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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dando seta para a direita

O final de semana foi divertido, viajei para Brasília com algumas pessoas da igreja inclusiva. Fomos para o aniversário da sede da mesma, que fica na capital federal. Corri para não chegar atrasado à casa do presbítero, acabei ficando suado, mas cheguei na hora. Tomamos chá de cadeira de uns 40 minutos esperando as outras companhias chegarem. Bem, subimos para a capital federal, apesar do calor e de mim ser o único solteiro e a fazer a linha vela naquele carro, vela não, tocha. Ficamos perdido quando chegamos por lá, eu não ajudei, pois afinal de contas para mim para quem vem de Goiás o melhor caminho para ir até o Conjunto Nacional é o Eixo Monumental, eu nem sabia da possibilidade do Eixo W Sul.

Brasília estava bonita como sempre, o Plano Piloto pelo menos, por mais que sejamos bairristas. É um lugar lindo. Meio artificial? Mas que tem muitos significados e os muitos símbolos de todo uma nação. Brasília é simplesmente fantástica. Não tanto quanto a hospitalidade das pessoas que nos receberam e o envolvimento que tivemos depois. Lembranças cujas músicas mais aleatórias que enredaram alguns momentos trarão à mente.  

Ruim foi dormir, namorado do amigo ronca e eu usei como estratégia ouvir música no MP4, afinal de contas Nenhum de Nós é melhor do que os "sons da respiração" dele. Pena que a música no MP4 atrapalhava as outras pessoas no ambiente que, crentes de que eu havia dormido, me foram tirar os fones e desligar o aparelho. Conseguiram me acordar e me assustar, mas eu desliguei o aparelho e continuei insone por causa do rapaz. Quem mandou e quem colocou os colchões tão próximos? Toda hora ele jogava os braços em cima de mim e eu empurrava ele para o canto, na direção do amigo, conotando todo constrangido em Cristo, é ele quem você tem que jogar os braços em cima e "respirar" no ouvidinho. Coisa estranha, o sono foi picotado, a cada hora que eu conseguia dormir algum telefone celular tocava, havia oito aparelhos ali, o último foi o meu, às 07:30 da manhã, era um número desconhecido e pelo prefixo, há de ser da Vila Bandeirantes, em Goiânia.

 Eu incentivando a cultura popular brasiliense.

Almoçamos na Antena de TV, depois de um rápido tour pela cidade, de olhar alguns gatos. Ah! Esses não tinham muito por lá, só os de um grupo de natação de Goiás cujos lindos adolescentes, graças ao bendito calor, tiravam as camisas e mostravam os seus jovens corpos morenos e malhados. Nota mental: se inscrever em um curso de natação. Voltamos para Goiânia e eu fui na fé de que a noite, lá na igreja inclusiva obtivesse uma resposta por parte do rapaz felpudo. Não deu em nada, a única coisa que tirei é que parece que as pessoas estão contando com uma conversão da minha parte e eu estou começando a me sentir pressionado. 

Não é bom, me tornei ateu em um processo e mesmo que se eu quisesse acreditar, o que não sinto nenhum pouco motivo para tal, eu levaria provavelmente um tempo para isso, um processo. Bem, se isso continuar incomodando, irei falar. Se for necessário que eu tenha alguma crença assim para que eu esteja presente ali, naquele ambiente com aquelas pessoas, o jeito será sair de lá, por mais dolorido que possa ser, talvez. 

Bem, mas o menino felpudo, levou um amigo para apresentar a Igreja. O amigo tem queda por outra pessoa, inventei pretexto e me convidei para ir com eles ao Banana Shopping (pseudo-shopping mas francamente gay). Eles foram para lá para comer e não comeram. Me senti indesejado ali, indesejado no sentido de que os dois queriam ficar sozinhos e não queriam conversar comigo. O menino felpudo a principio iria embora sozinho e eu ofereci uma carona até o ponto, ele voltou atrás e decidiu acompanhar o amigo mais um pouco. 

Esperava que ele fosse falar no assunto, mas para isso precisaríamos ficar sozinhos e sozinho comigo era tudo que, pelo que deu para entender, ele não queria que ficássemos. E se sentir indesejado em algum momento é péssimo, é algo que não relaaaaaxa a gente, pelo contrário. Dirigi pelas ruas de Goiânia sentindo uma nostalgia em relação as largas avenidas de Brasília e ansioso, andando em velocidades maiores do que a conta toda vez que lembrava do fiasco no shopping.

Bem, daí que não vou correr atrás. Daquele mato não saí coelho e esperava que a constatação não fosse tão constrangedora assim. É frustrante, dizer que eu não tenho vontade de insistir mais um pouco é mentira. Tenho sim, porém é tudo uma incerteza e mostro meu valor as pessoas mostrando que não vou largar tudo por causa das incógnitas de outras, pois assim eu me dou valor e posso agarrar outra oportunidade que surgir. Se ele quiser depois, o que acho que não tem grandes chances de acontecer, ótimo, eu me entrego, se até lá não tiver nada sério com ninguém. Agora na estrada dei seta para direita e estou deixando o caminho livre para os outros.

Triste e chato. Queria utilizar o blog para criticar algumas coisas, tipo o artigo sobre a PL 122/06 publicado por aquele babaca do Reinaldo Azevedo, que alguém provavelmente irá comentar aqui defendendo-o e me criticando como se eu tivesse perguntado a opinião, ou o do Marcos Vianna na O Provocador, publicado no R7, dizendo que bullying é normal e faz bem para saúde. Mas deixa para lá.... depois que resolver essa vida pessoal talvez eu vá dar meus pitacos sobre política, comportamento, sociedade e tudo mais.

Bem, é isso, peixos, me liga. 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O bom cristão é contra os homossexuais.

