regionais do horário do almoço, mover processo na Justiça, aguardar julgamento do STF sobre constitucionalidade da causa, enfim.
Por causa dessa empatia, é que me recuso veementemente as propostas umbicistas dadas por alguns blogueiros homossexuais para se viver a sexualidade. Um dia li um em que o autor se gabava da posição social e ignorava o que a sociedade dizia a respeito dele. Além do mais, num discurso que para mim no fundo era derrotista, apesar do tom de vitória, tal autor falava que preconceito sempre existiu e sempre existirá, subentendo para mim pelo menos, que nada tem para ser feito.
O equívoco de tal autor para mim foi imaginar que os que as pessoas falam pelas costas vão ficar só nas palavras e ainda por cima, pelas costas. As palavras vão repercutir ações, se não para tal autor, para outro homossexual, inclusive para os que não são supostamente perfeitos como ele, até mesmo porque, a perfeição não é uma obrigação a ninguém e as pessoas não são perfeitas. Eu não sou, o autor que lia também não - embora ele aparentemente pensasse o contrário, quem lê esse texto não é e se o inferno existisse, iria todo mundo para lá.
Boa parte dos homossexuais não são providos de capacidades morais, intelectuais, emocionais, financeiras e porque não físicas – pois a violência já foi inventada; para viverem enquanto homossexuais. Pessoas são desprezadas, jogadas para fora de casa, têm emprego recusado, são apontadas e acusadas na rua, no melhor estilo Geysi Arruda, e ainda tem gente colocando fé que a solução é elas se virarem, num discurso meritocrático, colocando a culpa no indivíduo, quando essa culpa pertence ao folclórico SISTEMA (huahuahuahuahuahua eu vou pegar você) social de construção de valores e normatizações.
Articulações políticas não é choramingo. Questiono até se essa visão de articulações políticas – como as que reclamam por RR Malafaias, Silas Macedos, Edir Soares usarem concessões públicas de televisão para disseminar preconceitos, seja contra sexualidade, seja contra outras denominações religiosas – não tem a ver com, não só a falta de cultura política dos brasileiros que muitos afirmam não termos, com o período, que não vivi ainda bem, da Ditadura Militar em que os posicionamentos políticos diferentes do status quo eram calados com violência e ideologia.
Articulações políticas para mim não é só empunhar bandeiras e reconheço muito aqueles que a elas empunham. Articulações políticas são possiveis de diversas maneiras, dos comentários sutis que desconstroem preconceitos numa fila de banco, até mesmo as minhas ações futuras enquanto docente e utópico formador humano, aos votos que todos aqui maiores de 16 anos têm direito, enfim. Não existem sexualidade apolítica e tratá-la como tal para mim é alienção, termo que para mim é uma baita duma ofensa.
Posso estar sendo esse jovem utópico na visão, principalmente dos mais experientes. Mas não me conformo com a situação em que vivo e creio que todos nós, homossexuais, devemos fazer algo, a maneira de cada, para mudar isso e não tapar o Sol com a peneira.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Sobre a libras
Falar para eu mesmo que sou gay foi complicado porque gay não significava apenas quem gostasse de pessoas do mesmo sexo. Embora fosse repetido e eu tentasse acreditar, ainda tinha comigo a imagem de que gay é mais do que é isso, aliás, é menos do que os outros, que gay é inferior.
E sabido, pelos padrões sociais que são empurrados, que temos que ser perfeitos, dentro daquilo que é colocado pelas instituições, pela publicidade, que diga-se de passagem é uma coisa que faz mal e está serviço dele, e pelo consumo como perfeito. Na construção do impõe como pessoas perfeitas, coisa que tento alcançar as vezes sem me dar conta, não entra o homossexual, apesar que tenham aí um discurso dissonante, mas ainda sim mínimo querendo mudar isso.
Pronto, agora assumi para mim que sou gay, mas acabei admitindo para mim também que sou inferior no fundo também. Na verdade não assumi que sou gay, admiti que sou bissexual, porque é menos pior, apesar que de mulher mesmo nunca tivesse eu gostado e nunca fui bissexual, também decidi que não faria amizades com pessoas do “meio”, não deixaria ninguém saber disso e por aí vai. Conforme vou incorporando que não é inferior, vou evoluíndo, conto para terapeuta, que já sabia é claro, para amigos, pais, e alguns lugares públicos pouco me importa saber se os outros vão entender isso, que eu sou homossexual mesmo, na maior parte do tempo passivo.
Fazer Libras foi também uma realização pessoal na qual serviu também para eu fazer todas essas reflexões que coloco nesse texto. Não que eu não soubesse disso tudo que estou escrevendo aqui, é que eu não tinha sistematizado para mim mesmo do modo claro que até eu entendesse, o que faz com que eu conclua que o processo de auto-observação e auto-entendimento é delongado e contínuo.
