segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Dando seta para a direita
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O bom cristão é contra os homossexuais.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Minha experiência na Igreja Inclusiva
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Era sobre religião, mas falei mais sobre a avó
Quis escrever esse post na segunda feira. Mas naquele dia uma notícia nada agradável chegou. Minha avó não vai bem, foi trazida para a capital, está mal do coração. Até agora os medicos não dizem muito bem o que está havendo e nem o que pretendem fazer. A falta de informações objetivas tanto quanto a situação dela tem causado na família, ou em boa parte dela, uma grande angústia.
Minha avó é daquelas avós matriarcas. É a que toma partida dos filhos, netos e bisnetos. Juntamente com meu avó não gosta de ver ninguém da família brigado e a satisfação deles é o natal, o ano novo e datas afins com a casa de cheia dos filhos, netos e bisnetos. Gente que somada daria talvez uma centena de pessoas, aquela família bem ao tipo das propagandas da Sadia ou da Kodak.
Tenho passado bem esses dias, eu não consigo manifestar preocupação e nem sei se mostrar resolve alguma coisa. Mas sempre vem a qualquer momento o fato da condição de saúde da minha avó e isso faz as coisas ficarem meio amarga, azedas e ou frias.
Tudo que eu não quero agora é lidar pela primeira vez com a perda de uma pessoa próxima. Eu não vejo a morte tanto assim como fim de carreira, mas é importante ter em mente que penso assim só porque nunca lidei efetivamente com a morte. Mas sou bem otimista, estou confiante, acho que todo essa deja vu é apenas um sinal para minha avó rever um pouco dos hábitos dela.
Bem, mas mudando de assunto, domingo teve aqui em minha cidade um culto de um grupo inclusivo. Eu fui para matar a curiosidade. A dinâmica é a mesma dos cultos tradicionais e as crenças também, a diferença é que a homossexualidade é lidada como algo normal e lógico, os presentes são declaradamente homossexuais.
Durante o culto me identifiquei como ex-católico, até aí nenhuma mentira. Porém menti pois não falei que se quiser acreditar no que eles acreditam ali não dá para mim dado às minhas concepções atuais a respeito da existência de Deus e das religiões. Me senti constrangido também, mas não orei em momento algum, fiquei em silêncio, como aquele que hora em silêncio?
Poderia eu dito a verdade, que sou ateu e que estou ali mais para conhecer as pessoas, para ter experiências, conhecer as ideias deles e não para declarar fé em algo que mesmo que eu quiser, não vai dar para acreditar, pelo menos não por agora como eu disse. Achei meio ingênuo e ou intransigente a Bíblia ser utilizada inclusive como fonte de norma moral, pois é a mesma Bíblia que trata a homossexualidade como amoralidade e define o que é moral ou imoral na sexualidade, entre outras coisas, enfim, uma outra discussão.
Bem, foi isso.
P.S.: Estou aparentemente meio ausente da blogosfera pois tenho utilizado o Google Reader para lê-los e acho que comentários, embora agradáveis de serem recebidos, são um trabalho a mais para a preguiça exagerada do Well ou sua falta do que dizer. Mas estou acompanhando e gosto de todos vocês.
domingo, 21 de março de 2010
Sobre a Igreja
Para os católicos a culpa dos casos de pedofilia na Igreja é dos homossexuais. Pois a Igreja é Santa e perfeita e não tem culpa pelos casos denunciados a todo momento. Essa é a indignada justificativa dada pelos fieis nos comentários às críticas feitas pela imprensa à conduta tomada pela Igreja Católica Apostólica Romana com relação aos seus sacerdotes pedofilos.
Nessas jusitificativas tem muitas coisas implicitas e repugnantes. O que mais é irritante é saber, que se o inferno existir, todos nós vamos para inferno, mas os crentes que se arrogaram de verem perfeitos, tão perfeitos que são incapazes de reconhecer e assumir aos próprios erros, pensam que não vão.
Não bastando cometer esses equívocos, a Igreja e seus fieis se arroga de fazer seus manifestos moralistas convocando a todos para unirem-se contra os homossexuais, tão perigosos quanto a devastação da Amazônia cujos seus dogmas nada de prático tem feito para evitar. Exemplo disso são os históricos templos católicos construídos com madeira de origens para lá de questionável.
O mais irônico é que embora os pedofilos “sejam antes de tudo homossexuais interessados em desmoranar com a Igreja, a vida e a família”, conceito que os crentes sem definição alguma tratam de se dizerem pró a todo momento, a Igreja tenha como prática abafar em atos corporativistas as ações dos pedofilos que usam as suas batinas.
