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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Contando a verdade, omitindo ou atenuando-a

Ok, quero conhecer pessoas e ser amigos delas. Tenho medo da solidão, fico me sentindo vazio e irrelevante em qualquer noite por causa disso. Para mudar eu tenho feito alguma coisa e me parece que aos poucos eu vou conseguindo essa realização. Certo está que eu poderia ter feito isso a mais e tempo e estar num processo mais acelerado, ter inúmeras amizades, estar conhecendo pessoas e combinando coisas para fazer junto a elas. Mas nem tudo decorre como acho que deveria acontecer, o marasmo é uma constante não da vida, mas da própria pessoa que sou.

Sábado teve churrasco lá com as pessoas da Igreja Inclusiva e minha vontade era a de não ir. Provávelmente o churrasco teria aquele jeito neopentecostal deles orarem e eu preciso agilizar a leitura para escrever minha monografia. Acabei indo e as pessoas de lá são legais, deu para rir constantemente e falar da minha sexualidade sem constrangimento como rara vezes falo pessoalmente a alguém. Porém, como eu já falei, elas acreditam em algo em que se eu voltasse a acreditar, seria o mesmo que um retrocesso para mim. Sim, eu acho que acreditar em um Deus, ainda mais no cristão, é um grande retrocesso. Sem contar que acreditar em Deus, Bíblia e arrebatamento não é algo que dependa da minha vontade, como por muito acreditei. No fundo eu acho que ali na igreja inclusiva eu não estou explorando todo meu potencial para selar amizades e no fundo, apesar das ressalvas não tão claras que eu fiz a eles, eu me sinto um estranho ou um invasor sem propósito. Sem contar também que nessa história toda não me vejo de outra forma a não ser a de uma caricatura ridícula.

Tudo bem, potenciais amigos "laicos" já encontrei, mas não me parece que será tão fácil assim ter alguns deles ao ponto de falar que eu sou plenamente satisfeito com amigos. que eu ei de ter. Aliás, não existe nada na minha vida que me deixe plenamente satisfeito. Por fim, falar assim parece que coisifiquei as pessoas e elas me são um objetivo a ser conseguido tanto quanto uma casa da década de 1940 ou um Pálio 1.4, para começar é claro.

Tenho algumas lições por fazer, não sei como e quais. Acho que uma hora qualquer encontro o meu jeito de resolvê-las, mesmo que eu não perceba na hora. Quem sabe falta vivência e tudo mais.

Aqui na Universidade, estou postando de um computador do laboratório da Biblioteca Central, fiz alguns colegas. Um deles é um roqueiro que ouve Tristania, Lacuna Coil, Opeth, Rammstein, e um monte de bandas que já ouvi e não ouço mais porque já enjoei delas e do estilo. Esse colega roqueiro é além de tudo um presbiteriano e que acha a homossexualidade, ou homossexualismo nas terminologias dele, uma aberração, uma verdade devidamente amparada nos textos bíblicos que ele tanto confia.

Já discutimos algumas vezes sobre moral, bons costumes, sexualidade e zaz. Ele, é claro, nunca cedeu a opinião, eu também não, e nessas discussões pela energia com que eu discutia o tema devo ter deixado algo subentendido, mesmo que não fosse minha intenção, e que nunca me preocupei em combater. Ótimo, e lá estou eu twitando sem papas na língua, falo sobre a minha mãe que começa a chorar desesperadamente porque eu vou sair com as pessoas que conheci primeiramente através da internet e que ainda por cima são gays. Uso a expressão "amigos coloridos" me referir a eles e lá vem o colega roqueiro pedindo para eu explicar o que vem a ser esses amigos coloridos. Eu respondo que é justamente o que ele está pensando e recomendo a ele que não conte a ninguém. Bem, daí que acho isso uma graça, polemizar na faculdade.

Já a mãe, está na hora d'eu ser mais sincero para com ela e dizer que nem sempre eu vou ao cinema ou coisa parecida e que muitas vezes eu vou encontrar pessoas, assim como eu, homossexuais. Minha mãe faz uma comoção, para mim irritante e sem propósito. Toda vez que digo que vou sair com pessoas com a sexualidade semelhante a minha ela começa a chorar a ponto de me deixar comovido e me sentir culpado por algo. Fico irritado, está na hora de assumir as consequências e dizer a ela que seu choro não vai me impedir de sair, apenas incentivar minhas mentiras, a falta de paciência que tenho - sim, eu percebi a antítese - entre outras coisas.

Bem, e cá estou eu, jamais tão evoluído como penso que deveria estar e com um longo caminho a trilhar. No fundo sou um grande mentiroso por covardia, daqueles que mente para adiar os problemas, mas jamais resolvê-los. Um grande filho da mamãe, uma grande filha virgem do fazendeiro diria a terapêuta.

