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terça-feira, 9 de abril de 2013

As cotas deram certo!


As pessoas acreditam que existe uma classe dominante porque um grupo de pessoas de maneira presunçosa e arrogante se impõe no poder, algo que é fácil perceber e supostamente fácil de reagir contra. Porém não é assim. A classe dominante existe com seus poderes e consequentes privilégios porque a classe subalterna, da qual eu faço parte, justifica os privilégios da elite.

Todo mundo acha absurdo fome, gente sem terra, sem teto, sem sub-escolarizada, etc. Muita gente acredita que isso existe porque tem gente que tá comendo demais, tem terra demais, tem casa demais, porque falta escolarização, etc. Muita gente pensa que os ricos deveriam ceder em seus privilégios e pensar mais no próximo, para que essas coisas tidas como injustas desapareçam. Às vezes a elite, até por um pequeno senso de humanidade também pense e concorde com isso, porém tudo muda, entre pobres e ricos quando alguma ação prática é tomada para mudar isso.

Por isso quando se fala em impostos sobre grandes fortunas, reforma agrária, aluguel social compulsório dos imóveis ociosos, cotas nas universidades federais todos são contra. Os ricos a gente entende, vão perder privilégios e pensam que alguém, que não deve ser eles tem que pagar a conta. Agora os pobres se põem contra por quê?

Existe alguns mitos em nossa sociedade pós iluminismo, o de que todos nós somos iguais e temos direitos iguais. Por isso, por exemplo, justificamos com tanto afinco a propriedade privada, pois foi dito que todos nós, mesmos os quem não têm a possibilidade de ter um palmo próprio de terra ou quem tem muito mais do que precisa para viver, tem esse direito. A propriedade privada muita gente não terá condição de ter, mas o direito de tê-la um dia sim. Por isso muito pobre acha o MST um bando de vagabundos.

Quem disse isso aos pobres foram os ricos e assim os ricos não se desgastam, pois os pobres tratam de conservar os próprios privilégios da elite, sem parecer que são da elite. Graças a isso, pude notar que no colégio público em que dou aula, uma significativa parcela dos meus alunos da Educação de Jovens e Adultos é contrária à existência das cotas, pois, na minha opinião, eles aceitaram o discurso de que existe igualdade entre um estudante do Colégio Estadual Joaquim Edson de Camargo e um discente do Colégio Visão, do Setor Bueno em Goiânia. Além do mais, eles acham que exista uma democracia - na verdade não acham democrático o vestibular, acham justo, pois alguns ainda não foram esclarecidos que democracia não é apenas o direito a voto - no vestibular.
 
Porém, as utopias sociais, como a da igualdade de condições existente no capitalismo, vão caindo por terra hora ou outra, sendo que nesta semana a revista IstoÉ trouxe uma reportagem estampada em sua capa para atestar que a Cotas deram certo e que todos reacionários argumentos da elite que a massa repete de maneira acrítica foram derrubados. Não, os cotistas não abaixaram o ponto de corte de em nenhum sentido relevante, não reduziram o rendimento dos cursos, tem desempenho semelhante ou superior, tem baixíssimo abandono ou mudança de curso e a grande maioria está empregada após concluir os cursos.

Minha função como professor nesta história, além de não ter publicado este texto sem antes revisá-lo, desculpe a minha falta, penso ser levar aos meus estudantes a informação, acirrar as críticas que eles tem sobre o assunto e permitir que eles cheguem a própria a autônoma conclusão sobre as cotas raciais. Portanto, a revista IstoÉ será o meu material de apoio dos meus próximos planos de aula.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quando um aluno me matou