Nisso tudo o que fica bem implícito não é só as incoerências, hipocrisias e mentiras da Igreja, mas também o desdém que ela tem para com a inteligência alheia. Infelizmente tem muita gente que ainda está acreditando nesses argumentos fuleiros e sabe-se lá porque.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Sobre o ateu
quinta-feira, 4 de março de 2010
Sobre o meu catolicismo
Minha mãe é assim, católica. Para mim ela não é tão católica. Aliás, ela é católica, daquele jeito podre de ser católica. Ele me batizou, por um tempo eu agradeci por isso. Arrumou meus avós maternos para serem meus padrinhos e para eu, que achava que padrinhos tinham algum grau de parentesco, foi o fim. Eu fiquei putaiado. Avós padrinhos é redundância, ora essa. Sem contar que o que vinha a minha mente quinquenal era o fato de um presente a menos no Natal, no dia das crianças, no aniversário.
Ela me mandou fazer catequese e consequentemente, primeira comunhão. Foram três anos chatos, eu vendo um monte de moleque fazendo primeira comunhão e no meu dia de vestir aquela tunica branca… aff, que coisa mais sem graça e que tunica mais quente, apesar de branca.
Lembro do padre, um cara duns 30 e tantos anos, meio careca e meio gordo. Ele brincava com os catequisandos, jogava aqueles tecidos que vão por cima da batina e ficávamos parecendo freiras. Fiquei sabendo que ele não é mais padre e casou. É, o monsenhor não orou e não vigiou, casou porque a carne é fraca ou simplesmente porque é humano mesmo.
No dia da primeira catequese, digo comunhão, lembro que o padre usava verde. Achava um absurdo e uma falta de consideração ele usar verde só porque era tempo comum. Mas não era, era a nossa primeira eucaristia, ele deveria usar vermelho. Afinal de contas, aquilo lá era uma festa, da qual os três centos de salgados que minha mãe comprou não vimos. Muito menos as garrafas de guaraná Antartica. Mas as de Xuá, Big Boy e Micos, que tinha gosto de sabão, estavam lá.
Nesse dia o padre falou algo que achei bonitinho e que acho que carregarei por toda vida. Ele disse que a hóstia maior não era para o padre comer e sim para dividir e dividir é algo bonitinho, que devemos fazer. É, eu acho que precisamos dividir mais as coisas, mas não vou dar esmola a ninguém no semáforo e vou fazer cara feia mesmo viu minha senhora!
Outro evento chato da minha vida foi a crisma. Tentei me crismar na CEB, Comunidade Eclesial de Base, da qual regionalmente faziamos parte. Não deu certo, foi um, depois outro, depois mais outros, e todos meus parcos coleguinhos de crisma subiram para a paróquia mesmo para fazer a tal da Crisma.
Não não, eu estou pulando uma parte. Antes da crisma e depois da primeira eucarístia, tinha uma outra coisa que minha mãe me obrigava a ir. Na tal Juventude Missionária, juventude não sei onde, tava mais para pré adolescência intrigária, porque missionário era o que não éramos também. Ficavamos lá só tirando com a cara do outro, criando intriga.
Na Juventude Missionária ficávamos cantando cabeça ombro joelho e pé da Xuxa, quando o espírito de Deus se move em mim eu rezo como rei Davi de não sei quem, e ainda se vier noites traiçoeiras do padre Zezinho. Era legal também. Brincávamos de telefone sem fio, comiamos quitutes caseiros que as catequistas traziam das casas delas, liamos coisas chatas da Bíblia e aqueles textos mela calcinha que mandam por email, aqueles de auto ajuda e lições de vida. Era legal, apesar de perca total de tempo.
Mas voltando a crisma, eu batia muita punheta quando tinha 15, 16 anos. Tipo, às oito horas da manhã tinha que estar na Igreja para aguentar a professera (?), a doutrinadora falando baleiês. Mas eu acordava às 07:30 e só não ficava irritado por ter que acordar cedo no domingo para ir a igreja, porque acordava de pau duro. O que eu fazia? Tocava uma ali na cama, me limpava com o tapete, e como os jatos eram quentinhos. Entrava para o banho para tirar o futum da porra, saia de casa às 8:01 para chegar lá na Igreja às 08:14 pingando de suor, logo não adiantava tomar banho. Eram só sete quadras, mas as quadra de Goiânia só não são piores que as de Brasília em largura, porque comprimento são piores.