Não me peça para ser tolerante com religiões porque não dá. No Brasil liberdade religiosa existe a qualquer custo e por causa dela muitas pessoas são prejudicadas, mesmo que não tenham a ver com nada. As religiões cristãs precisam de freio, o que elas estão fazendo já é crime. Na internet circula várias mentiras que partem dos templos e retiros religiosos a respeito de diversos assuntos e pessoas, entre elas as homossexuais. Mentem, inventam, endemonizam e não é feito nada porque é liberdade religiosa. Eu questiono essa liberdade.

Essas mentiras viram vídeos, que o Papai Gay publicou uma indiganção e a Lola fez esse post criticando. Mas não comemorem, porque não vão parar. Essa semana minha amiga, muito incomodada com a minha opinião política, visível no Orkut.com, me enviou um vídeo, logo abaixo, de um pastor evangélico usando esse vídeo da postagem do Papai Gay e da Lola, para justificar porque não se deve votar no PT.

Para mim é tudo absurdo, além de inventar mentiras para incitar o ódio aos homossexuais, o amor que é o quê eles não têm por nós, ainda estão orientando as pessoas em que elas devem votar. Está certo, o pastor fala em quem não votar, mas se traduzirmos a fala dele para uma equação de lógica vamos ver que é tudo a mesma coisa.

A amiga não sabe que eu sou ateu e nem homossexual, sabe apenas que eu voto na Dilma e outros candidatos do PT, talvez se soubesse disso ela teria mais motivos para me enviar o vídeo. Como fiquei indignado passei todo começo dessa noite redigindo a longa resposta que publico abaixo.

Observação, eu sou um "petralha" sim e não me incomodo com isso. Se você acha que eu tenho que mudar de opinião leia a resposta que enviei a minha amiga até o final e veja que o quê você tem a me dizer não muda nada e só vai me causar antipatia pela seu pedantismo.

Eis o vídeo que ataca aos homossexuais:



Eis a minha resposta:

Antes de tudo quero advertir que o quê me levou a demorar nessa resposta é o fato da grande quantidade de idéias que o vídeo trata e a maneira como elas são misturadas. Por isso a reflexão é mais delongada. Também quero deixar claro que as minhas críticas, que certamente não serão em algum momento cavalheiras, são para as idéias do vídeo e das pessoas que nele aparecem e não são contra o seu caráter e a estima que tenho por você.

Vou começar com a frase que você deixou junto com o vídeo, pois a crítica que farei a ela vai orientar todas as seguintes. Então temos “A questão não é ‘meramente evangélica’, é o clamor de um povo cristão, que acredita em Deus e tem Nele seus princípios fundamentados.”

Discordo. A questão não é o povo cristão acreditar em Deus e pensar que Ele quer que as pessoas assumam certos princípios. O que é absurdo nessa afirmação é pensar que os cristãos são os únicos detentores de valores morais e éticos, são os únicos compromissados com a vida, são os únicos que conhecem a verdade e que todas as pessoas devem seguir ao que eles pensam. Agora vamos entrar nos outros assuntos que o vídeo mostra, de maneira truncada e tendenciosa diga-se de passagem.

A PEDOFILIA – O que é bem certo é que a nossa opinião a respeito da pedofilia é rasa. O jornalismo a que temos acesso trata o assunto de maneira superficial ou usando frases de efeito, mas não esclarece o que de fato é pedofilia. Às vezes aparece um “especialista cristão”, mas o quê ele diz não é confiável já que ele mistura os seus valores religiosos com os conhecimentos científicos, em geral para validar os primeiros. Por causa disso vem se instituindo um patrulhismo ideológico no Brasil onde, dada a nossa ignorância, qualquer coisa se torna pedofilia ou apologia a ela, mesmo que não seja. Não deixo dúvida que a pedofilia é um problema a ser resolvido. Mas para pensar sobre esse problema e resolvê-lo é necessário conhecer o quê ele é e calcular os efeitos das medidas tomadas. Usar as frases de efeito das 18h00min na Band e os clamores em templos não são os melhores métodos de resolver o problema.

O DIVÓRCIO – Aqui a questão também tem a ver com os cristãos imaginarem que são os únicos dotados senso ético e moral e que todos devem agir como eles pensam. No caso do Brasil existem pessoas pensando de maneira diferente a respeito de vários assuntos entre eles o casamento. Por causa dessa diferença, muitas dessas pessoas se casam apenas no civil ou tem outras religiões que dão outros significados ao casamento. Os cristãos podem não concordar, mas não podem tirar o direito dos outros pensarem como pensam. Se os cristãos são contra o divórcio, então que não se divorciem.

O ABORTO – Esse também é outro caso em que os cristãos ignoram as concepções discordantes e trata o próprio pensamento como o único válido. O que agrava a discussão sobre o aborto é que ela envolve também aspectos filosóficos, científicos, antropológicos e sociais cujas concepções cristãs não levam em consideração ou não apresentam solução sem que essa solução signifique acreditar no mesmo que os cristãos. Se os cristãos são contra o aborto por motivos religiosos, então que não o façam. Agora se acreditam que o aborto é assassinato, que o feto está vivo e é inocente, provem com fatos técnicos e científicos, dêem uma solução às mulheres grávidas que não poderão abortar e à criação dos filhos que terão. O Estado brasileiro é laico e não pode tomar como pressuposto de suas leis e políticas as doutrinas religiosas de um grupo, mesmo que ele seja maioria.

O INFANTICÍDIO – O aborto é diferente dos rituais de alguns povos indígenas para com as crianças gêmeas ou portadoras de necessidade especiais. Não é ético o vídeo colocá-los como coisas iguais assim também como não é ético generalizar todos os povos indígenas. Com relação ao infanticídio, também sou contrário a ele. Uma solução para o problema não é algo que podemos fazer já que não entendemos a fundo o que acontece. Sei que as crianças devem ter suas vidas protegidas, inclusive pelo Estado, instituição que acredito que deve ser feita pelas pessoas para defender os interesses das pessoas.