Hoje recebi a notícia de que uma aluna da Educação de Jovens e Adultos morreu. A notícia me deixou despontado de verdade. Tenho simpatia pela EJA não só pelo fato de os alunos serem adultos, de pouco ser necessário chamar a atenção a respeito da disciplina deles, porque no geral eles se interessam pelo o que eu tenho a dizer, não tenho que tentar explicar para eles qual é a importância daquilo, mas também pelas suas trajetórias de vida. Muito estão lá às custas de relevantes sacrifícios pessoais, encaram a volta à escola como uma oportunidade de se tornarem pessoas melhores do que eles são, potencializar novos sonhos, ser o que um dia nunca foram e ou que muito cedo foi lhes tirado a oportunidade. Muitos chegam a minha aula pensando que concluído o 4º Semestre terão concluído a sua formação acadêmica, porém esforçamos para mostrar a muitos que aquilo é só o começo se eles quiserem mais.
Por isso me comovo, me apego e torço por pessoas que se parecem com meus pais, pela idade e pela vivencia, por pessoas que aos mais de 50 anos vida carregam a família nas costas, suporta violência familiar, doenças e destrato da saúde pública, ônibus lotado, faz uma rotina tripla, estuda e ainda por cima consegue notas e desempenho exemplares. Porém, saber que a pessoa morreu, mesmo que de maneira não muito dolorosa - "ela dormiu e não acordou mais" - é frustrante. Investimos neles os recursos públicos, mas também nossos anseios de professor e pessoa humana. Tudo o que a gente mais quer então é que alunos assim se deem bem, recebem uma recompensa da vida por seus esforços, ganhem da vida a outra face da moeda, a de que eles podem ir além do que já são e serem felizes. Mas vem a morte, com toda sua intransigência e frustram suas vidas e a gente também, por que não?
 Dona Cleide Moura, a senhora me ensinou muito mais coisas sobre a vida do que eu te ensinei sobre Geografia. Parabéns por ter lutado como uma guerreira! Lembrarei da senhora, seu semblante, sua feição humilde mas esforçada por toda minha vida.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O motel, O Rei do Gado e o talão de cheques do Itaú

Finalmente os primeiro salário como professor chegou e não foi nada animador. Mas eu vou ser professor? Bem, essa é a pergunta que eu fiz, pela enésima vez, ao olhar para o saldo da minha conta. Mesmo ganhando menos do que eu acho que eu deveria ganhar comecei criar uma série de gastos. Muitos deles poderima ser evitados, afinal de contas, ninguém precisa ir ao motel três dias seguidos. 

Apesar de ter gasto com todas essas idas até lá uns 70 contos, fora meio tanque de gasolina, que assim como preço do álcool, está com o valor pela hora da morte, valeu a pena ter ido lá fazer traquinagens. Na última vez que estivemos lá, na transa da despedida, ele formalizou a vontade de namorarmos. Sinceramente eu fiquei com vontade, mas sabe-se lá porque, ele acha que eu sou um corrimão de escada e por tudo que passamos juntos naquele pouco ele não me pareceu muito fiel. Está bem, que estou com muita vontade de ir em frente, mas também estou com medo de ir em frente e ser humilhado com a infidelidade dele. Ok, a noção é que ao nos bejarmos ele segura um machado e eu uma foice e ambos esperam a primeira pisada de bola do outro para... bem, fazer o que geralmente uma pessoa faz com um machado ou uma foice quando não quer trabalhar.

Tudo bem, vamos deixar rolar, confiança venha com o tempo e talvez eu nunca tenha. Mas tomara ela existir, embora talvez ela nunca venha, ainda mais numa relação que depois das duas primeiras horas terminou em um motel. Será que eu sou tão inteligente e cativante assim ou sou burro mesmo. Bem, já deu para sacar, estou com medo e ao mesmo tempo estou com vontade de ir adiante.

Vamos lá, assinei um plano de TV por assinatura que não é da NET, ninguém mandou ela cobrar o dobro pelo que a concorrência pode oferecer. Próxima semana começa no Viva a reprise de O Rei do Gado, novela cuja primeira exibição foi em 1996 e que me faz pensar que a Globo já não faz mais novelas como antes. Mas vou assistir O Rei do Gado para não só lembrar da história dos personagens, mas também da minha própria história, uma vez que sua exibição foi paralela e mexeu com o imaginário de alguns meses da minha vida.


Eu ouvia e achava lindo.