Era bom apesar do sono e do calor, primeiro porque eu gozava, segundo porque eu tinha que pular aquela parte chata de ficar em pé, esperando todo mundo fazer um pedido, um agradecimento e para o final rezar aquele pai nosso, ave maria, vinde anjo do senhor e enchei o coração dos vossos fieis, já que chegava 14 minutos atrasado. Paia é que na hora de ir embora, dali 46 minutos, iam começar tudo de novo.
Lá na crisma eu aprendia umas coisas interessantes e muito verdadeiras (sic), do tipo, é através do caminho das pedras que se chega a redenção ou porta larga vai para o inferno e a estreita para o céu. Que sorte os esfomeados do Nordeste têm eu pensei, eles vão todos para o céu, porque além de morrer cedo, viviam nessa vida difícil que infelizmente não podíamos fazer nada.
Uma coisa também era falada na crisma e eu lembrava dela toda vez antes de ir para as reuniões, que dentro do meu corpo mora um pombinho, digo, que o meu corpo é morada do Espírito Santo. Por causa disso eu não podia bater punheta, porque meu corpo não me pertencia, era da pombinha lá… e não do pintinho, e a pombinha é contra punhetar a casa dela. Eu pensava nisso na hora da punheta, Deus tava olhando o que eu tava fazendo na ganhola do ES e eu ficava com peso na consciência, mas… gozava.
Ah sim 2004! Primeiro ano do Ensino Médio, chovia bem em novembro, tinha trocado farpas com a minha mãe que me achava, e ainda devo ser, um adolescente “rebelde” e fui para o último retiro espiritual da crisma. Lá rezei muito, abracei muito minhas colegas. Naquela noite eu achei que eu seria digno das graças de Deus e me tornaria heterossexual. Nada feito, passei a noite em claro porque tinha muitos pernilongos. Chegou no final, do retiro, abrimos cartas. Meus pais, meus catequistas, meus padrinhos, que sequer eu bem os conhecia, e nem conheço, havia me mandado cartas. Aí eu chorei, chorei, chorei, chorei e chorei.

E daí que a gente fala assim, ironiza as coisas, mas o importante mesmo quando fazemos isso é que não nos damos conta. As cartas naquele dia serviram para eu ver que a gente ama sem se dar conta. Até que num por de sol de domingo, numa chácara a 50 Km da capital, você percebe que foi tudo rápido, que tudo valeu a pena, que não sabia que as pessoas gostavam tanto de você. Mas o mais louco é saber que nem a gente próprio sabia que gostava tanto dos outros assim, de olhar para a cara do colega e chorar e abraçar e ter medo porque sabe que as coisas estão acabando por ali. É, aquele retiro foi bom, eu curti muito chorar naquele dia. Chorar me fez sentir bem menos pior, bem mais humano.
Uma semana depois eu crismei, acho que bati punheta no dia. Veio a minha madrinha de crisma que eu sequer escolhi para ser minha madrinha, lá de MG. Sabe quando antes das pessoas casarem e ter filhos, elas prometem aos amigos que eles serão padrinhos dos filhos? Foi esse o caso da minha mãe essa madrinha. Bem, também achei minha crisma meia boca. O Arcebispo não estava lá e crisma chique tem bispo, arcebispo para eu que moro em uma capitarrr eu sou mais chique. Mais chique que isso, só se fosse chique de Paris, mas para isso o bispo teria que ser francês.
Enfim, boa noite Brasil.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Sobre esse blog
Quando eu criei esse blog, em 2007, eu tinha 18 anos. Na época eu escrevia bem menos, e acho que pior, do que escrevo hoje. O que queria na blogosfera, e ainda com o título Sempre Avante no Nada Infinito, era falar da minha sexualidade ainda não tão resolvida como pode ser hoje.
Sempre soube que eu era homossexual e lá por volta dos 18 anos, numa viagem para o interior de São Paulo, no marasmo que trazia o banco traseiro do carro em uma rodovia entre Uberlândia e Uberaba, eu resolvi finalmente ser homossexual. Sei lá como, eu tinha mais dúvidas do que certezas.
Os 18 anos foram por assim dizer, o ano da mudança para mim. Agora de um dia para o outro eu sou adulto e em algumas semanas vou fazer o que sempre quis, dirigir. Agora eu me revolto com a obrigação de ter que me alistar ciae se definido fosse, servir ao Exército, o que me faz saber que eu sou dono do meu próprio nariz, mas não do meu único corpo. Além disso, entro na Universidade que é um mundo em que não só o cheiro do ar é diferente, por causa do laboratório de anatomia humana e da grama, mas também a forma de falar, explicar e acreditar no mundo. Agora eu decidi que não vou ser o que eu passei a minha vida toda querendo me tornar, heterossexual, porque eu nunca fui. Agora estou realmente incorporando e entendendo os que foi falado naqueles 18 meses de terapia.