A PORNOGRAFIA – Esse, pausa, também é um caso em que os cristãos pensam que todos devem ter a opinião moral que possuem, nesse caso em relação ao corpo, ao sexo e aos prazeres para ser mais exato. Nem todas as pessoas têm essa opinião e não é por causa disso é que elas vão deixar suas pornografias para lá, uma vez que o consumo disso deve ser do livre arbítrio e acordo das pessoas envolvidas. Todavia os cristãos não são obrigados a apreciarem conteúdo pornográfico se acham isso incorreto. Então nesse caso não só acho justo, como necessário que se faça censura etária para locais abertos ao público, para os produtos culturais, entre outras coisas, que contenha pornografia. Só que não podemos proibi-la porque algumas pessoas acham errado, de acordo com as concepções religiosas ainda por cima.

A FAMÍLIA – Existem vários modelos de família. No entanto o vídeo trata como o único modelo viável o modelo cristão, pais casados e com filhos. Não vejo nada de mal nesse, até mesmo porque fui criado em uma família assim e muito dos valores que carrego comigo e que julgo bons eu aprendi nele. Todavia é absurdo considerar que este seja o único modelo de família existente ou que só ele deve existir, que nos outros modelos de família, como o com pais separados, haverá, como eu já ouvi dizer, pessoas inescrupulosas e sem amor ao próximo por exemplo. Essas conclusões a respeito das pessoas não são possíveis, estamos tratando do fator humano onde determinismos são perigosos. Além disso, se o modelo de família cristã fosse perfeito, não haveria dentro desse mesmo modelo casos de agressão familiar, de pessoas viciadas em drogas, entre outras coisas prejudiciais.

A AGRESSÃO FAMILIAR – Eu concordo com o vídeo, isso é um problema, não porque ele destrói a família, cristã, mas porque ele destrói as pessoas e é com elas que eu me preocupo. Família é valorizada para servir as pessoas e não contrário. As soluções para esses problemas são muitas, no entanto freqüentar a Igreja não deve ser uma política incentivada pelo Estado, pois esse é, ou deve ser, uma instituição laica e por causa disso não deve favorecer a uma religião ou a um grupo delas.

A HOMOSSEXUALIDADE – O que os homossexuais querem são direitos e políticas públicas que contemplem suas peculiaridades e porque outros seguimentos da sociedade possuem e ou podem requisitar. Os cristãos podem não achar os homossexuais corretos do ponto de vista de Deus – o que também é questionado inclusive entre os próprios cristãos e é neles que acredito mais – mas não podem impedi-los de viverem suas vidas. Com relação ao PLC 122/06, chamá-lo de lei da Mordaça Gay é apenas um extremismo, pois em nome da liberdade religiosa e do que alguns acreditam ser correto, os cristãos usam rádio e televisão, outdoors, publicam material fazendo afirmações a respeito dos homossexuais que são preconceituosas e que prejudicam a eles. Os homossexuais não são contra os cristãos, apesar de que é difícil ter simpatia por muitos deles levando em conta o quê falam, e na maioria dos casos também se consideram cristãos. O que os homossexuais querem é que a liberdade religiosa seja limitada, e não suprimida, pela liberdade deles serem respeitados enquanto pessoa.

De modo geral o que eu posso concluir é que as pessoas que produziram esse vídeo não são éticas. O que elas fazem é um material com mensagens truncadas, com meias verdades e mentiras para confundir as pessoas. As pessoas por outro lado não são pobres coitadas e enganadas. É obrigação de todo mundo verificar os dois lados da moeda, verificar todas as opiniões em relação a um mesmo assunto e não tomar conceitos pré-concebidos. Além disso, é visível que estão se recusam a dialogar com as outras opiniões. Se dialogassem o máximo que fariam era não concordar com esses assuntos, mas não satanizar as pessoas que defendem o casamento homossexual ou o aborto, o quê só comprova o fundamentalismo que tira a propriedade dos cristãos para criticarem o que se é apresentado de outras religiões, como a muçulmana, e que achamos absurdo e ditatorial.

Como sempre na história utilizam o nome de Deus para conduzir a grande massa e assim ser feito o que os líderes religiosos querem. Esse pastor e os que pensam como ele é na verdade adepto do voto de cabresto. Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar do Partido dos Trabalhadores, mas a forma como eles estabelecem a crítica a ele é suja. Utiliza o quê as pessoas acreditam como sagrado e inegavelmente têm medo, Deus, para acusar o PT por coisas ou que ele não defende, ou que ele defende dando uma justificativa que uma parcela dos cristãos se recusa a conhecer ou considerar.

Bem, novamente venho frisar que minhas críticas são às idéias de quem produziu o vídeo quer passar e posso dizer até mais nesse momento, questionar a índole dessas pessoas. Mas também quero frisar que não tenho sentimento de ira alguma por você ou por sua boa intenção, mesmo que minhas palavras pareçam irritadiças.

Por fim quero deixar claro a você, minha amiga, que eu respeito a sua antipatia pelo PT e pela Dilma Rousseff porque acho que você tem esse direito e têm seus motivos. Em função dessas duas premissas não envio emails e afins para você mudar de opinião. No entanto deixo claro para você que me incomoda a sua “militância” para que eu mude de opinião e quero deixar claro que eu vejo e leio jornais e revistas, que tenho acesso às mesmas informações que você, como os emails que me envia, mas se eu confiasse nelas, no que elas dizem e ou se eu tivesse as mesmas “diretrizes” religiosas que você possui, eu pensaria no mínimo diferente. No entanto não, eu não penso como você a respeito desses assuntos e tenho meus motivos para isso, por isso eu voto na Dilma Rousseff e nos candidatos do PT.