Quando a novela foi exibida pela primeira vez, viajámos em julho para o sítio do meus avôs maternos em Minas Gerais. Naquela ocasião toda a família da minha mãe estava unida ao redor deles. Lembro de a sala da casa da minha tia, que morava na propriedade vizinha, ficar cheia com gente da cidade, ali da zona rural mesmo, de Goiânia, Uberada, interior de São Paulo, enfim, vendo o MST invadir a propriedade do Bruno Berdinazzi Mezzenga que tratou de matar um boi para alimentar aquele povo todo. E o Carlos Vereza, que é bem de direita, fazer papel de um senador de esquerda. Lembro de brincar com meus primos e seus amigos que eram naturais dali. Brincávamos debaixo de um pé de manga no qual meu avô deixava o carro de boi, que era nosso castelo, casa, carro, caminhão, palco das nossas  duplas sertanejas no estilo Pirilampo e Saracura (nome da dupla sertaneja que Sérgio Reis e Almir Sáter fizeram na novela) e brigarmos com um primo uns dois anos mais velho e que hoje mora nos EUA porque ele queria que não ficássemos brincando ali. Dizíamos que ele se achava o Rei do Gado e num era ninguém.

Bem, lembro que a minha avô materna não entendia o que queria dizer o Gustavo Borges ganhar sua medalha de ouro em Atlanta, assim como lembro dela fazer biscoitos, pão-de-queijo, canjica, arroz doce com o leite que meu avó ordenhava todas manhãs. Lembro dela ensinar a mim e aos meus primos brigar com meu avó para ele "sungá" (erguer) as calças e dela me colocar no colo e contar para mim as histórias sobre Deus ter criado os animaiszinhos (?) e dos lobos (guarás) que iam matar as carinjós dela durante a noite. Como meus avós moravam em um bairro rural onde até hoje a agricultura familiar é predominante, íamos a pé jantar ou almoçar na propriedade de alguma tia ou primos da minha mãe e tios. Lembro que meu avó me carregava na garupa do cavalo, afinal de contas eu era o xodózinho porque é o que morava mais longe e na cidade grande, o que não conhecia essas coisas do campo. Ali, sobre o tal animal eu me sentia meio que um Rei do Gado.

Hoje estava olhando o meu talão de cheques, a conta tem apenas três meses de idade, mas nas folhas está impresso que sou cliente do sistema bancário desde abril de 2002. Na verdade deveria ser mais tempo, desde 1991 se for contar meu tempo enquanto cliente do Banco do Estado de Goiás, que foi comprado pelo Itaú. Quem trabalha com cobranças e análise de crédito deve saber que quanto mais tempo de correntista consta impresso no talão de cheque, maior a facilidade para um cliente ser aprovado. Não é grande coisas para quem adora um cartão de débito ou crédito como eu, mas se hoje tenho um talão de cheques que conta com esse detalhe interessante é graças ao meu avô materno que em 1991 mandou abrir uma poupança para mim e depositou um significativo dinheiro para os padrões da época. 

Estou pensando no talão de cheques e na novela O Rei do Gado porque quando esta foi exibida, foi a última vez que vi minha avó materna viva. No ano seguinte ela se suicidou e após isso a família entrou em atrito, alguns tios hoje não se falam, embora sejam irmãos. E no final do ano passado meu avô materno morreu. Quando morreu pensei que não estava eu perdendo lá grande coisas, nunca pintaram um bom quadro dele para mim, disseram que se não fosse o jeito mulherengo dele toda família teria uma condição social muito melhor do que tem hoje e minha avó provávelmente viveria mais anos. Quando o vi enterrando na cidade de uns tios que tenho no interior de São Paulo, não chorei, senti que não tinha nada de muito importante meu indo embora. Bem, atualmente não choro a morte do meu avô, mas essas lembranças da novela e a data às vezes irrelevante do talão de cheques me faz pensar que acreditar que dizer que meu avô não fez a diferença é de uma grande limitação da minha parte e talvez uma defesa que crio inconscientemente com medo de admitar o luto.

Coisas loucas. Bem, é isso, peixos, me liguem e me twitem. 

Vou ver Glee.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hoje é o novo dia.. de um novo tempo que já começou... [da Grobo]

Eu havia bebido dum tanto, em uma duas horas eu enfiei guela abaixo umas seis latas de Brahma. Pode parecer pouco para quem é piolho de festa e bebe muito, né Mauri?, mas para eu que não bebo muito era bastante, as idas ao banheiro que não me deixam mentir. Eu estava deprimido, uma sensação de vazio, como sempre, liguei a televisão, eram 23:58 no relógio digital comprado em uma loja de variedades baratas vindas da China. Eu olhava para a televisão meio sem entender, até mesmo porque quando quero ser apático eu consigo, embora isso me exija concentração e umas latas de Brahma ajudem. Daí eu vi aquela pirotecnia, a tela dividida em duas mostrando as combinações de Copacabana, Avenida Paulista, Esplanada dos Ministérios, Praia do Forte, Florianópolis e tudo mais.