Então criei, depois de uns dois meses, esse blog aqui. Tentei sintetizar tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Quis falar de mim mesmo, da minha sexualidade, das minhas consciências ou o que hoje acho simplesmente ingenuidade minha naquela época e o que morro de medo de saber no futuro que o atual também possa ser. Certo era que eu queria acertar e colocar através das palavras o que eu estava sentindo e o que idealizo.
Creio que nunca tive sucesso com isso. Creio que nunca consegui porque o que eu escrevo é muito idealizado. Me perco muito escrevendo, abro muitos parênteses, sou repetitivo e acho que explico muito. Idealizo inclusive a forma como vocês vão ler e receber isso. Ou em outras palavras, me antecipo aos leitores.
Hoje dá mais prazer escrever porque sei que tem mais gente para ler e saber que sou lido. Isso satisfaz o desejo implícito de ser ouvido. Mas gosto do que escrevi no passado, do jeito errante, apesar de que me indago como pude escrever algumas coisas. Também fico contente por saber, que embora eu escreva o mesmo parágrafo inúmeras vezes, que embora eu demore uma hora para escrever coisas de se ler em três minutos, em mais linhas do que o necessário, eu sou idealista e tenho minhas utopias, se é que devo tratar o que pretendo alcançar como utopias.
Mas se bem que esse blog existe é por causa disso mesmo, ser ouvido. E ser ouvido não é só a consciência de saber que alguém vai ler e meia dúzia de gatos pingados, apesar que o Gato de Cheshire aparece pouco por aqui de tempos para cá, vá comentar, créditos ao Paulo Braccini por ser quem mais me prestigia com os seus comentários. Ser ouvido, e logo o que quero aqui, é ser saber que alguém entendeu o que quis dizer, que mesmo que não concorde comigo, o que eu tenho dito vai fazer pelo menos alguma diferença, mesmo que seja para dar mais convicção, a alguém que pense diferente de mim.
Então é por causa disso que escrevo e delongadamente contra a religião, contra Deus, contra o pastor Silas Malafaia, a favor dos direitos civis, a favor da Dilma e do PT e porque acho que homossexual não deve votar em partido de quem é contra PLC 122. E por isso que as vezes escrevo aqui, eu acho que nem eu entendi realmente o que eu falei. Sabe, é que eu sou ruim com ensaio. Da preguiça escrever o mesmo texto duas vezes.
Bem, vou continuar escrevendo aqui por causa de tudo isso que eu acredito, pelos mesmos motivos de quando escrevi no passado, embora agora tenha mais coisa diferente e eu saiba muito de quando comecei isso aqui. Algumas vezes escrevo com esses títulos parecidos, apenas parecidos, com texto de filosofia porque acho bonito se parecer Cult e filosofia é Cult.
É, não é cair em parafuso e nem crescimento em espiral. Em parafuso horizontal significa para mim, ir para algum lugar, que pelo visto nem eu sei o que é e onde fica.
P.S.: Agora sim eu fui metablogueiro.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Um pouco sobre religião e política
O Brasil já foi mais católico, hoje não é mais tanto assim. A quantidade de pessoas protestantes cresce, e muito por aqui, e algumas cidades do interior são praticamente protestantes, uma contraposição às décadas anteriores em que eram católicas. O fenômeno tem vários fatores para explicar, entre eles a liberdade de culto que está garantida na Constituição e a queda da hegemonia do catolicismo.
Com um novo grupo emergindo na sociedade, é algo esperado que ele também conquiste poder político, econômico, moral e por aí vai. Algo que acho legítimo, pois se pregam tanto estarmos numa democracia, é de se esperar que todos tenham o seu espaço, contanto que isso não afete o espaço alheio. Bem, é aí que está o problema.
Os protestantes, como historicamente os cristãos se mostraram ser, não são muito respeitadores do espaço alheio. Quem quiser ver isso no decorrer da História, basta se lembrar das Cruzadas, da Inquisição, do catequização de índios e outro povos nas Américas, o que custou um rico patrimônio cultural, sem contar as vidas humanas. Atualmente, as demonstrações de desrespeito ao espaço alheio por parte dos protestantes são escancaradas e não vê os que são e ou os que se deixam levar pelo discurso deles, tudo em nome de Cristo e do que eles acreditam ser a salvação e estarem obrigados a levar a todos.
Embora eu acredito que seja possível haver espaço para todos numa democracia, é estarrecedora a forma como a atuação política dos protestantes, dos católicos em menor parte, se dá, principalmente com temas que eles acreditam ser controversos. Esses temas são muitos como a eutanásia, o aborto e até mesmo os direitos civis para os LGBT’s, no que vou outra vez me concentrar.