Desde já tenha um bom final de semana e até a próxima, que espero não ser para colocar notícia de jornal para provar que o email é mentiroso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Minha experiência na Igreja Inclusiva

Eu fiquei curioso quando ouvi dizer pela primeira vez em igrejas inclusivas. Um dia eu estava navegando na página de uma revista gay e encontrei um artigo de um pastor homossexual pertencente a uma dessas igrejas. Escrevi um e-mail a esse pastor perguntando sobre alguma igreja inclusiva em Goiânia e desde já me identificando como ateu. O pastor respondeu orando a Deus em agradecimento pela minha mensagem, mas respeitando a minha crença ou falta dela, e indicou-me a outro pastor, porém de Brasília, que pudesse me dar informações melhores. Entrei em contato com o pastor de Brasília sem dizer que sou ateu e ele me falou sobre um grupo de homossexuais que estava começando aqui na minha cidade. Entrei em contato com o líder e fiquei aguardando pelas reuniões que não aconteceram.

Esperar esse tempo todo para mim não foi um problema, a curiosidade em conhecer uma igreja inclusiva nunca foi uma demanda de primeira importância e sim algo que eu pudesse esperar. Durante esse tempo conheci virtualmente algumas pessoas e fui convidado para participar de um grupo distinto do indicado pelo pastor de Brasília. Foi o culto desse grupo distinto a minha primeira experiência com protestantes homossexuais que acreditam que Deus não os rejeitam por serem e viverem o que de peculiar essa sexualidade tem.

No culto em que fui conheci pessoas novas como é de se esperar e fui bem tratado. No entanto tive alguns constrangimentos, um deles é o fato de mim não ter falado em hora alguma, previamente de preferência, que sou ateu e que estava ali naquele lugar para conhecê-los, saber em que se orientam e o que têm como objetivo, não sendo meu interesse, até onde sei, me tornar crente. O segundo é o minha falta de costume com cultos protestantes e só fui notar isso quando estava lá. Sempre me senti muito a vontade em missas católicas, mesmo depois de "assumir" o meu ceticismo.

Com relação ao que pude notar, não sei até que ponto estou certo e fica suspeito eu fazer juízos a respeito do que aqueles homossexuais acreditam. Se eu não estiver enganado, e acho que não mesmo, para eles Deus pode abençoar as uniões homossexuais e por isso a igreja deles casam religiosamente pessoas de mesmo sexo. Além do casamento, eles participam daquela denominação pois acreditam em Deus e vê na congregação, ou melhor, na reunião de pessoas em nome dele, uma forma de cumprir com as obrigações para com ele e de se sentirem felizes. Entre as outras coisas em que acreditam um para mim se saí extremamente equivocada, a utilização da Bíblia como parâmetro moral.

Tudo bem que é a fé deles, mas penso que, mesmo se eu fosse crente, eu não tomaria a Bíblia como parâmetro moral, seja pela idéia que tenho a respeito da moral e da sua relativa serventia - o que não depende de fé, seja porque a Bíblia tem inúmeras passagens cujas interpretações literais hoje são absurdas, mas no passado mais que aceitáveis, triviais. Bem, o que quero dizer com isso é que acho a Bíblia algo nada confiável para estabelecer o que é certo ou errado sendo nesse caso mais cauteloso ignorá-la para tal função. Sendo assim acho insensato rever naquele livro somente a interpretação dominante a respeito dos trechos que acusam aos homossexuais por serem homossexuais e permanecer com a mesma visão moralista a respeito do sexo, do corpo, do prazer, do amor, entre vários outros - não que a homossexualidade esteja intrínseca ao o que eles acham moralmente errado.

Bem, é mais ou menos isso por enquanto, não sei se irei dar sequência ao meu conhecimento, se der quero ir como ateu a quem interessar saber. Além do mais, se o grupo me aceitar lá como um ouvinte apenas espero cultivar por lá amizades. Quando católico, participava do grupo de jovens e uma moça adventistas que era muito querida por nós participava conosco. Tudo bem, católicos, adventistas, testemunhas de Jeová e protestantes têm coisas em comum, acreditam em Deus e no mesmo aliás, diferente de ateu que com relação a fé não compartilha nada em comum com eles. Mas deixa o tempo dar um jeito e eu saber como serão minhas vontades.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Era sobre religião, mas falei mais sobre a avó

Quis escrever esse post na segunda feira. Mas naquele dia uma notícia nada agradável chegou. Minha avó não vai bem, foi trazida para a capital, está mal do coração. Até agora os medicos não dizem muito bem o que está havendo e nem o que pretendem fazer. A falta de informações objetivas tanto quanto a situação dela tem causado na família, ou em boa parte dela, uma grande angústia.

Minha avó é daquelas avós matriarcas. É a que toma partida dos filhos, netos e bisnetos. Juntamente com meu avó não gosta de ver ninguém da família brigado e a satisfação deles é o natal, o ano novo e datas afins com a casa de cheia dos filhos, netos e bisnetos. Gente que somada daria talvez uma centena de pessoas, aquela família bem ao tipo das propagandas da Sadia ou da Kodak.

Tenho passado bem esses dias, eu não consigo manifestar preocupação e nem sei se mostrar resolve alguma coisa. Mas sempre vem a qualquer momento o fato da condição de saúde da minha avó e isso faz as coisas ficarem meio amarga, azedas e ou frias.

Tudo que eu não quero agora é lidar pela primeira vez com a perda de uma pessoa próxima. Eu não vejo a morte tanto assim como fim de carreira, mas é importante ter em mente que penso assim só porque nunca lidei efetivamente com a morte. Mas sou bem otimista, estou confiante, acho que todo essa deja vu é apenas um sinal para minha avó rever um pouco dos hábitos dela.