Saí da sala e fui para a varanda onde todo mundo bebia, falava mal de quem não estava, dava risada, falava alto e ou dançava aquelas músicas que há seis meses não tocam mais no rádio e 10 ninguém se lembra mais delas. Eu gritava Virou! Virou! Virou! e girava com os dedos. Eu estava feliz como se aquilo fosse muito divertido e empolgante. Mas sem hipocrisia, eu estava achando aquilo mara. Minha prima perguntou o que acabou e alguém falou Virou, já passou da meia noite. Pronto, todo mundo começou a se abraçar, fazer simpatia, cantar aquelas músicas globais e eu escrevi dois parágrafos inúteis, que poderiam ser um apenas, para prender a atenção de vocês. ahuahuahauhau

Bem, mas o importante é que esses dois parágrafos narram como 2010 começou para mim, meio tonto, com os sentidos, principalmente a audição, limitados, vontade de urinar, com efusividade etílica para disfarçar a carência afetiva de longa data. Ok! Tomei mais uma lata e comecei a tascar água em mim, no meu estômago, queria tirar todo aquele álcool de dentro de mim e acordar na próxima manhã todo joiado. Não é de ver que deu certo?
Em 2010 eu não arrumei um namoro, transei menos do que em 2009, continuei sem lugares para ir, pessoas com quem conversar. Mesmo assim a presença da Vaca Profana e da Mariana ajudaram muito. Não saí do armário para ninguém até mesmo porque já não me considero mais nele e olho com certo desprezo aqueles que estão no armário, mas que não tem uma condição social tão hostil que justifique a eles permanecerem calados. Em 2010 eu fiz alguns meses de LIBRAS, me interessei por ela e penso em aprofundar meus conhecimentos a respeito dela, bem como conviver com pessoas surdas. Também fiz uma disciplina sobre adolescência e violência na qual falaram sobre bullying e eu, não muito bem à vontade, falei sobre o assunto aqui. O que me rendeu dois contatos novos no MSN, um deles sem notar que eu sou da linha de estojos da Faber Castell.

Mas foi em 2010 em que eu peguei a essência ou notei a graça do Twitter. Dane-se, o que importa? Não arrumei namorado, mas consegui arrumar alguns amigos que também vieram nos estojos da Faber Castell. Lembro da minha amiga que trabalhava numa papelaria dizer que foi vendida para uma multinacional chinesa de marca barata. Mas isso tem uns oito anos, na época eu era heterossexual, na verdade eu achava que era, e nem todas marcas chinesas são baratas, como a AOC, mas Samsung e LG são melhores. De novo eu falando de coisas sem a menor importância e vocês lendo.

Viajei com minha mãe para Minas Gerais, e o melhor, eu dirigi sozinho, sem a supervisão de um adulto, no caso meu pai. Na verdade já tem uns três anos que sai da autoescola, mas é que rodovia eu nunca dirigi por longas distâncias sem meu pai. Então, cheguei lá vivo, sem levar nenhum susto e com a noção de Simples Assim da Oi. Reparei bem aquela paisagem bucólica de cidadezinha do interior de Minas, que se parece com as cidadezinhas do interior de Goiás. Foi nessa hora que eu fiquei um pouco insatisfeito e depois de 700 km de volta, entre MG's, BR's e GO's, com algumas pausas por causa de urubu atropelado na estrada, mangueira do radiador rompida, pedido de balde de água em uma fazenda com cachorros assassinos e das incertezas dos quebra galhos arrumados por um típico mecânico de rodovia, eu respirei aliviado a névoa seca que cobre Goiânia em julho. Pois imagina só, gay e morando no interior como um dia minha mãe pretendeu... ainda bem, que sempre morei em Goiânia, essa cidade que um dia Roberto Carlos, dizem, chamou de fazenda asfaltada, décadas atrás, quando era mesmo. Mas Arsênico, se um dia você seguir os conselhos dos seus amigos que são daí e quiser vir para cá, eu vou achar ótimo.