Em nome do que acreditam ser sagrado para todos, os prostestantes têm se articulado na política, elegem principalmente legisladores, com financiamento de campanha e argumentos que o Ministério Público e a Justiça Eleitoral vem questionando a um bom tempo. A grande questão é o que os referidos legisladores já são significativos em muitas casas como as do Congresso Nacional. Sendo assim, eles são capazes de obstruir votações ou simplesmente vetar projetos como o PLC 122, que apelidaram de lei da mordaça gay, mesmo que esses vetos signifique a omissão do Estado para com os crimes como assassinatos, torturas, humilhações e afins, de pessoas não heterossexuais, sem contar a ausência de liberdades. Mas os protestantes pouco se importam com isso.
Para a fé cristã tudo que de errado está, ou que para eles parece errado, tem uma justificativa, a falta Deus e da salvação em Cristo, desde a quebra da economia mundial, os terremotos do Haiti até as tempestades de São Paulo e os homossexuais, que acreditam ser curados, o que subentende que para eles somos doentes, com a fé no Deus deles de benigtude e existência inquestionável, apesar de improvável.
Embora estejam vetando constantemente o que podem ser conquistas LGBT’s, os protestantes se denominam defensores não só da fé em Cristo, mas também da democracia e não se veem como homofóbicos ou desrespeitadores. Como acreditam ser defensores da democracia, acreditam que esta está ameaçada pelo gayzismo, tema da postagem anterior. A demonstração mais controversa a respeito da existência do tal gayzismo foi o quê li em um blog semana passada.
Pelo o que deu para entender, Júlio Severo é protestante, manteve aqui no Blogger.com uma página na qual fez manifestações, na opinião dele e dos protestantes, pró vida e pró família. Bem, não foi isso o que grupos LGBT’s entenderam, nem mesmo o Ministério Público Federal que acatou denuncia por homofobia contra Júlio Severo, o que redundou posteriormente na sua convocação para depor na Justiça, onde teria a possibilidade de se defender. Contudo, Júlio Severo tomou como atitude sair do Brasil ao invés de depor e agora, pelo que sei, consta como foragido.
E isso é no mínimo contraditório às trajetórias dos cristãos que tanto acreditam serem mártires e que foram perseguidos, que foram presos, que foram torturados, inclusive mortos. Porém, Júlio Severo recorreu ao cinismo ao invés de, como manda a sua Bíblia, não negar a concepção que faz de Cristo. Ao invés disso fugiu do país que diz tanto amar e fugiu de defender, apenas isso, o ponto de vista. Agora, sabe se lá de onde, dedica-se a escrever disparates e inclusive a ridicularizar as Instituições brasileiras como o Ministério Público e o Judiciário.
É asquerosa a forma como os protestantes, e não vou dizer fundamentalistas até mesmo porque, pelo que sei, a maioria das religiões protestantes se denominam fundamentalistas; se vitimizam, dissimulam e distorcem os fatos. Negam a nós, os homossexuais e afins, os direitos civis, sequer o apoio do Estado para investigar, combater e punir os crimes cometidos contra nós que tenham como origem a nossa sexualidade. Constantemente ignoram a Ciência e mesmo a falta de consenso em suas concepções a respeito da sexualidade humana para nos tipificar, às vezes com pseudo ciência com a de Rosângela Justino, como doentes. Constantemente estão nos satanizando e nos acusando por crimes, como a pedofilia, em que, não me recordo a fonte, 75% dos casos denunciados são cometidos por heterossexuais e que nos quaisconstamente colocam panos quentes, pastores.
Bem, algo tem que ser feito e uma coisa é certa, não é ficar acomodado porque pensamos ser bonito apontar o dedo para os grupos LGBT’s carregados de efeminados. O quê necessariamente tem que ser feito é onde está minha sinceridade, eu ainda não sei. Bem, é ano de eleição e seja a hora de eleger candidatos com os quais nos identificamos sexualmente, mesmo que isso envolva as preferências partidárias. Mas confesso que vai ser difícil eu votar em um tucano, porque é justamente no PSDB, assim como no DEM, PHS, PP, PR, entre outros partidos, que mora a bancada protestante e os seus empecilhos.
Em virtude do Governo Lula ter sido na opinião de muitos o governo em que os temas inerentes aos LGBT’s ganhou políticas de Estado e em virtude desse blog manifestar minhas opiniões, já deixo bem claro minha preferência por um candidato do PT, creio que Dilma Rousseff, na certeza que esse dará sequência as políticas tomadas nesse governo.