Então, é isso.

Peixos, me liga.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tédio do começo da noite

A Prefeitura de Goiânia vai fazer concurso para contratar novos professores. Ainda não saiu o edital, se houver vagas para minha área de formação irei fazer, mesmo que eu esteja agora frustrado com relação à licenciatura. Pretendo prestar o concurso só para desencargo de consciência, para que no futuro eu não me cobre por não ter tentado, seja passar no concurso, seja lecionar.

Não faço questão alguma de esconder isso, me frustrei com a minha escolha universitária, aliás, com a mais típica das atuações profissionais que a minha graduação permite, a licenciatura. Insatisfeito, me inscrevi no ENEM, vou ver se faço outra graduação, preferencialmente na Federal. Qual graduação ainda não sei bem qual. Gosto da área ambiental, coisa que um bacharelado na minha graduação me permite fazer, pena ter a concorrência de outras áreas. Gosto de TI, para ser mais exato, Telecomunicações, mas o campus do IF onde tem o curso fica um tanto quanto distante.

Bem, ainda não fiz muitas expectativas a respeito do outro curso. Vou escolher a próxima graduação com mais calma, já que não quero me arrepender depois e mesmo assim eu ainda possa me arrepender. Resta saber que se uma vez escolhida a graduação eu poderei cursá-la, seja porque eu não colo grau, e assim encerro meu vínculo com a universidade, no final do ano, seja porque, quem sabe, o meu perfil sócio-econômico, bem como "intelectual", aja vista que já vou ter uma graduação, pode não me habilitar para uma bolsa do Pró-Uni. Pagar um curso é o que eu não vou fazer.

Enquanto isso o segundo semestre letivo do Ensino Básico brasileiro já está começando em Goiás. A Secretária Estadual da Educação dispensou todos os professores comissionados e não contratou os concursados. Não conheço todos os capítulos e não sei no que vai dar essa novela, a não ser que a Educação e o futuro dos nossos alunos, como sempre, irão para o pau. E eu quero mais é que demorem a chamar os aprovados, assim ganho tempo para concluir minha licenciatura e ver, que de repente, eu consiga ser um bom professor.

Ultimamente eu não tenho me esquentado com muita coisa mesmo nem com a Educação. Teria virado um medíocre se eu já não fosse. Mas aliás, falando em não me preocupar, estou numa fase meio individualista, de achar que cada um é, em partes, culpado, ou responsável como eu preferir, de si mesmo. Exemplo, hoje minha mãe se irritou, ao ponto de bradar louca em Cristo, porque eu estava carregando músicas no celular e não ia fazer umas coisas na cidade e que ela havia pedido antes. Ela perguntava se eu não tinha dó dela e eu respondi que não, afinal de contas, quem mandou ela ser impositiva e querer que as coisas sejam só da maneira dela? Ir naquela hora, mais cedo ou mais tarde ia dar no mesmo. Na hora de sair ela me mandou ir com Deus. Aff, eu respondi "Tenha dó!" Ela sabe que eu não acredito, diz que vai quebrar o celular e grita ao ponto de me deixar irritado ao ponto de querer que ela enfarte e me dê sossego. Claro que eu não quero que a minha mãe enfarte, é que a emoção me tira a razão e na hora a gente só pensa, não deseja e não externaliza, respira fundo o ar seco até o nariz doer.

Contudo, no fundo penso em sair de casa, fazer às coisas ao meu tempo, da minha maneira. Não gosto de nada me pressionando. Problema que para sair de casa a gente precisa de dinheiro, coisa que eu não tenho e sou um vagabundo sustentado pela mãe feroz. Além do mais tenho uma constância de solidão, sinto falta de alguém, só vejo meu círculo social reduzindo e ficar distante dos meus pais, da minha mãe ainda por cima, me faria voltar rapidamente para casa outra vez, suplicando a presença deles, ou morrer deprimido e eu morro de medo ter depressão, eu sou angustiado, mas me controlo bem.

Tudo bem, como eu havia dito, se apertar eu voltaria para casa, não tenho vergonha de dar o braço a torcer mesmo. Ok, nem sempre eu dou o braço a torcer, mas melhorei bastante e me acho melhor do que muita gente com relação a isso. Sem contar que me sinto um tanto quanto nobre.