O carro que utilizamos para ir para MG mostrou que ia consumir de nós uma considerável quantidade de recursos. Aproveitamos a oferta de crédito e compramos nosso primeiro 0 km e incerto do apoio da Dilma à causa LGBT, votamos na mulher para ver se o crédito continua lá. Mas nesse parágrafo quero falar do Silas Malafaia, o homem que tem um segredo, que não sabe que tem um segredo, mas sabe que esse segredo quer se fazer consciente e por isso ele prega em defesa da família, da moral e dos bons costumes. Ele havia falando um quilo de coisas que só um Silas Malafaia poderia falar, um pastor de uma igreja inclusiva escreveu um artigo para uma revista gay contrapondo as concepções do Silas, eu pensei: quero saber como funciona essa tal igreja de gay. Mandei email para o pastor, que me respondeu e me indicou outro pastor de Brasília, enfim, resumindo, freqüento uma igreja inclusiva que começou como grupo de oração, onde todo mundo sabe de mim, que eu sou gay evidentemente, mas que eu não tenho muita crença, aliás, crença alguma,no que eles dizem.

Tá, mas a igreja inclusiva serviu para eu ter novos contatos na agenda telefônica, no MSN, no Orkut e no Facebook, onde o Braccini curte meus devaneios tolos a me torturar. Contatos que viraram companhia para ir a qualquer lugar fazer o que um lugar qualquer pode ter para se fazer. É, a igreja inclusiva me deu amigos e pessoas para pegar no meu pé, sentia falta disso e a coisa começa a fluir. A igreja inclusiva é uma das coisas de 2010 que valeu a pena.

Continuo encalhado e por um momento pensei que me tornaria um desempregado e encalhado. Fiz alguns concursos durante 2010, passei em alguns deles e em um já fui convocado, sou professor agora, atividade que não me causa fascínio. Porém é um emprego público, sem entrevista, psicólogo de RH pedindo para eu falar sobre mim ou fazer dinâmica de grupo. Gente, dinâmica de grupo, faça, mas quando fizerem lembre-se que eles estão olhando o que há de mais podre em você e que nem você mesmo sabe que é podre. Aliás, ninguém merece seleção de emprego.

Parece que 2010 foi divertido, mas não foi. Foi um ano majoritariamente entediante e apático, assim como 2009 cuja única graça dele foi ser o ano que ficará para a história, do Well, como o ano cujo já no começo o Well socializou a condição sexual que mamãe nunca quis a confirmação. Mas esse ano em que estaremos por mais alguns dias se fez ganhar nos dois últimos meses. Na verdade os últimos meses foram apenas a jusante de algo que represei há mais tempo, a primeira delas foi o curso universitário, iniciado em 2007, a segunda um monte de concurso para os quais eu prestei e em um para o qual eu passei. Resultado, eu virei servidor público e para isso eu tive que correr para formar, tão logo agora eu tenho curso superior, pena que não tenho mais direito a cela especial. Não que eu vá cometer um crime, mas nunca se sabe.

Ruim é que a gente fica desejoso de continuar os estudos, perdi o vínculo como a universidade, que é pública e agora para voltar para ela só com editais, projetos ou aquelas provas de medir conhecimento bancário e limitado, o vestibular. Consola saber que alguns cursos de extensão pelo menos serão pagos pelo Estado. É nessa hora que olho os colegas do Ensino Médio, dos quais tenho saudade e ao ver alguns deles acho ótimo o fato d’eu ser gay, 21 anos, formado, com emprego público e com a chance de entrar na academia, emagrecer e ficar mais gostoso do que alguns acham que eu sou, diferente deles, que estão gordos e em alguns casos tem que sustentar o filho que inventaram. Gente, como os heterossexuais se reproduzem.

E assim acaba 2010, pela primeira vez eu atingi a minha franquia de dados e a NET reduziu minha velocidade a metade. Filha da puta. Pela primeira vez, desde que eu me lembro não passarei o Natal e o Revellon deprimido por causa das propagandas de peru, fiestas, chester e outras galinhas transgenicamente e anabolizadas que mostram pessoas felizes com suas famílias felizes, além de brancas e com sobrenomes italianos. Na verdade fico, porque ainda não desisti do menino felpudo lá da igreja inclusiva. Menino que não é felpudo assim, eu estava reparando as fotos dele no Orkut.

