segunda-feira, 18 de março de 2013
Quando um aluno me matou
sábado, 9 de outubro de 2010
Mais sobre o amor, a morte e as paixões...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Era sobre religião, mas falei mais sobre a avó
Quis escrever esse post na segunda feira. Mas naquele dia uma notícia nada agradável chegou. Minha avó não vai bem, foi trazida para a capital, está mal do coração. Até agora os medicos não dizem muito bem o que está havendo e nem o que pretendem fazer. A falta de informações objetivas tanto quanto a situação dela tem causado na família, ou em boa parte dela, uma grande angústia.
Minha avó é daquelas avós matriarcas. É a que toma partida dos filhos, netos e bisnetos. Juntamente com meu avó não gosta de ver ninguém da família brigado e a satisfação deles é o natal, o ano novo e datas afins com a casa de cheia dos filhos, netos e bisnetos. Gente que somada daria talvez uma centena de pessoas, aquela família bem ao tipo das propagandas da Sadia ou da Kodak.
Tenho passado bem esses dias, eu não consigo manifestar preocupação e nem sei se mostrar resolve alguma coisa. Mas sempre vem a qualquer momento o fato da condição de saúde da minha avó e isso faz as coisas ficarem meio amarga, azedas e ou frias.
Tudo que eu não quero agora é lidar pela primeira vez com a perda de uma pessoa próxima. Eu não vejo a morte tanto assim como fim de carreira, mas é importante ter em mente que penso assim só porque nunca lidei efetivamente com a morte. Mas sou bem otimista, estou confiante, acho que todo essa deja vu é apenas um sinal para minha avó rever um pouco dos hábitos dela.
Bem, mas mudando de assunto, domingo teve aqui em minha cidade um culto de um grupo inclusivo. Eu fui para matar a curiosidade. A dinâmica é a mesma dos cultos tradicionais e as crenças também, a diferença é que a homossexualidade é lidada como algo normal e lógico, os presentes são declaradamente homossexuais.
Durante o culto me identifiquei como ex-católico, até aí nenhuma mentira. Porém menti pois não falei que se quiser acreditar no que eles acreditam ali não dá para mim dado às minhas concepções atuais a respeito da existência de Deus e das religiões. Me senti constrangido também, mas não orei em momento algum, fiquei em silêncio, como aquele que hora em silêncio?
Poderia eu dito a verdade, que sou ateu e que estou ali mais para conhecer as pessoas, para ter experiências, conhecer as ideias deles e não para declarar fé em algo que mesmo que eu quiser, não vai dar para acreditar, pelo menos não por agora como eu disse. Achei meio ingênuo e ou intransigente a Bíblia ser utilizada inclusive como fonte de norma moral, pois é a mesma Bíblia que trata a homossexualidade como amoralidade e define o que é moral ou imoral na sexualidade, entre outras coisas, enfim, uma outra discussão.
Bem, foi isso.
P.S.: Estou aparentemente meio ausente da blogosfera pois tenho utilizado o Google Reader para lê-los e acho que comentários, embora agradáveis de serem recebidos, são um trabalho a mais para a preguiça exagerada do Well ou sua falta do que dizer. Mas estou acompanhando e gosto de todos vocês.
sábado, 15 de maio de 2010
Single Ladies porque é bom estar vivo
Porque estou escrevendo esse texto aqui, não sei bem. Me sinto um urubu com uma pegada de Datena fazendo isso, mas quinta-feira, no ponto em que desço e na hora do almoço uma aglomeração de pessoas existia. Uma ambulância do corpo de Bombeiros permanecia no local e umas viaturas da Polícia também.
O que as pessoas olhavam era o que estava sobre o chão, no caso uma motoclicleta despedaçada debaixo do caminhão da empresa de energia e abraçado à roda dele, um corpo empalidecido. O capacete era rosa mas não dizia muito, já que o tempo do rosa fazer alguém menos homem já deve ter passado, pergunte à revista Veja.
O corpo se vivo estivesse seria bonito, aliás, não é morbido falar, eu acho, que o rapaz morto no chão era bonito. Trajava uma regata preta daquelas tipo mamãe sou forte, tinha pêlos e uma medalha no pescoço, sem contar que era jovem como eu. Foi isso o que deu para ver. Me senti um grande urubu quando corrigi a moça ao meu lado, que fotografava com o smartphone que tinha de crédito ou bônus o mesmo de alma e respeito da dona, e disse que a Polícia estava esperando o IML e não a Defesa Civil.
Bem, fiz muitas coisas na quinta e na sexta-feira. Mesmo assim fico pensando no corpo estendido no chão. Será humanidade da minha parte. Pode até ser, embora ninguém naquela hora estivesse se colocando como humao. E fica até dramático quando penso na propaganda do Estado, a maior parte das mortes são de homens e jovens. Também penso na família, na mãe mais exatamente recebendo a notícia de que o filho morreu. Penso no velório, na vida após a morte do que se foi.
Também penso e se fosse comigo. Fico irritado porque fico deprimido por causa do infeliz desconhecido que morreu. Grito bem alto os hits com obsolecência programada da Beyoncé. Faço assim porque dá a sensação de que para a inveja do defunto, que não saí da minha cabeça creio que por ser bonito, estou vivo. Mesmo assim é deprimente. Tanta juventude, tanta beleza, tanta coragem, tanta discussão por pouca causa e no final se morre.
A morte e os impostos, diria algum economista que não me lembro quem, são as únicas coisas na vida que podemos contar.
É e a gente acorda pensando nisso todo dia agora e fica chateado. Tão bonito, tão jovem, talvez eu pudesse conhecê-lo um dia qualquer e ele fizesse falta para mim também. Mas também bem feito. Ninguém mandou cortar o caminhão pela direita, ainda mais numa moto que para sorte dos que velaram a ele era 125 cc.
Bem, sei lá porque escrevo isso. Acho que semana que vem já passou. De qualquer maneira uma música do Gabriel o Pensador que colocam no curso da autoescola para nunca fazermos burrada no trânsito e não morrermos ninguém, principalmente nós.