Bem, mas mudando de assunto, domingo teve aqui em minha cidade um culto de um grupo inclusivo. Eu fui para matar a curiosidade. A dinâmica é a mesma dos cultos tradicionais e as crenças também, a diferença é que a homossexualidade é lidada como algo normal e lógico, os presentes são declaradamente homossexuais.

Durante o culto me identifiquei como ex-católico, até aí nenhuma mentira. Porém menti pois não falei que se quiser acreditar no que eles acreditam ali não dá para mim dado às minhas concepções atuais a respeito da existência de Deus e das religiões. Me senti constrangido também, mas não orei em momento algum, fiquei em silêncio, como aquele que hora em silêncio?

Poderia eu dito a verdade, que sou ateu e que estou ali mais para conhecer as pessoas, para ter experiências, conhecer as ideias deles e não para declarar fé em algo que mesmo que eu quiser, não vai dar para acreditar, pelo menos não por agora como eu disse. Achei meio ingênuo e ou intransigente a Bíblia ser utilizada inclusive como fonte de norma moral, pois é a mesma Bíblia que trata a homossexualidade como amoralidade e define o que é moral ou imoral na sexualidade, entre outras coisas, enfim, uma outra discussão.

Bem, foi isso.

 

P.S.: Estou aparentemente meio ausente da blogosfera pois tenho utilizado o Google Reader para lê-los e acho que comentários, embora agradáveis de serem recebidos, são um trabalho a mais para a preguiça exagerada do Well ou sua falta do que dizer. Mas estou acompanhando e gosto de todos vocês.

domingo, 21 de março de 2010

Sobre a Igreja

Para os católicos a culpa dos casos de pedofilia na Igreja é dos homossexuais. Pois a Igreja é Santa e perfeita e não tem culpa pelos casos denunciados a todo momento.  Essa é a indignada justificativa dada pelos fieis nos comentários às críticas feitas pela imprensa à conduta tomada pela Igreja Católica Apostólica Romana com relação aos seus sacerdotes pedofilos.

Nessas jusitificativas tem muitas coisas implicitas e repugnantes. O que mais é irritante é saber, que se o inferno existir, todos nós vamos para inferno, mas os crentes que se arrogaram de verem perfeitos, tão perfeitos que são incapazes de reconhecer e assumir aos próprios erros, pensam que não vão.

Não bastando cometer esses equívocos, a Igreja e seus fieis se arroga de fazer seus manifestos moralistas convocando a todos para unirem-se contra os homossexuais, tão perigosos quanto a devastação da Amazônia cujos seus dogmas nada de prático tem feito para evitar. Exemplo disso são os históricos templos católicos construídos com madeira de origens para lá de questionável.

O mais irônico é que embora os pedofilos “sejam antes de tudo homossexuais interessados em desmoranar com a Igreja, a vida e a família”, conceito que os crentes sem definição alguma tratam de se dizerem pró a todo momento, a  Igreja tenha como prática abafar em atos corporativistas as ações dos pedofilos que usam as suas batinas.

Nisso tudo o que fica bem implícito não é só as incoerências, hipocrisias e mentiras da Igreja, mas também o desdém que ela tem para com a inteligência alheia. Infelizmente tem muita gente que ainda está acreditando nesses argumentos fuleiros e sabe-se lá porque.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sobre o ateu

Falando mal do Silas Malafaia, um blogueiro que passou por aqui, me indicou uma reportagem falando sobre o dito cujo em uma revista. A matéria foi publicada na revista eletrônica A Capa e a autoria era de Márcio Retamero, denominado pastor protestante de uma igreja inclusiva.

Embora ateu, me interesso por conhecer esse tipo de denominação e vi no pastor uma oportunidade para conhecer e até de mudar meu conceito a respeito das religiões. Escrevi ao referido pastor inclusivo, me identificando como ateu e pedindo indicação de igreja inclusiva em Goiânia. Ele me indicou a uma pastor de Brasília que me indicou a um rapaz daqui de Goiânia.

Nem para o pastor de Brasília e nem para o rapaz de Goiânia eu me identifiquei como ateu e hoje conversei em conferência com eles e com outros rapazes, também homossexuais. Eles são carinhosos, inteligentes, bonitos e atenciosos, mas o principal, partem do pressuposto de que eu sou crente.

Sobre minha fé, apenas falei que não tenho igreja e que tive formação católica. Estou bem convicto de que eu sou ateu, apesar que não vejo em ser ateu uma permanência, e imaginando o que eu possa encontrar numa igreja inclusiva continuarei ateu.

Me incomoda é a não ciência deles a respeito do meu tipo de fé, o medo de como eles possam receber isso e que isso possa me excluir. Quero conhecer a vivência religiosa deles e inclusive me socializar com eles se isso for interessante. Contudo não acho ético nem para mim e nem para eles fingir que acredito nas coisas do mesmo jeito que eles.

Bem, acho que não vou fazer do meu ateu um segredo trancado a sete chaves como já foi minha sexualidade. Se eu perder algo com isso, que seja agora no começo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobre o meu catolicismo

Minha mãe é assim, católica. Para mim ela não é tão católica. Aliás, ela é católica, daquele jeito podre de ser católica. Ele me batizou, por um tempo eu agradeci por isso. Arrumou meus avós maternos para serem meus padrinhos e para eu, que achava que padrinhos tinham algum grau de parentesco, foi o fim. Eu fiquei putaiado. Avós padrinhos é redundância, ora essa. Sem contar que o que vinha a minha mente quinquenal era o fato de um presente a menos no Natal, no dia das crianças, no aniversário.

Ela me mandou fazer catequese e consequentemente, primeira comunhão. Foram três anos chatos, eu vendo um monte de moleque fazendo primeira comunhão e no meu dia de vestir aquela tunica branca… aff, que coisa mais sem graça e que tunica mais quente, apesar de branca.