Bem, 2011 vem aí, ano para o qual fiz muitos planos e cuja característica será, provavelmente, a de ano em que eu vou aprender muita coisa, pois o que virá aí é muito novo. Tomara eu conseguir. Acho que vou, mas eu queria adrenalina na vida, né? Uma sala cheia de meninos, quanta tensão.

Para a blogosfera faço os seguintes planos. Primeiro dar mais atenção como um dia eu já dei a ela. Lerei mais todos vocês, e comentarei também, pois esta que é a moeda de troca e reconhecimento deste lugar. Portanto o Diego, o meu amigo fofix, que um dia me levou a Parada Gay, terá mais da minha audiência. Diego, leia o blog do Braccini e comente, pois é estranho um blog de gay o qual o Braccini, o Delphos da blogosfera, não leia. É como diria seu Ladir, Paulo Braccini é mara! Diego, você é mara também, por experiência própria, falo como amigo. O segundo voto tem mais a ver comigo e diz respeito a não empurrar mais esse blog com a barriga, como tenho feito nos últimos meses.

Bem, é isso, peixos, me liga quem tiver meu Vivo ou meu TIM. Ou me Twitta, pois Natal na casa da avó combina muito com todo mundo falando e a gente com o celular ligado navegando no wap.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Agora preciso traçar novos planos

Não, os planos antigos não deram errados, pelo contrário e ainda bem, deram certo. Corri, fiz dias renderem semanas, contei com a ajuda de muitas pessoas e cheguei até pensar que não conseguiria. Mesmo com tanto pessimismo e algum choro de desespero eu continuei tentando e consegui. Bem, agora finalmente eu sou um geógrafo e fui empossado professor da Secretária Estadual de Educação de Goiás. O salário não é lá grande coisa, mas já vi que depende de mim fazê-lo subir. Claro, o Estado pode fazer mais, mas sabemos que Educação não é a prioridade da nossa política e nunca será tal como vai.

Tudo bem, ser professor não é a minha maior prentensão e ainda penso na possibilidade de futuramente mudar de área de atuação. Mas mesmo assim penso que devo tentar mais e talvez, quem sabe, eu veja que estou errado e realmente eu gosto de Educação. Ainda estou apreensivo, não sei se vou me dar bem com os estudantes e com a indisciplina que certamente eles terão. Mas já notei que as coisas são como aprendi no Pequeno Princípe e conversei com as outras pessoas que atuam na área, cabe ao professor cativar os estudantes. Estou inseguro porque não domino os conteúdos da geografia escolar, na graduação vi outras coisas. Sei que vou pedir muita ajuda aos coordenadores pedagógicos e conversar com outros professores da área, em outras palavras, estou entrando em um novo período de aprendizado.

Mesmo com tal ansiedade e insegurança não posso negar que estou muito otimista com tudo. Eu tenho fobia de dinâmica de grupo, falar sobre mim e psicólogo de RH e com um emprego público espero não precisar mais tão cedo disso ou nunca precisar. A noção de monotomia na minha vida, que durava quase dois anos está passando. É como se eu tivesse cansado daquela paisagem e agora, depois da curva, um nova e desconhecida paisagem se escancara na minha frente, mostrando a mim que terei que aprender muitas coisas, que provavelmente eu irei errar como sempre erro, mas que permitirá a mim fazer novos planos e ver como eu mudei, da mesma maneira que sinto ter mudado após os anos iniciais da vida adulta. Bem, é essa a graça da vida eu acho, ver que mudamos e que aprendemos mais, que os outros ajudaram, mas que tudo dependeu da gente mesmo.

Tempo, tempo, tempo,
És um senhor tão bonito [...]
Tempo, tempo, tempo,
Vou te fazer um pedido 

Os novos planos. Já transformei meu salário em várias pizzas com pedaços para cada coisa que planejo fazer e acho que isso não é muito bom, pois são muitas expectativas em cima de um salário que não sei bem ao certo, já que também não sei quantas horas aulas, que é o que compõe meu salário, irei lecionar. Mas já estou planejando uma viagem no meio do ano que vem, talvez eu vá para o Nordeste com a Mariana ou vamos para São Paulo, cujo circuito cultural é invejável. Queria ir o mais rápido possível para Florianopólis, mas meio de ano lá não é um bom lugar para ir por causa do frio, é o que o Mário, o meu melhor amigo on line e que mora lá, já me disse.