Bem, é isso. Ah, hoje eu passava pelo Mercado Central e numa loja de coisas típicas do cerrado havia um rapaz atendendo. Não sei porque, senti que ele gostava da mesma fruta que eu além de ser bem pegalvezinho. Olhei para ele meio sorridente e ele olhou para mim, me parece que sorriu de leve e olhou fundo nos meus olhos. Bem, continuei andando, pensando "mas será que é mesmo?" e se eu não deveria ter feito outra coisa além de simplesmente ir embora.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Minha mãe e minhas gorduras

Eu no meu quarto sem camisa, minha mãe entra, se senta a cama, me olha de cima até embaixo e diz:

- Êhhh, mas você está gordo!

Pronta e rispidamente eu respondo:

- Não precisa falar, eu já sei que eu estou gordo.

- Porque você me trata mal se eu te trato bem? [/nem pensei na música de Pedro Luís e a Parede] Que mal tem eu dizer que você está gordo?

- Mal? Na verdade que importância tem eu saber que você me acha gordo. Eu sei que eu estou gordo e não gosto nenhum pouco disso. Você falar que eu estou gordo não vai ajudar em nada para resolver meu problema.

Então começa as lamúrias da minha, ela diz que eu sou ríspido, grosso com ela, que meu primo não trata minha tia assim, que a fulana só anda abraçada à mãe dela, que coisa e tal e tal e coisa, que é assim assado e zaz. Ela ficou magoada, a voz embargada.

Tudo bem que eu tenho engordado, isso tem me deprimido, abaixado mais minha autoestima e feito me sentir um Shrek, que o que a minha mãe tem a me dizer ofende de certa maneira e não tem compromisso algum em me ajudar, que ela é adepta de um dramalhão mexicano, mas o que ela disse não deixa de ser verdadeiro. Eu sou muito ríspido com ela. Porém não sei porque respondo de forma tão raivosa as perguntas idiotas que ela me faz, a destrato com regularidade, a minha crítica com relação a ela é mais acirrada, enfim.

Ela se sente desprezada, apesar que eu não a desprezo e de forma alguma ela mereça meu jeito grosseirão. Pior que é só com ela que eu sou assim. Mas eu a amo muito mesmo e deveria dizer isso a ela e não escrever aqui. Mas eu a amo, sinto falta dela e me arrepio quando penso saber que um dia ela não vai voltar. Contudo meu amor é uma discreta rosa branca com espinhos [/lembrei do texto do Lobo Cinzento].

Não que eu tenha menos amor para com a minha mãe - e acho errado medir amor ou pelo menos medir esse amor fazer escala e tudo mais. A questão é que não aprendi a lidar com a minha mãe, com como ela entende o que é o amor é manifestado e não tenho me esforçado para tal.

Me falta mais policiamente e reflexão. Tempo é necessário? Talvez, mas enquanto isso tenho destratado minha mãe e ela se ferido comigo. O meu tempo vai acabando, deveria eu aproveitar enquanto, ainda talvez, tenho o amor dela e assim não a magoasse mais e nem me deixasse também chateado.

Estou zangado comigo e nem ao luxo de me chamar de filho da puta agora eu posso, pois na verdade sou mesmo é um filho de chocadeira, gordo com meus parcos 167cm que mal estão servindo em uma calça 42, que a toda vez que me sento tem aquela barriga se projetando a frente, perdendo eu a elegância e a atraência sexual.

P.S.: Acho que eu fui o único leitor da postagem do Braccini sobre a gordura e não achei a menor graça.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Aqui começa 2010

Hoje é dia 08 de janeiro, data que certamente vou carregar por toda vida, pois ela adquire para mim um significado relevante. Ano passado, nesse mesmo dia, aproximadamente às quatro horas da tarde minha mãe chegava do trabalho, conferia a caixa de correio e depois vinha até o meu quarto para dizer essencialmente que não era para eu receber cartas de homens. O que havia chegado para mim naquela quinta-feira era uma carta do Mário, não a primeira dele para mim, muito menos a primeira oriunda de um homem.

Quando ouvi o imperativo da minha mãe logo me desconcentrei do filme que assistia aqui no PC, De Porta em Porta cujo enredo não me agradou, era bem neoliberal e meritocrático. Comecei a pensar por quanto tempo iria brigar com minha mãe, iria mentir a respeito da realidade para os meus pais para viver como o que eu realmente sou. Pensei no e se eu falasse agora. Me veio medo, veio receio, veio a adrenalina e veio uma insegura decisão que uma vez tomada eu não iria voltar atrás.

Minha mãe estava sentada na minha cama esperando algo, não sei bem o quê, talvez tivesse pressentido que eu iria falar algo muito sério a
ela. Então agressivamente eu disse a ela que continuaria recebendo cartas de quem eu quisesse, inclusive de homens, pouco me importava com isso, afinal, sou gay se é isso o que ela não quer que eu seja. Bem, daí desenrolou uma situação enfadonha, inclusive para lembrar e que no mesmo dia tratei de postar aqui. Leia o texto aqui.