Lembro do padre, um cara duns 30 e tantos anos, meio careca e meio gordo. Ele brincava com os catequisandos, jogava aqueles tecidos que vão por cima da batina e ficávamos parecendo freiras. Fiquei sabendo que ele não é mais padre e casou. É, o monsenhor não orou e não vigiou, casou porque a carne é fraca ou simplesmente porque é humano mesmo.

No dia da primeira catequese, digo comunhão, lembro que o padre usava verde. Achava um absurdo e uma falta de consideração ele usar verde só porque era tempo comum. Mas não era, era a nossa primeira eucaristia, ele deveria usar vermelho. Afinal de contas, aquilo lá era uma festa, da qual os três centos de salgados que minha mãe comprou não vimos. Muito menos as garrafas de guaraná Antartica. Mas as de Xuá, Big Boy e Micos, que tinha gosto de sabão, estavam lá.

Nesse dia o padre falou algo que achei bonitinho e que acho que carregarei por toda vida. Ele disse que a hóstia maior não era para o padre comer e sim para dividir e dividir é algo bonitinho, que devemos fazer. É, eu acho que precisamos dividir mais as coisas, mas não vou dar esmola a ninguém no semáforo e vou fazer cara feia mesmo viu minha senhora!

Outro evento chato da minha vida foi a crisma. Tentei me crismar na CEB, Comunidade Eclesial de Base, da qual regionalmente faziamos parte. Não deu certo, foi um, depois outro, depois mais outros, e todos meus parcos coleguinhos de crisma subiram para a paróquia mesmo para fazer a tal da Crisma.

Não não, eu estou pulando uma parte. Antes da crisma e depois da primeira eucarístia, tinha uma outra coisa que minha mãe me obrigava a ir. Na tal Juventude Missionária, juventude não sei onde, tava mais para pré adolescência intrigária, porque missionário era o que não éramos também. Ficavamos lá só tirando com a cara do outro, criando intriga.

Na Juventude Missionária ficávamos cantando cabeça ombro joelho e pé da Xuxa, quando o espírito de Deus se move em mim eu rezo como rei Davi de não sei quem, e ainda se vier noites traiçoeiras do padre Zezinho. Era legal também. Brincávamos de telefone sem fio, comiamos quitutes caseiros que as catequistas traziam das casas delas, liamos coisas chatas da Bíblia e aqueles textos mela calcinha que mandam por email, aqueles de auto ajuda e lições de vida. Era legal, apesar de perca total de tempo.

Mas voltando a crisma, eu batia muita punheta quando tinha 15, 16 anos. Tipo, às oito horas da manhã tinha que estar na Igreja para aguentar a professera (?), a doutrinadora falando baleiês. Mas eu acordava às 07:30 e só não ficava irritado por ter que acordar cedo no domingo para ir a igreja, porque acordava de pau duro. O que eu fazia? Tocava uma ali na cama, me limpava com o tapete, e como os jatos eram quentinhos. Entrava para o banho para tirar o futum da porra, saia de casa às 8:01 para chegar lá na Igreja às 08:14 pingando de suor, logo não adiantava tomar banho. Eram só sete quadras, mas as quadra de Goiânia só não são piores que as de Brasília em largura, porque comprimento são piores.

Era bom apesar do sono e do calor, primeiro porque eu gozava, segundo porque eu tinha que pular aquela parte chata de ficar em pé, esperando todo mundo fazer um pedido, um agradecimento e para o final rezar aquele pai nosso, ave maria, vinde anjo do senhor e enchei o coração dos vossos fieis, já que chegava 14 minutos atrasado. Paia é que na hora de ir embora, dali 46 minutos, iam começar tudo de novo.

Lá na crisma eu aprendia umas coisas interessantes e muito verdadeiras (sic), do tipo, é através do caminho das pedras que se chega a redenção ou porta larga vai para o inferno e a estreita para o céu. Que sorte os esfomeados do Nordeste têm eu pensei, eles vão todos para o céu, porque além de morrer cedo, viviam nessa vida difícil que infelizmente não podíamos fazer nada.

Uma coisa também era falada na crisma e eu lembrava dela toda vez antes de ir para as reuniões, que dentro do meu corpo mora um pombinho, digo, que o meu corpo é morada do Espírito Santo. Por causa disso eu não podia bater punheta, porque meu corpo não me pertencia, era da pombinha lá… e não do pintinho, e a pombinha é contra punhetar a casa dela. Eu pensava nisso na hora da punheta, Deus tava olhando o que eu tava fazendo na ganhola do ES e eu ficava com peso na consciência, mas… gozava.

Ah sim 2004! Primeiro ano do Ensino Médio, chovia bem em novembro, tinha trocado farpas com a minha mãe que me achava, e ainda devo ser, um adolescente “rebelde” e fui para o último retiro espiritual da crisma. Lá rezei muito, abracei muito minhas colegas. Naquela noite eu achei que eu seria digno das graças de Deus e me tornaria heterossexual. Nada feito, passei a noite em claro porque tinha muitos pernilongos. Chegou no final, do retiro, abrimos cartas. Meus pais, meus catequistas, meus padrinhos, que sequer eu bem os conhecia, e nem conheço, havia me mandado cartas. Aí eu chorei, chorei, chorei, chorei e chorei.

E daí que a gente fala assim, ironiza as coisas, mas o importante mesmo quando fazemos isso é que não nos damos conta. As cartas naquele dia serviram para eu ver que a gente ama sem se dar conta. Até que num por de sol de domingo, numa chácara a 50 Km da capital, você percebe que foi tudo rápido, que tudo valeu a pena, que não sabia que as pessoas gostavam tanto de você. Mas o mais louco é saber que nem a gente próprio sabia que gostava tanto dos outros assim, de olhar para a cara do colega e chorar e abraçar e ter medo porque sabe que as coisas estão acabando por ali. É, aquele retiro foi bom, eu curti muito chorar naquele dia. Chorar me fez sentir bem menos pior, bem mais humano.