Aos poucos fui me conhecendo e aos poucos fui perdendo o medo que tive de mim, porque passei aos poucos a me entender. Com surdos, com cegos, com pessoas com deficiência mental, cadeirantes e tudo mais é a mesma coisa, apesar que penso que auto-aceitação, pelo menos para aqueles com deficiência nativa, não tenha sido o caso.
Mas no fundo quando pensamos nessas pessoas, mesmo que queiramos ser inclusivos, somos preconceituosos, porque temos medo de magoá-las e não entendê-las como é o meu caso. Mas ainda bem que posso me dar ao luxo de ser racional usando dessas emoções que me vêm agora, revolta, vergonha, orgulho, satisfação, medo, inconformismo, porque assim posso me dar conta do quão limitado eu é que sou e como se aprende a cada a instante.
Não não não! As melhores lições não são essas que estão escritas em longas dissertações, teses, artigos, livros, palestras e tudo mais. As melhores lições são essas que se assemelham à Libras, as que de tão simples que são acabam se tornando complicadas serem percebidas, aprendidas como os seus sinais e gramática, que se assemelham à essa reflexão que fiz e que certamente não estava na ementa da disciplina.
Aliás, porque estou escrevendo isso? Pouco importa. Estou atrasado para o lançamento do livro da Vaca Profana.
terça-feira, 9 de março de 2010
Sobre um trauma da infância ou a Educação da Autonomia
Ontem me lembrei de um trauma da infância. Na pré alfabetização a professora levou até nós folhas de papel A4 nas quais estavam desenhadas espigas de milho. Deveriamos pintar as folhas da espigas desenhadas de verde, eu quis pintá-las de bege porque na chácara do meu avó eu vi uma espiga de milho com folhas beges, na verdade secas. A professora gritou comigo, ela era muito brava, e disse que eu era louco porque não existia espiga de milho bege. Todos meus colegas riram de mim e eu fiquei com vergonha.
Ok, eu pintei então as folhas da espiga de milho de verde claro com contornos em verde escuro. Enquanto fazia isso, a professora passou por todas carteiras deixando pedaços de papel amarelo que deveriamos cortar com os dedos pedacinhos, embolá-los e colá-los nos pontinhos da espiga de milho. Tudo bem, eu fiz assim e ela disse que o meu estava ficando bonito. Nossa, finalmente o louco recebeu um reforço positivo!
Então a professora saiu e foi buscar fica crepe, aquela fita adesiva que se parece com papel e pode ser cortada no dedo, porque ela ia colar nossas espigas no mural da escola. Eu tinha um caixa de giz de cera e queria usá-los, então peguei o giz de cera vermelho sangue e contornei ao redor da espiga de milho um coração que ficou bem torto. Na volta a professora foi pegando os extratos do suprassumos das criatividade dos aluno, sem luz era o que ela pensava que nós éramos. Quando ela foi pegar o meu, ela fez aquela cara feia de novo, apareceram um monte de rugas na testa dela, ela gritou e fui molhado pelo cuspi venonoso dela dizendo que não ia colar a minha espiga no mural porque ela ficou feia.
Guardei o meu desenho, doravante feio e que não merecia ser colado no mural da escola. Cheguei em casa e coloquei o desenho num canto escondido qualquer porque aquilo era uma coisa vergonhosa. Um dia qualquer minha mãe foi arrumar meu quarto e quando chego da escola…
!!!!!!!!
…lá estava a minha espiga de milho das folhas verdes contornada com um coração torto com giz de cera vermelho e quera era feia para ser colada no mural da escola pregada na porta do guardarroupas. A exposição daquela espiga na porta do meu quarto me envergonhava.
Perguntei a minha mãe porque ela havia feito aquilo e ela disse que achava tudo que o filhinho lindo dela fazia lindinho demais. Como assim lindinho? Minha mãe não entende nada de beleza. Aquilo era feio, minha mãe e nem a vizinha, as minhas tias, as minhas primas grandes que iam até o meu quarto e dizia que tava bonito, não entendiam de beleza. Eu morria de vergonha daquilo porque a professora que me ensinava as coisas certas disse que estava feio.
Quando a professora falou que a minha espiga estava feia, achei ela uma vaca, feia, velha e gorda que deveria morrer no trilho do trem e queria ver se ela falasse aquilo para mim se eu fosse um cavaleiro do zoodíaco ou o Machine Man. Bem, hoje, após ter entendido que aquela professora era tradicional, feito minhas críticas a esse modelo e ter lido Vigostsky, Piaget, Paulo Freire e outros caras legais que sabiam como é que se faz, não penso mais na professora como uma vaca, feia, velha e gorda que deveria morrer no trilho do trem e queria ver se ela falasse aquilo para mim se eu fosse um cavaleiro do zoodíaco ou o Machine Man.
Penso nela apenas como uma feia, velha, gorda e tradicional.
Peixos, me twitta @BorbaGabriel.