Terei que fazer pós graduação, 1080 horas com certificados superiores a 40 horas e com nota para eu ganhar 30% a mais do salário. Agora estou me inscrevendo nas newsletters das principais universidades de Goiás para saber de cursos, congressos, seminários, entre outras atividades que sejam válidas tanto para o meu processo de formação continuada e para o futuro do meu salário. Sei e quero subí-lo o mais rápido possível. Bem, penso que uma pós graduação em Educação inclusiva seja uma boa, mas R$214,00 vai pesar e ainda não sei se a Seduc pode subsidiar uma parte ou a totalidade.

Biblioteca da UFG não usarei mais, então preciso ter a minha própria biblioteca. Porém a minha casa, e seus 72 m² de área construída está carregada de coisas, no meu quarto cabe poucas coisas e no quarto de hospedes, acho que por ser de hospedes, lotamos com tudo que não cabia nas outras partes da casa. As listas de desejos na Saraiva e no Submarino já estão prontas. Pensei em criar uma na FNAC, que não tem loja em Goiânia e que deveria ter uma vez que dois shoppings serão construídos por aqui nos próximos anos, mas os preços são "impopulares". Onde vou colocar os meus livros, principalmente os técnicos e didáticos que vou usar?  Tenho que pensar nisso, acho que meu quarto merece algumas intervenções também.

Ah, o meu quarto, não é a maior das minhas prioridades, mas merece uma pintura nova, tipo, duas paredes pintadas num branco meio prateado e brilhante que vi na Leroy Merlin e achei lindo e outras duas paredes pintadas em verde claro. O teto poderia continuar nesse branco neve, com a diferença que quero comprar aquelas estrelas fluorescente de dias das bruxas e reproduzir as constelações do Hemisfério Sul, da Terra como diria José Serra. Para os dias quentes de verão e para os dias mais quentes ainda de agosto a outubro um air split é uma boa pedida. Um TV de LCD de 22" ou 26" com conversor integrado me daria um ganho de espaço significativo, tiraria essa caixa grande e o receptor da parabólica. Bem, mas onde eu colocarei os meus livros e as atividades dos estudantes que trarei para casa? Bem que meus pais poderiam ampliar a casa.

Prioridade para os próximos meses é comprar um notebook, apesar que meu desktop é mara, com um roteador e uma mochila para eu carregá-lo e meus materiais, comprar roupas e calçados novos, um óculos escuro para dirigir em direção para onde o Sol vai durante as tardes, ou em direção de onde ele vem, durante as manhãs. Com excessão dos recursos de TI, todo o resto será comprado com meu Itaucard, pois seu limite é ridículo, corresponde a terça parte do que eu vou ganhar. Está na hora de ficar fluente em inglês e não ter mais incerteza, quando na ausência da legenda, se estão dizendo indeed now ou I'm need now. Também vou trocar essas gorduras e transformá-las em musculos e virar um objeto de consumo para a comunidade. Sem contar que preciso fazer a poupança, tanto para a viagem do meio de ano como para comprar em alguns meses um carro só para mim.

Vai ajudar porque a escola em que vou ser modulado fica próximo, poderei utilizar uma linha cuja passagem é subsidiada e assim gastarei R$2,30 diariamente para ir ao trabalho.

Chega de falar de bens materiais. Quero sair, ver pessoas e criar vínculos, é isso. O que quero fazer agora é mostrar para quem eu achar interessante que eu estou aqui. Lá na Igreja Inclusiva as coisas vão bem, estou me sentindo pertencente a alguma coisa. Me disseram que eu sou mais deles do que eu imagino e eu fiquei feliz por isso. Já disseram que eu sou simpático, inteligente, engraçado, o menino que faz rir e que eu não deveria estar só. Bem, a igreja ainda está nova, tem poucas pessoas por lá, mas já existem algumas pessoas interessantes, já existem algumas Brastemps por lá e quero levar uma que vi na Caixa da Verdade, pena achar que todas as Brastemps são areia demais para o meu caminhãozinho. Mas não custa nada tentar, até mesmo porque duas delas são felpudas.