Naquele dia um misto de sentimentos me vinha a todo o momento. Era alívio da verdade revelada misturado a nova pressão que se instaurava, a de ficar continuamente justificando o que para mim por si só já estava justificado, a de se controlar sendo polido e racional quando o que eu recebia do mundo era apenas emocional, ao orgulho da coragem obtida por conseguir o que muitos não haviam conseguido e talvez demorem conseguir.

Sol + Chuva = Arcoíris + Eu + Câmera = Blog.

Postei aqui acreditando que o meu texto tinha também um caráter de utilidade pública e em um tópico já criado, falando entre inúmeras coisas, o meu aviso aos meus iguais de que o conhecimento dos outros a respeito da minha condição havia mudado na comunidade do armário. Foram congratulações, elogios e muitas perguntas.

Sabe, de certa forma me orgulho e fico feliz por isso e por mais que no meu caso tenha sido através dos caminhos das pedras que cheguei a redenção, desejo isso a todos os outros esse relativo sucesso que obtive.

Pois bem, um ano se passou e os benefícios vivenciados por esse assumir para os pais – e sem saber para os avós, leia aqui - foram poucos. Sendo meritocrático, a culpa foi minha. Na terapia, refletindo a respeito de mim mesmo durante o ano de 2009, cheguei à conclusão de que o meu ano de apatia teve como culpado eu mesmo. Faltou realizações por ter faltado de mim os objetivos e sem querer ser sofista, o Universo, tanto faz aqui com letra maiúscula ou minúscula, não se abala sozinho para conseguir o que desejamos.

Bem, 2010 começa diferente. No blog a diferença essencial é a primeira postagem ser intencionalmente no dia do mês em que foi publicada a segunda de 2009. Claro, essa postagem aqui tem um caráter muito mais reflexivo do que o emocional que teve a outra e quiçá tenha um caráter simbologista.

Sobre 2010 defini algumas coisas. A primeira é que não vou me considerar mais no armário e nem assumido, sequer vou me preocupar com um rótulo, que é feito para potes de geléia e não para eu que me vejo como complexo, multifacetado, singular e humano, com o que mais nobre ou podre isso tenha. Uma forma que encontrei para dar fim a essa designação de armariado foi o fim da minha participação na comunidade Estou no Armário e daí?, assim como o do meu perfil Well Bernard no Orkut.

Saí da comunidade, pois a um certo tempo não me identificava mais com ela que surgiu num momento da minha vida caracterizado por uma recente autoaceitação, porém cheia da solidão e cercado por um horizonte incógnito e amendrontador. Lá tive meus erros, os quais não seriam repetidos se fossem hoje sem dúvidas. Não os lamento porque isso nada adianta e adiantar alguma coisa não é meu desejo.

Também houve meus atritos, minhas divergências, me chamaram de coisas ruins. Mas quem disse que também não tenho coisas ruins para dizer a respeito dos que me ofendem? Mas foi bom, infinitamente bom, imensurávelmente bom. Pois a ENAED desencadeou coisas que certamente não se desencadeariam sozinhas em mim.

Sei que terei muitas saudades das conversas nos botecos, as cantadas dadas e recebidas, das trocas de experiências, a paciência para ouvir os relatos, para dar e ouvir conselhos inseguros, errantes, mas sinceros. Das provas de amizades não imaginadas, principalmente a dada pelos amigos de São Paulo. Embora tenha sido bom, a ENAED nunca será o que preciso para mim, pois essas demandas já foram superadas. Também não terá o encanto da naturalidade com que as coisas decorreram. A hora de sair e de deixar a comunidade para os outros e suas trajetórias e projetos de vida chegou e eu a fiz.

Assim penso que seja melhor sair, pois faz muito tempo que eu não me identificava mais com a ENAED e assim não tinha mais eu algum entusiasmo para lê-la, dela participar. Sentia-me nela alguém alheio e distante. De tal maneira, discretamente a deixei apagando, por não ver sentido em manter a existência, de Well Bernard. Saí da comunidade para dar ponto um final em um importante capítulo do texto que pode ser a minha vida.

Voltando ao que eu dizia, 2010 é um ano de planos, entre os outros planos está tentar realizar uma vaga em algum projeto de mestrado na universidade e em proporção menor, aumentar a convivência com pessoas do meu universo sexual na minha cidade e quem sabe atender e ser atendido pela demanda afetiva de alguém.

E aqui termino a primeira postagem do ano 2010, no dia do aniversário da minha “assumição”.