Mostrando postagens com marcador Crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crianças. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

3º Dia da natação - afinal tudo pode piorar

Não falei sobre o segundo dia na natação, até mesmo porque não teve nada de muito legal, o salva-vidas gatinho não estava lá. Tudo que aconteceu resumiu-se apenas ao fato de eu conseguir boiar, bater as pernas, sair do lugar, respirar e olhar dentro da água para onde estou indo, tudo ao mesmo tempo. Não não! Isso não é tão simples quanto as pessoas que sabem nadar pensam que é, é muita coisa e portanto complexo para se fazer ao mesmo tempo. Mas enfim, consegui empinar a bunda.

Em compensação, hoje, o terceiro dia, rolou coisa para contar. Bem, a novidade começa porque eu fui para o SESI com a mala pequena fabricada na China que comprei no Wal Mart! Nada demais nessa mala, mas gostei dela, ela é pequena, mas com espaço de sobra para as coisas que quero levar para o clube e sem parecer muito cafona. Ela é um pouco cafona, é, cafoninha, mas ainda sim utilizável, até mesmo porque comprar uma mochila é algo fora de cogitação agora que tenho que pagar o financiamento de dois carros enquanto meu pai está desempregado. Senti pena de mim agora. Dilma, você está lendo isso?

Bem, cheguei ao clube todo feliz, de boné, óculo e Havaianas, com mais naturalidade eu tirei todas as coisas, fiquei de sunga e guardei tudo na mala pequena fabricada na China que comprei no Wal Mart... por R$29,90! Fiquei feliz e levemente constrangido porque hoje o salva-vidas gatinho estava lá. Sim, homem bonito me faz sentir vergonha! Fiquei mais constrangido ainda porque a água da ducha estava bem gelada e eu tremia quando eu cheguei a borda da piscina e ele perguntou a mim se eu não ia entrar lá. Ótimo, além de ser um cara que não sabe nadar, morrendo de frio, eu ainda fico todo engessado para falar com ele. 

Enfim, tomei coragem e entrei dentro da piscina, mas de mal jeito, meio que perdi o equilíbrio e me assustei com a temperatura baixa, a água entrou ardendo pelo meu nariz e eu quis meio que chorar. Ele viu tudo e perguntou se a água estava muito frio! Own! Eu disse que nada, só meu metabolismo que estava um pouco lento! Meu metabolismo! Quem que está afim de alguém utiliza a palavra metabolismo em uma conversa como aquela? E por isso e por tudo que passou nos segundos anteriores eu fiquei muito constrangido por aquele salva-vidas lindo estar ali me olhando e ainda por cima conversando comigo, por mais atencioso e fofo que ele, naquela pele bronzeada, fosse.

Ok! Penso que talvez eu não estivesse me amando suficientemente. Cadê o meu amor próprio? Por que eu estava me menosprezando, me sentindo alguém inferior perto daquele homem e de quem mais chegasse ali? Respirei fundo e olhei reticente para o salva-vidas em pé, na borda da piscina, me olhando com aqueles óculos escuros. Eis que chega uma pirralha e mais outra e mais outra...

- Oi moço, você também vai dar aulas para a gente?
- Então você também é aluno?
- Que idade você tem?
- E você não aprendeu a nadar?
- Nossa, você vai aprender direitinho! Eles são ótimos para ensinar!

Olhei para o salva-vidas, ai como ele é bonito, e mudei de ideia quando pensei que poderia ser um dia muito estressante de trabalho se ele tivesse que resgatar três crianças afogadas e ainda ser testemunha de acusação de um cara de 23 anos que minutos antes lhe pareceu alguém legal.

Certo! Aula começa, elevatória, pega a boia e vai batendo os pés entre um lado e outro da piscina. Ótimo, adrenalina, estou conseguindo e hoje está tudo mais fácil do que nos outros dias, tirando que minhas pernas estão ficando cansadas mais rápidas e meu fôlego parece não estar sendo o suficiente! Próximo grau de dificul....

Não, espera, dê play no vídeo abaixo, aumente o volume e continue a ler! ...é que é para dar mais emoção!



Deu play?

Sério! Dá play! Vai, você vai gostar!

...deu play, né?