Na verdade quero tudo mais se exploda, eu quero mesmo é um namorado. Dane-se o resto!

Bem, é isso, peixos, me liga!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mas você vai ser professor (forever)?

No primeiro semestre desse ano a Secretaria da Educação de Goiás fez concurso público para contratar professores. A concorrência foi baixa, só quem está desesperado, ama a Educação ou tem um espírito de porco pode aceitar trabalhar por 40 horas e ganhar R$1314,52 + descontos (viu a ironia? "mais descontos"), que é um salário de fome para quem tem curso superior e trabalha como um professor.

A baixa concorrência ajudou a frustrar o meu projeto, o de não passar nas colocações primárias e ser convocado antes da hora, o que quer dizer, sem ter concluído a graduação. A prova, cujo nível foi muito elevado, poderia me ajudar nisso, mas o ponto de corte também foi elevado e preferi não subestimar o exame.

O concurso foi homologado e eu passei em 37° lugar - convocação imediata. A Secretaria da Fazenda - que é quem contribuí com a burocratização estatal e permite a da Educação contratar - me enviou uma carta me parabenizando pelo feito - gente falsa é outra coisa - e assim foi publicada a 2ª chamada na qual constou meu nome lá no Diário Oficial.

Bem, liguei hoje em um monte de órgãos do estado e no ping pong descobri que meu nome consta na 22ª colocação, ou seja sou mais inteligente do que queria nesse caso e ando não prestando muito bem atenção nas informações importantes para mim apesar d'eu pensar que estou fazendo o contrário. Agora preciso de uma cópia do Diário Oficial para pedir prorrogação de 30 dias para ver se consigo formar.

Ou seja, Lei da Atração vai entrar em operação. Vou ter que terminar as atividades do Estágio IV antes da hora, a monografia vou ter correr com ela e ver se quem sabe eu consigo defendê-la no começinho de novembro, o que é impossível eu acho, ver se uma professora pode me passar outras atividades para conseguir nota, se consigo cancelar outra disciplina na qual está o menino felpudo, e o melhor, ver se, quem sabe, a Universidade aceita tudo isso e deixa eu fazer uma colação de grau especial, tudo para o comecinho de novembro, é claro.

Talvez tudo isso não dê certo. Penso que seria uma boa contratar um advogado, um de confiança, desses mercenários e espertalhões que dão golpes fazendo interpretação da lei e que encontre nela brecha ou sei lá o quê que me deixe trabalhar como professor.

Vai valer a pena? Fiquei quatro anos praticamente sem trabalhar e preciso trabalhar outra vez. No entanto é bem certo, se dependesse de mim eu não seria e não vou ser professor por muito tempo.

Me dei ao luxo de passar em outro concurso público, da Secretaria da Saúde. Nele trabalha-se menos, ganha a mesma coisa e só exigem Ensino Fundamental. Sou capaz de abrir mão de ser professor para ser um medíocre funcionário da burocracia estatal. Porém com tempo para fazer outro curso superior e estudar para um concurso decente, coisa que nem o concurso de auxiliar administrativo e nem o de professor são. Nesse último por causa do salário, das condições de trabalho e do reconhecimento. Além disso eu não tenho a menor perspectiva com relação a isso mudar pelos próximos quatro anos.

Em Goiás estão escolhendo entre um candidato que despreza funcionário público, ainda mais se for professor, e outro que conseguiu o apoio dos funcionário públicos e dos professores, mais alienados no caso, dando esmolas a eles. Para quem não ganhava muita coisa qualquer esmola vira grande coisa. Dos males os menores porra nenhuma, nenhum dos candidatos no quais a política goiana se polarizou tem moral para falar em Educação e ao meu ver eles são mal intencionados o tempo todo em relação a ela.

Tem uma terceira via aqui, mas terceira evangélica e do PP? Tenha dó, né? Isso está mais para um canteiro central todo arborizado e gramado, o que não é vantagem quando se precisa de pista de autorrolamento.

Bom, é isso, peixos, me liga. E me twita também.