Uma semana depois eu crismei, acho que bati punheta no dia. Veio a minha madrinha de crisma que eu sequer escolhi para ser minha madrinha, lá de MG. Sabe quando antes das pessoas casarem e ter filhos, elas prometem aos amigos que eles serão padrinhos dos filhos? Foi esse o caso da minha mãe essa madrinha. Bem, também achei minha crisma meia boca. O Arcebispo não estava lá e crisma chique tem bispo, arcebispo para eu que moro em uma capitarrr eu sou mais chique. Mais chique que isso, só se fosse chique de Paris, mas para isso o bispo teria que ser francês.

Enfim, boa noite Brasil.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre esse blog

Quando eu criei esse blog, em 2007, eu tinha 18 anos. Na época eu escrevia bem menos, e acho que pior, do que escrevo hoje. O que queria na blogosfera, e ainda com o título Sempre Avante no Nada Infinito, era falar da minha sexualidade ainda não tão resolvida como pode ser hoje.

Sempre soube que eu era homossexual e lá por volta dos 18 anos, numa viagem para o interior de São Paulo, no marasmo que trazia o banco traseiro do carro em uma rodovia entre Uberlândia e Uberaba, eu resolvi finalmente ser homossexual. Sei lá como, eu tinha mais dúvidas do que certezas.

Os 18 anos foram por assim dizer, o ano da mudança para mim. Agora de um dia para o outro eu sou adulto e em algumas semanas vou fazer o que sempre quis, dirigir. Agora eu me revolto com a obrigação de ter que me alistar ciae se definido fosse, servir ao Exército, o que me faz saber que eu sou dono do meu próprio nariz, mas não do meu único corpo. Além disso, entro na Universidade que é um mundo em que não só o cheiro do ar é diferente, por causa do laboratório de anatomia humana e da grama, mas também a forma de falar, explicar e acreditar no mundo. Agora eu decidi que não vou ser o que eu passei a minha vida toda querendo me tornar, heterossexual, porque eu nunca fui. Agora estou realmente incorporando e entendendo os que foi falado naqueles 18 meses de terapia.

Então criei, depois de uns dois meses, esse blog aqui. Tentei sintetizar tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Quis falar de mim mesmo, da minha sexualidade, das minhas consciências ou o que hoje acho simplesmente ingenuidade minha naquela época e o que morro de medo de saber no futuro que o atual também possa ser. Certo era que eu queria acertar e colocar através das palavras o que eu estava sentindo e o que idealizo.

Creio que nunca tive sucesso com isso. Creio que nunca consegui porque o que eu escrevo é muito idealizado. Me perco muito escrevendo, abro muitos parênteses, sou repetitivo e acho que explico muito. Idealizo inclusive a forma como vocês vão ler e receber isso. Ou em outras palavras, me antecipo aos leitores.

Hoje dá mais prazer escrever porque sei que tem mais gente para ler e saber que sou lido. Isso satisfaz o desejo implícito de ser ouvido. Mas gosto do que escrevi no passado, do jeito errante, apesar de que me indago como pude escrever algumas coisas. Também fico contente por saber, que embora eu escreva o mesmo parágrafo inúmeras vezes, que embora eu demore uma hora para escrever coisas de se ler em três minutos, em mais linhas do que o necessário, eu sou idealista e tenho minhas utopias, se é que devo tratar o que pretendo alcançar como utopias.

Mas se bem que esse blog existe é por causa disso mesmo, ser ouvido. E ser ouvido não é só a consciência de saber que alguém vai ler e meia dúzia de gatos pingados, apesar que o Gato de Cheshire aparece pouco por aqui de tempos para cá, vá comentar, créditos ao Paulo Braccini por ser quem mais me prestigia com os seus comentários. Ser ouvido, e logo o que quero aqui, é ser saber que alguém entendeu o que quis dizer, que mesmo que não concorde comigo, o que eu tenho dito vai fazer pelo menos alguma diferença, mesmo que seja para dar mais convicção, a alguém que pense diferente de mim.

Então é por causa disso que escrevo e delongadamente contra a religião, contra Deus, contra o pastor Silas Malafaia, a favor dos direitos civis, a favor da Dilma e do PT e porque acho que homossexual não deve votar em partido de quem é contra PLC 122. E por isso que as vezes escrevo aqui, eu acho que nem eu entendi realmente o que eu falei. Sabe, é que eu sou ruim com ensaio. Da preguiça escrever o mesmo texto duas vezes.

Bem, vou continuar escrevendo aqui por causa de tudo isso que eu acredito, pelos mesmos motivos de quando escrevi no passado, embora agora tenha mais coisa diferente e eu saiba muito de quando comecei isso aqui. Algumas vezes escrevo com esses títulos parecidos, apenas parecidos, com texto de filosofia porque acho bonito se parecer Cult e filosofia é Cult.

É, não é cair em parafuso e nem crescimento em espiral. Em parafuso horizontal significa para mim, ir para algum lugar, que pelo visto nem eu sei o que é e onde fica.

P.S.: Agora sim eu fui metablogueiro.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um pouco sobre religião e política

O Brasil já foi mais católico, hoje não é mais tanto assim. A quantidade de pessoas protestantes cresce, e muito por aqui, e algumas cidades do interior são praticamente protestantes, uma contraposição às décadas anteriores em que eram católicas. O fenômeno tem vários fatores para explicar, entre eles a liberdade de culto que está garantida na Constituição e a queda da hegemonia do catolicismo.