Próximo grau de dificuldade, segura a prancha com uma mão e com outra faz braçada! Afundei um pouco, tive a impressão de que eu involui, tive que ficar em pé, entrou um pouco de água pelo nariz! Tudo bem, fui tentando, fui tentando, e mesmo com as pernas doendo eu consegui finalmente dar uma braçada e ver como daquele jeito eu nadava mais rápido. E assim eu fui, de novo e de novo! Porém, a vida é uma caixinha de surpresas!

Senti uma leve fisgada na perna e na outra, fui saindo meio que na velocidade da luz? Só lembro de dizer bem alto: câimbraaaaaaaaaaaaaa!

E fiquei ali deitado na borda da piscina, rindo de dor, as pessoas olhando, eu justificando que eu havia almoçado e ainda por cima bananas! As dores pioravam e todos puxavam minhas pernas! O sol ia secando minha pele alva e eu pensei, quem sabe de repente essa câimbra me deixa um pouco bronzea... aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii que dor! Neste momento eu pensava também em olhar em volta e ainda bem, o salva-vidas não estava por perto para me ver abatido, destruído, inoperante! E assim a crise não passava, o travamento voltava e era como se minhas pernas estivessem sofrendo um ataque hacker! Well's legs tango down!!!!

Quando tudo normalizou, minha pele estava seca, mas eu conseguia andar com a mesma felicidade que o Locke após o avião cair na ilha de Lost! Mas a professora me dispensou! Eu suplicando disse que queria voltar para a piscina e ela disse que em mais três minutos a aula acabaria... bosta!

Fui para o vestiário, no caminho duas tias bahiana veio me contar como é ter câimbra na Bahêa   (acho dhigno português arcaíco). Cheguei ao vestiário, twittei minha vergonha, o menino cabeludo branquelo da mala grande entrou de sunga no vestiário! Pensei, ele pode ser feio, mas sabe nadar e nunca deve ter passado vergonha na frente dos salva-vidas! Quando fui embora, me veio aquela carência e frustração, via os alunos do outro módulo da natação, todos gostosos e longe de mim, uma vez que eu não sei nadar e naquele dia tudo ficou mais difícil!

Enfim, minhas pernas ainda doem! Mas sexta-feira darei a minha volta por cima e eu irei brilhar! O que não é difícil, porque sempre me pareço com o Edward de Crepúsculo quando tiro a camisa mesmo!

Peixos, me liga!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um dia de cão

Eu tentei uma vez, tentei outra vez, tentei mais outra vez. Tentei ser legal, ser palhaço, ser sério, carrancudo, mas não deu certo. Levando o data-show para a secretaria da escola lá estão um monte de gente, coordenador pedagógico, secretária chefe, coordenadora de turno, diretora e perguntam outra vez em unissono:

- Eaeh?

E eu digo:

- Amanhã (no caso hoje – data dessa postagem) eu faço 21 anos, ou seja, se eu começar outra graduação que não tenha nada a ver com educação eu ainda vou me formar novo.

- Estamos falamos, eles (os alunos) massacram.

- Lá na Universidade é tudo bonito, agora você acredita que aqui é diferente.

- Não tem jeito, eles não querem aprender.

Coitado de mim. Pobre menino sonhador, acordou para a vida. Não quero admitir, mas os alunos são realmente alunos. Bando de filhos da puta, sem luzes. O pior que o mais filho da puta e sem luz sou eu, quatro anos praticamente em uma Universidade, lendo tanto, pensando tanto e não dou conta de dar um jeito nos guris. Os alunos são uns filhos da puta, mas não tanto quanto eu. Que fiasco, não conseguir dar uma aula que preste é um fiasco. Será que se eu fosse um médico deixaria o paciente morrer?

Estava assistindo hoje a tarde os capítulos que faltavam de Glee para entrar em sincronia com a exibição da série. Lá pelas tantas do episódio 18, o telefone fixo toca. É pap ligando, adoro ID de chamada. Por causa disso nem atendo telefones cujo DDD comece com 4 ou 5. Sempre é algum separatista lá do Sul vendendo assinatura de revistas ou cartão de crédito em troca de um salário mínimo de fome.

- Pai.

- Cadê sua mãe?

- Pondo roupas na máquina.

- Vem aqui no Hospital [/a barriga do Well vai glaciando progressivamente] de Urgências me buscar, porque eu caí da moto!

- Tá, mas e você, como está? [/voz meio tremula]

- Não, estou bem, mas preciso ir para outro hospital. Vem logo! Mas cuidado como vai falar para a sua mãe!

Quando meu pai fala que está bem, mesmo que ele não esteja necessariamente bem como queríamos, dá para respirar aliviado. Meu pai é muito prático, só diz que está com dor quando estar com dor. Não tem nada com ele que não pode ser resolvido com um pouco de palavras. Ele é um ótimo adepto de o que não tem solução, solucionado está. Vou puxá-lo nisso eu acho.

- Mãe, não fica preocupada, meu pai caiu da moto, está tudo bem, ele disse para eu ir lá pegar ele no hospital. [/sorriso “Olá, vamos fazer seu cartão Hipercard hoje?” style]

- [/minha mãe incorporando a Maria do Bairro] Como assim está tudo bem? [/eu fazendo cara de Soraya Montenegro na parte que ela diz: “Calma Maria do Bairro”] Ele está bem?

- Está, estou indo lá oh, peixos me liga!

- Eu vou com você.

- Aí meu coo, você vai enrolar.

- Eu vou, é meu marido! E a moto?

- Mandou lembranças?

- O quê?

- Ah, num sei, liga para o meu pai e pergunta, depois que sairmos!

E assim foi o dia lindo, com os capetas da escola, alunos carrascos e funcionários para dar apoio moral, e os capetas do serviço público de saúde. Que coo, vai para classificação de risco, consulta com médico, tira raio X, consulta com médico de novo, toma injeção, faz curativo, põe atadura. Aproveito e ligo na Vivo para comer o cu deles ou os 30.000 pontos de volta. Faço cara de dózinha para aqueles adolescentizinhos munitinhos que vão chegando com a mãozinho, o pézinho quebradinho, torcidinho, deslocadinho, luchadinho, e penso, tão bonitinho, tão dodói, deve ser outro filho da puta que fode com a vida e a autoestima profissional do professor.

Saímos lá do pronto socorro ortopédico as 22:30. Eu cansado, chateado, minha mãe ligando para família nos quatro canto do estado para dar notícias, o rádio ligado na CBN e eu pensando, como essa vinheta é melhor do que ouvir a mesma história pela quinta vez. Por fim, resta passar no pit dog e comprar uns X-tudos.

Enfim, feliz 21° outono Well.

P.S.: Por mais que quem eu deseje ganhe as eleições, continuarei não confiando na Previdência Social. O que é melhor, VGBL ou PGBL?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre as crianças

Agora virei babá e tudo que irei ganhar fazendo isso é responsabilidade. Na verdade não é ser babá, é apenas ficar com o Pepe enquanto a sua mãe, mestrando, vai dar aula a noite na rede municipal de ensino. E não ser remunerado financeiramente com esse ficar com o Pepe é algo que, assim, me aproxima do homem bom por natureza do Jean Jacques Rousseau. Homem bom por natureza que deve ter aos montes por aí, imagino que em Tuvalu e na ilha Bora-Bora, onde suponho, não tem mestrado e nem aula na rede municipal de ensino a noite.

Bom, até agora está tudo tranquilo, estou aqui usando o PC deles, que é menos lerdo que o meu, lendo alguns bloguinhos, trocando idéia com o Scotty lá do Action Double, que falar nisso tenho que relacionar aqui no ladinho, e com o Santa Católica Travesti, que muitos de vocês conhecem como o Sex and City Tupiniquim lá do Em Constante Construção.

Mas o melhor de tudo mesmo é que nem vou limpar o bumbum dele, nem dar mamadeira, nem nada. Tudo que eu tenho que fazer é dar o meu apoio psicológico todas quartas-feiras a noite para ele dormir em piloto automático. Na verdade não é tão simples assim, eu tenho que abrir a porta depois de quinze minutos, acender a luz, ver se ele está suando e caso estiver, puxar o lençol para trás. Tudo perfeito, eu fui fazer isso e quando acendo a luz lá vem ele olhando para mim com aqueles dentinhos de leite. Porra, não gostei, bem, pelo menos ele dormiu.

Acho que vou postar todas as quartas feiras enquanto eu fico com o Pepe. Então é isso crianças, estou ficando com outra criança e menor que eu. Na verdade estou ficando no pc ou na tv a cabo da casa dela. O máximo que pode acontecer é a casa pegar fogo, eu arrancá-lo do berço e dar entrevista para algum jornal local sensacionalista, desses que passam na Band local.

Beijos me twitta: www.twitter.com/BorbaGabriel