Com um novo grupo emergindo na sociedade, é algo esperado que ele também conquiste poder político, econômico, moral e por aí vai. Algo que acho legítimo, pois se pregam tanto estarmos numa democracia, é de se esperar que todos tenham o seu espaço, contanto que isso não afete o espaço alheio. Bem, é aí que está o problema.

Os protestantes, como historicamente os cristãos se mostraram ser, não são muito respeitadores do espaço alheio. Quem quiser ver isso no decorrer da História, basta se lembrar das Cruzadas, da Inquisição, do catequização de índios e outro povos nas Américas, o que custou um rico patrimônio cultural, sem contar as vidas humanas. Atualmente, as demonstrações de desrespeito ao espaço alheio por parte dos protestantes são escancaradas e não vê os que são e ou os que se deixam levar pelo discurso deles, tudo em nome de Cristo e do que eles acreditam ser a salvação e estarem obrigados a levar a todos.

Embora eu acredito que seja possível haver espaço para todos numa democracia, é estarrecedora a forma como a atuação política dos protestantes, dos católicos em menor parte, se dá, principalmente com temas que eles acreditam ser controversos. Esses temas são muitos como a eutanásia, o aborto e até mesmo os direitos civis para os LGBT’s, no que vou outra vez me concentrar.

Em nome do que acreditam ser sagrado para todos, os prostestantes têm se articulado na política, elegem principalmente legisladores, com financiamento de campanha e argumentos que o Ministério Público e a Justiça Eleitoral vem questionando a um bom tempo. A grande questão é o que os referidos legisladores já são significativos em muitas casas como as do Congresso Nacional. Sendo assim, eles são capazes de obstruir votações ou simplesmente vetar projetos como o PLC 122, que apelidaram de lei da mordaça gay, mesmo que esses vetos signifique a omissão do Estado para com os crimes como assassinatos, torturas, humilhações e afins, de pessoas não heterossexuais, sem contar a ausência de liberdades. Mas os protestantes pouco se importam com isso.

Para a fé cristã tudo que de errado está, ou que para eles parece errado, tem uma justificativa, a falta Deus e da salvação em Cristo, desde a quebra da economia mundial, os terremotos do Haiti até as tempestades de São Paulo e os homossexuais, que acreditam ser curados, o que subentende que para eles somos doentes, com a fé no Deus deles de benigtude e existência inquestionável, apesar de improvável.

Embora estejam vetando constantemente o que podem ser conquistas LGBT’s, os protestantes se denominam defensores não só da fé em Cristo, mas também da democracia e não se veem como homofóbicos ou desrespeitadores. Como acreditam ser defensores da democracia, acreditam que esta está ameaçada pelo gayzismo, tema da postagem anterior. A demonstração mais controversa a respeito da existência do tal gayzismo foi o quê li em um blog semana passada.

Pelo o que deu para entender, Júlio Severo é protestante, manteve aqui no Blogger.com uma página na qual fez manifestações, na opinião dele e dos protestantes, pró vida e pró família. Bem, não foi isso o que grupos LGBT’s entenderam, nem mesmo o Ministério Público Federal que acatou denuncia por homofobia contra Júlio Severo, o que redundou posteriormente na sua convocação para depor na Justiça, onde teria a possibilidade de se defender. Contudo, Júlio Severo tomou como atitude sair do Brasil ao invés de depor e agora, pelo que sei, consta como foragido.

E isso é no mínimo contraditório às trajetórias dos cristãos que tanto acreditam serem mártires e que foram perseguidos, que foram presos, que foram torturados, inclusive mortos. Porém, Júlio Severo recorreu ao cinismo ao invés de, como manda a sua Bíblia, não negar a concepção que faz de Cristo. Ao invés disso fugiu do país que diz tanto amar e fugiu de defender, apenas isso, o ponto de vista. Agora, sabe se lá de onde, dedica-se a escrever disparates e inclusive a ridicularizar as Instituições brasileiras como o Ministério Público e o Judiciário.

É asquerosa a forma como os protestantes, e não vou dizer fundamentalistas até mesmo porque, pelo que sei, a maioria das religiões protestantes se denominam fundamentalistas; se vitimizam, dissimulam e distorcem os fatos. Negam a nós, os homossexuais e afins, os direitos civis, sequer o apoio do Estado para investigar, combater e punir os crimes cometidos contra nós que tenham como origem a nossa sexualidade. Constantemente ignoram a Ciência e mesmo a falta de consenso em suas concepções a respeito da sexualidade humana para nos tipificar, às vezes com pseudo ciência com a de Rosângela Justino, como doentes. Constantemente estão nos satanizando e nos acusando por crimes, como a pedofilia, em que, não me recordo a fonte, 75% dos casos denunciados são cometidos por heterossexuais e que nos quaisconstamente colocam panos quentes, pastores.

Bem, algo tem que ser feito e uma coisa é certa, não é ficar acomodado porque pensamos ser bonito apontar o dedo para os grupos LGBT’s carregados de efeminados. O quê necessariamente tem que ser feito é onde está minha sinceridade, eu ainda não sei. Bem, é ano de eleição e seja a hora de eleger candidatos com os quais nos identificamos sexualmente, mesmo que isso envolva as preferências partidárias. Mas confesso que vai ser difícil eu votar em um tucano, porque é justamente no PSDB, assim como no DEM, PHS, PP, PR, entre outros partidos, que mora a bancada protestante e os seus empecilhos.

Em virtude do Governo Lula ter sido na opinião de muitos o governo em que os temas inerentes aos LGBT’s ganhou políticas de Estado e em virtude desse blog manifestar minhas opiniões, já deixo bem claro minha preferência por um candidato do PT, creio que Dilma Rousseff, na certeza que esse dará sequência as políticas tomadas nesse governo.